“A Bahia é o retrocesso do retrocesso no futebol”, dispara Orlando da Hora

"É o único estado do Brasil que se cobra borderô", disse o técnico do Jacobina

Após perder para o Vitória, o Jacobina segue com chances de rebaixamento no Campeonato Baiano. Na 9ª colocação com 3 pontos, o Jegue da Chapada decide a permanência na elite do estadual na quarta-feira diante do Vitória da Conquista, no estádio José Rocha. Basta um simples triunfo para se manter na Série A do Baiano. Porém, em caso de tropeço, terá de secar o Atlântico, lanterna com 2 pontos e tendo uma pedreira pela frente ao enfrentar a Juazeirense – 3º colocado com 16 pontos e ainda lutando pela vaga na semifinal.

Em entrevista ao Bahia Notícias, o treinador do Jacobina, Orlando da Hora, não escondeu a atuação ruim da sua equipe que vem cambaleando na competição estadual desde as primeiras rodadas. No entanto, o que mais chamou a atenção na entrevista foi o enorme desabafo do treinador que criticou o deficitário e pobre futebol da Bahia que, segundo ele, não há competitividade por falta de recursos. O treinador destacou que a Federação Baiana de Futebol (FBF) teve dificuldades para vender o campeonato e criticou afirmando que o único estado do Brasil que se cobra borderô.

FUTEBOL BAIANO: UM RETROCESSO

“Cometemos erros por confiar em pessoas que não deveríamos confiar em termos econômicos e acabamos ficando com elenco reduzido. Demoramos em contratar peças. O campeonato ficou muito deficitário, foram poucos jogos em casa. Tanto o clube quanto a Federação Baiana de Futebol (FBF) tiveram dificuldades para vender o campeonato. É o único estado do Brasil que se cobra borderô. A Federação é obrigada a sobreviver fazendo isso. Acaba se tornando um futebol muito pobre. Para quem não chega ao quadrangular final, só têm 30 dias de campeonato, aí o resto do ano acabou. Acho que a Bahia precisa mudar o calendário dela, criar fórmulas de ter mais calendário para que os jogadores criem mais raízes no profissional. O jovem não tem motivação com esses campeonatos tão curtos. A Bahia é o retrocesso do retrocesso no futebol. Um estado que há muito tempo revelou jogador. Você vai na base de Bahia e Vitória, e cinco ou seis dos times titular são de outros estados. Não tem competitividade, porque não tem recursos. A FBF quis fazer Copa do Estado ano passado, mas como faz se ela não tem nada para premiar o campeão? Porque no arbitral os poderosos que dirigem os clubes vão lá e botam tudo no primeiro semestre. No ano seguinte ele fica fora, pois tem que montar time tudo em cima da hora. No ano que não assegurar uma vaga para série D, fica sem calendário. Não tem como manter uma base se não tem competição”, lamentou.

ERROS CONTRA O VITÓRIA

“É dolorido. Mas para mim que tenho tantos anos de bola, é natural. Foi um bom jogo. Com todas as dificuldades que o Jacobina tem, fez um jogo bonito. Exigimos do Mancini toda a atenção. Foi um jogo tenso para ambos os lados. Claro que o sacrifício maior da gente é natural, em decorrência da sequência do tempo de trabalho. O jogo em si normal, pecamos porque optamos por trabalhar com elenco curto, para poder tentar dar uma condição razoável. Estamos com o zagueiro machucado há mais de um mês, e todo mundo virou as costas pro clube. O clube passou a ser alvo só de críticas. Imagine você ralar, o nosso oito tomou um carrinho violento, jogou sangrando, quase fraturou a tíbia, e o ‘cara’ chega aos 48 e toma um gol e tem gente que está em casa ou sentado na arquibancada e pensa que ficamos felizes. É claro que o torcedor também sofre, que a região e a cidade sofrem muito, mas não sofrem mais do que a gente. É uma luta”, explicou Orlando.

REBAIXAMENTO

“Jacobina vem namorando há algum tempo (o rebaixamento) e o presidente se ‘matando’. Eu creio que esse ano não, com todo respeito ao Atlântico, que até concentramos no mesmo hotel nesse final de semana. Eu desejei boa sorte aos jogadores deles. Mas com todo respeito também ao Conquista e a Juazeirense que diretamente estão envolvidos, eu acho que o Jacobina não cai esse ano, tenho quase certeza disso, mas se não tomar uma providência séria, de mudar a atitude, de ter mais gente trabalhando em prol do clube, uma hora vai cair. É um heroísmo do presidente e de um ou outro diretor que ajuda. A cidade tem um monte de jogador jovem, mas como manter? Se quem tem dinheiro quer entrar para política, para ganhar mais dinheiro. Não quer saber de investir em social. Por outro lado, o cara dá o nome dele para ser diretor de um clube e daqui a pouco cai fora. Quem menos tem culpa é quem vai pra linha de combate. Que é a gente, jogador, diretoria e o torcedor. Que são quem fazem o clube ainda existir. Aí acabam essas pessoas ficando uma contra a outra, e não vão brigar com quem devia ir brigar. Terminar o campeonato agora, o Jacobina se livrar do rebaixamento, tem que juntar 10 mil pessoas e ir pra porta da mineradora e dizer que não vai entrar ninguém. Ninguém vai morrer por causa de mineradora aqui não. Não dá retorno nenhum para cidade. Chega aqui e levam milhões, bilhões de ouro da cidade. Quer culpar os jogadores, o treinador, muito menos o torcedor que vai lá e paga ingresso. Eu acho que está na hora de haver uma mobilização bacana no time”, criticou.

Federação Bahiana de Futebol: 16 anos e a marca do amadorismo

Deixe seu comentário!

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*