Federação Bahiana de Futebol: 16 anos e a marca do amadorismo

Hoje a Federação Bahiana de Futebol ocupa, segundo o site da CBF, a modesta 9ª colocação

O julgamento do BA-VI e seu resultado atiçou novamente uma velha insatisfação com a Federação Bahiana de Futebol, administrada por Ednaldo Rodrigues que por lá se instalou e pelo visto de lá não sairá tão cedo, mesmo sem mostrar qualquer avanço do futebol do nosso estado.

No entanto, se a FBF não tem prestigio entre os torcedores ou serviços prestados ao futebol profissional, ela e todas como todas as outras, tem um papel fundamental para eleger e sustentar dando base de apoio os presidentes da CBF, aliás, nos últimos 30 anos, a entidade máxima do futebol nacional é presidida por gente acusada de desvios de dinheiro, corrupção e outras gatunagens, têm até gente presa, outro corrido sem condições de se ausentar do Brasil, além do doutor Ricardo Teixeira. Enfim, esses caras foram conduzidos para a condições de presidente da CBF com os votos das Federações estaduais que mesmo sem um TORCEDOR, ou UM real de investimento tem voto com peso e alcance maior que o Esporte Clube Bahia ou Esporte Clube Vitória.

Por outro lado, tem lá seus benefícios, agora mesmo todos vão para a Copa da Rússia com tudo pago pela CBF. Porém, para ser justo, é preciso dizer que o Bahia recebeu também esse beneficio junto com o Atlético-PR, São Paulo, Avai, Guarani-SP, CRB, Brasil de Pelotas e Paysandu, porém estes foram sorteados. Não posso afirmar, mas pela política atual do tricolor de aço, tal convite será apenas agradecido, bom, penso.

Ontem o site Goal90 tratou do assunto. Questiona os 16 anos de administração de Ednaldo Rodrigues, o declínio do futebol baiano e a falta de perspectiva para a renovação do quadro diretivo da FBF nos próximos anos.

Veja

Muitos dizem que política e futebol não se misturam, mas a realidade é totalmente diferente. Para muitas pessoas, a repetição de um mesmo político em um determinado cargo deveria ser abolida. Diversos deputados que estão a 20 anos no poder, vereadores que se perpetuam nas cidades, passam décadas no “ofício” e, por conseguinte colocam os seus parentes para darem prosseguimento ao poder familiar. E por que no futebol seria diferente? Acontece isso com os clubes, também com as federações que gerem o futebol brasileiro e em especial a Federação Baiana de Futebol (FBF).

Em 2002, a Bahia conheceu o seu então presidente da Federação Baiana de Futebol. Foi eleito naquela época o atual presidente, Ednaldo Rodrigues. Engana-se quem acha que o mesmo foi substituído em algum momento da história. Em 2018, o atual presidente chegará a 16 anos de gestão. Na última eleição, em 2014, o mesmo foi eleito novamente e ficará à frente da FBF até 2019. E ele poderá ser reeleito novamente? Sim!

O artigo 24, de parágrafo único, presente no estatuto da entidade, permite a reeleição por tempo indeterminado. Ou seja, Ednaldo Rodrigues pode ficar à frente da gestão o tempo que desejar.

Hoje a Federação Baiana de Futebol ocupa, segundo o site da CBF, a modesta 9ª colocação dentre as 27 existentes no país. A entidade baiana encontra-se atrás das federações de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Pernambuco e Goiás. Em outros momentos já estivemos bem mais à frente de estados como Goiás, Paraná e Santa Catarina.
O que ocorreu desde então?

De 2002 para cá muita coisa no futebol baiano aconteceu. O Vitória foi rebaixado 3 vezes da Série Apara a B, nos anos de 2004, 2010 e 2014 e um rebaixamento para a Série C em 2005. O Bahia foi despromovido para a Série B em 2003 e 2014 e para Série C, também em 2005. Foram muitos anos em que os maiores clubes da Bahia passaram longe do principal campeonato do país. Vivendo uma amargura sem precedente.

Ainda após o início da gestão do atual presidente, o Campeonato Baiano se manteve em moldes do que ocorreu nos últimos 20 anos. A predominância da dupla Ba-Vi se revezando em títulos e chegadas em finais. Nos últimos 16 anos, somente dois clubes do interior conseguiram o título, o Colo-Colo em 2006 e o Bahia de Feira em 2011, ambas em cima do Vitória. Um ponto fora da curva. Das 16 finais ocorridas neste tempo, somente 5 possuíram pelo menos um clube que não fosse um da dupla Ba-Vi. Chegaram as finais o Fluminense de Feira (2002), Catuense (2003), Colo-Colo(2006), Bahia de Feira (2011) e Vitória da Conquista (2015).
16 anos e a marca do amadorismo

Nestes 16 anos de gestão, o que sempre ficou marcado no futebol baiano foi o traço do amadorismo. Os clubes da capital sofrendo demasiadamente para obter uma manutenção na Série A. Um campeonato estadual com cotas televisivas que não são atrativas aos clubes, estádios e campos de péssima qualidade. Um nível de arbitragem muito aquém da exigência de campeonatos profissionais. Não podemos esquecer do desaparecimento de diversos clubes que não conseguiram ter fôlego para ir longe em sua jornada. Onde foram parar a Catuense, Juazeiro, Colo-Colo, Itabuna? Times tradicionais da Bahia que não figuram mais em nossos campeonatos.
É bem verdade que ao longo destes 16 anos tivemos um clube que conseguiu ascender de divisão, além da dupla Ba-Vi. Ano passado a Juazereinse logrou de divisão. Deixou a 4ª divisão e disputará esse ano a 3ª divisão. Em 16 anos, somente um clube do interior conseguiu essa façanha. É como ser uma exceção dentro de uma regra em que o futebol da Bahia não consegue avançar. Parabéns ao gestor da Juazeirense, Roberto Carlos, por tal feito. Subir de divisão com um time do interior é o maior ato de rebeldia dentro de um sistema precário como é o do futebol baiano. E sejamos sensatos, por anos o futebol do estado se resumiu aos dois grandes da capital. É inadmissível a Bahia não possuir diversos clubes na Série B e C.

Como lutar por um campeonato mais forte, onde a segunda divisão do estado só permite um único time subir de divisão? Qual a motivação? Quem vai querer investir? É triste ver como a Série B da Bahia vai morrendo a cada dia.

Esperaremos chegar ao fundo do poço?

Diversos outros fatores poderiam ser listados para apresentar o quão involuímos nos últimos 16 anos. Como na política, a alternância de poder deve ocorrer no futebol. Novas mentes precisam chegar para tentar tirar a FBF de uma imensa letargia. Será que nada vai mudar? Esperaremos chegar ao fundo do poço? Mas existe oposição a Ednaldo Rodrigues? Os clubes estão satisfeitos com essa perpetuação, quase que infinita, de poder? A FBF é benéfica aos seus clubes? Será que somos tão pequenos e não nos damos conta disso? Com a palavra os torcedores baianos e seus dirigentes.

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