Enfim, a quem interessa a Lei do Mandante? Ao Bahia, por exemplo?

A MP segue parada aguardando a apreciação dos deputados

A Medida Provisória 984/2020, também chamada de MP do Flamengo, que permite ao mandante do jogo o direito exclusivo de negociação da transmissão, foi assinada em 18 de junho pelo presidente Jair Bolsonaro, e ainda não andou. Segue parada aguardando a apreciação dos deputados, ainda que seja irrelevante considerando aos grandes temas nacionais em um momento de crise econômica e, sobretudo em plena pandemia. Oferecer prioridade para se de debruçar num tema de interesse de clubes de futebol e seus ganhos financeiros honestamente não me parece o melhor caminho ou a melhor opção para os deputados neste momento. E caso seja apreciada, seguramente sofrerá mudanças significativas.

 

Calcula-se que 92 emendas podem ser inseridas no texto original, praticamente matando o texto original para atender outros interesses, afinal, não custa lembrar que estamos em uma casa política. Assim, as chances de caducar são imensas apesar das pressões dos presidentes dos clubes, entre eles, o presidente do Esporte Clube Bahia. Já outros clubes como Sport-PE, Corinthians, Atlético-MG, Grêmio e o Internacional abandonaram o barco.

Enfim, a quem interessa a Lei do Mandante? A TV comprará um jogo do Bahia, por exemplo, lá embaixo na tabela de classificação? Se comprar, quanto pagará? E o Atlético-GO de apelo reduzido, venderá como mandante seu jogo contra o Goiás, para quem? Apenas outro exemplo de muitos que poderiam ser mencionados. O valor fixo ano a ano como recebem estes clubes não seria um melhor negócio?

Se os deputados ainda não sentaram para discutir o assunto para desespero do presidente do Fortaleza, talvez, o maior contrariado, o jornalista Duda Lopes, do site Máquina do Esporte, sentou e tratou do assunto de forma mais ampla, não tão somente observando a medida sob o ponto de vista do Flamengo e outros do seu naipe. E isto você pode ler logo abaixo e notar que alguns clubes podem estar entrando numa roubada especialmente se não se inserir entre os “grandes” numa suposta negociação em conjunto. Leia abaixo:

Quando a discussão começou neste ano, muito foi centrado na possibilidade de transmissão própria das equipes em torneios que não eram tão lucrativos na hora de comercializar com emissoras de TV. Com esse foco, fortalecido com o apelido “MP do Flamengo”, ficou a impressão de que as equipes eram as principais beneficiadas, com a suposta quebra de domínio das grandes emissoras.

Pouco foi discutido, por outro lado, o quanto que os canais ganham com a possibilidade de ter direitos de transmissão sem a necessidade de acordo com todos os times envolvidos em um grande torneio. A Lei do Mandante abre a possibilidade, por exemplo, de a Globo acertar apenas com os times de maior audiência e deixar de lado as outras equipes. Essas deixariam de ganhar seus R$ 50 milhões do canal e teriam que buscar fundos em emissoras alternativas ou em meios próprios. Dificilmente conseguiriam os mesmos valores, e as diferenças entre os times só aumentariam.

Com a revelação da Máquina do Esporte de que a LiveMode está diretamente envolvida na campanha dos clubes pela Lei do Mandante, fica claro que há algo estranho. Como os dois lados de uma mesa de negociação têm o mesmo a ganhar com uma mudança de lei? Não têm. A iniciativa, se sair do papel, favorecerá amplamente os canais de TV, já que o produto futebol será muito mais barato. E, com o menor preço, dificilmente a somatória alcançaria o potencial de uma venda conjunta.

Esse é o cenário complicado que convive atualmente Portugal. A Liga NOS é uma das poucas grandes organizações do futebol no mundo que unem uma “Lei do Mandante” com venda individual. E o resultado não é nada bom: Benfica, Porto e Sporting mantêm seus acordos próprios, enquanto as outras equipes lutam por migalhas. Atualmente, o Benfica chega a receber 12 vezes mais do que o Belenenses, para focar na comparação entre duas equipes de Lisboa.

A Lei do Mandante é a contramão da elite do futebol, e é inacreditável que os clubes tenham se unido para aprovar a iniciativa, mas sejam incapazes de se sentar para negociar em conjunto um contrato melhor. Com uma empresa diretamente interessada, as equipes criaram um movimento que fala meias verdades e mira uma situação que prejudica todo o mercado do futebol.

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