SANTIGO TRÉLLEZ E A DEDADA FATAL

Algum advogado habilidoso por certo poderá defender o zagueiro da Ponte Preta

TEXTO – ATAHUALPA

Muitos por aqui têm formação machista ou hétero por excelência (na qual me incluo, respeitando sempre os que têm opções outras). Obviamente, uma dedada traz conseqüências desastrosas, para nós convictos, de nossa eterna exclusiva paixão pelo sexo feminino, tendo na região atingida em Tréllez uma exclusiva via somente, como trânsito de saída. Uma dedada faz desmoronar moralmente todo o nosso glamour de macho.

Algum advogado habilidoso por certo poderá defender o Rodrigo, sustentando uma tese de que o cartão vermelho aplicado representaria um ato homofóbico. Citaria até um exemplo. Se o Rodrigo passasse a mão na região oposta do colombiano, não seria expulso, pois o foco não seria a “vítima” e sim o agressor, que confessaria publicamente amor por opções outras. O “machismo” não seria lesado, pois o “constrangimento”, para a maioria dos torcedores, não seria do atleta que teve suas bolas seguras e sim do que as pegou.

Contudo, há de se predominar, fugindo do tema acima, que a tal da dedada teve como motivação a má fé, para que o atleta atingido reagisse e ser expulso, o que fez o Juiz com todo acerto aplicar o cartão vermelho, mas indiscutivelmente ele optou na defesa do time de todos nós, que defendemos esta “sagrada” região. Impressionante e felizmente foi a frieza do Tréllez, que recebeu duas dedadas seguidas e foi premiado, pelo árbitro. Também, notável foi a reação do banco dos rubro-negros, sob liderança de Mancini, gritaram na defesa da retaguarda de seu atleta, pressionando o árbitro auxiliar. O controle emocional do colombiano lhe credenciará a uma futura canonização.

Por outro lado, incrível foi nos canais fechados, o constrangimento dos jornalistas, para traduzir o local atingido, preservando os ouvidos dos portadores de uma pseuda moral pública. Chegaram alguns ao consenso, para apontar o alvo digital, como “entre as nádegas”, esquecendo eles que a simples “dedada” já encerra o objetivo do infrator. Se não desejarem falar em ânus, podem usar cu, toba, rabo, botão, fiofó, furico, anel , rosca e tantos outros citados, nos dicionários informais.

Para concluir, foi uma dedada fatal, para as inspirações da Ponte Preta e adiou o nosso sofrimento, para o último jogo, contra o Flamengo. “En passant”, o SPORTV ao liberar noticiário de Salvador, um jornalista da TV Bahia afirmou que estávamos na esperança da chegada do time reserva dos cariocas. Lamentável esta declaração de inferioridade e bajulação desses sulistas. O pior que ainda gozaram com ele, alegando, como jogar com o time reserva se fretaram um avião, para chegar em Salvador e diminuir o cansaço dos titulares e ainda o Flamengo desejar uma vaga na Libertadores? Esquece o cara daqui que o Vitória ganhou do titular, no Rio de Janeiro e muitas vezes jogar contra reservas é pior. Lamentável.

 

ATAHUALPA – amigo e colaborador do Futebol Baiano