E.C Bahia: Time de transição tem que ser visto como investimento

Bahia vai aproveitar atletas do sub-23 no time principal

Foto: Felipe Oliveira/Divulgação/EC Bahia

A pandemia do Coronavírus que entorpeceu o planeta por tempo indeterminado, começa a ocasionar efeitos rigorosos para o futebol brasileiro e mundial. Como já havia uma crise em diversos clubes do Brasil, estas causadas por irresponsabilidade e falta de austeridade financeira de seus dirigentes, o quadro foi agravado nesse momento pela carência de recursos de TV, bilheteria e federação e debandada de sócios em seus quadros. Desse modo os clubes tiveram que mudar o planejamento que haviam feito para seus times no início da temporada. Com o Esporte Clube Bahia não foi diferente, contudo, o Esquadrão de Aço com sua organização administrativa exemplar teve que tomar a difícil decisão de finalizar a equipe de transição.

 

O projeto de transição já uma realidade em diversos clubes do país, onde se aproveita jogadores, em geral até 23 anos para disputar campeonatos de menor expressão para dar espaço no calendário para que, o elenco profissional descanse e se recupere adequadamente para os campeonatos mais importantes. Além disso, a intenção é evidenciar as jovens promessas do clube e esses passassem a encorpá-los para que cheguem prontos para ao time principal.

Aos olhos do torcedor que criticou as contratações feitas para o sub-23 em detrimento ao profissional, pois entendem que este tipo de investimento é “desperdício de dinheiro”. Contudo, olhando friamente é um investimento baixo e sua totalidade salarial da equipe inteira não supera sequer o salário de uma estrela da equipe principal. Enfim, é mais barato manter 30 jogadores nessa equipe que Fernandão ou Gilberto, por exemplo, e com esses jogadores conseguir reforçar os caixas do clube para manter inclusive os medalhões.

O time de transição tem que ser visto como investimento, afinal, a maioria desses jogadores que vieram não oneraram o clube no que tange a gasto para contratar e os mesmos hoje são ativos do clube, em sua maioria, pois os direitos econômicos são vinculados ao Bahia, enquanto outros chegaram por empréstimo com valor de passe fixado. Para um clube do Nordeste ainda é muito dispendioso contratar afinal a geografia ainda é adversária e os atletas ainda preferem ir, mesmo que recebendo menos, para outros clubes do Eixo Sul/Sudeste, mas isso está mudando aos poucos.

Nesse ínterim, o treinador Roger Machado, recebeu ou receberá, em torno de 10 atletas para compor o elenco principal, jogadores estes que, embora tenha participado de um campeonato profissional de futebol pela primeira vez, não se deixaram abater e encerraram seu trabalho como líderes invictos do Baianão 2020, sob a batuta do excelente profissional da área técnica, Dado Cavalcanti, que soube tirar o melhor desses atletas, inclusive ganhando um BAxVI em pleno o Barradão

Assim, se unirão ao elenco do técnico Roger Machado os atletas Ramon, Ignácio, Arthur Rezende, Saldanha, Yuri, Gustavo, Edson, Caíque, Caio Mello e Mateus Claus. O torcedor pode pensar que isso pode inchar o grupo principal, mas algumas peças da equipe de cima estão de saída, quer seja por fim de contrato ou por não ter desempenhado um papel satisfatório na equipe, ou ainda, por causa de interesse de outros clubes e que podem ser vendidos.

Caso haja empréstimos para outros clubes para que atletas possam ganhar experiência será um modo de manter o elenco sem inchaço e a folha salarial do clube não ficar excessiva, além de que, os atletas que se valorizarem em outras equipes trarão recursos para o clube, ao contrário das práticas usadas pelas antigas gestões do clube.

No caso de empréstimos destes jogadores alçados para o profissional já ocorrerá com uma natural valorização, haja vista que, o valor de mercado de um atleta da equipe principal é muito maior do que um que ainda não disputa campeonatos como o Brasileirão, Copa do Nordeste ou Sul-americana, abre-se uma janela gigante para esses atletas e a expectativa de maiores ganhos é uma possibilidade real.

Diante de tudo isso, a realidade atualmente é a incerteza, o mercado hoje é temeroso, as contratações estão em “stand-by”, contudo é nesse momento que deve ser posto em prova a austeridade exercida pelo clube e ver se essas apostas corresponderão ou suplantarão ao investimento feito. NESSE MOMENTO DE POSSÍVEL COLAPSO O SÓCIO TEM QUE ABRAÇAR MAIS AINDA O CLUBE E QUEM PUDER MANTER-SE ASSIM O FAÇA.

A verdade é que ser deve ter responsabilidade nessa hora e atender os protocolos para que se possa voltar, salvaguardando todos que fazem parte do espetáculo futebol, nossa paixão nacional, para que em caso de retorno, isso ocorra com cuidado e consciência, para que voltemos a desfrutar do nosso esporte preferido nas datas que estamos acostumados, ainda que pela tela da TV, internet ou radio, vencendo essa terrível pandemia que assola o mundo, até que seja possível encher os estádios novamente e a vida retomar a sua normalidade.

Diego Campos, torcedor do Bahia e colaborador do Futebol Bahiano.

 

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