Copa do Brasil pode ser a “salvação” do Vitória na temporada 2020

Decisão contra o Ceará vale R$ 2 milhões para os cofres do Leão

Foto: Letícia Martins / ECVitória

Não é novidade para ninguém que o Esporte Clube Vitória vive um momento complicado financeiramente, o próprio presidente Paulo Carneiro afirmou recentemente que “o clube está longe de sair da crise financeira”. Mesmo com todas as dificuldades, o mandatário montou um grupo competitivo que ainda está invicto na Copa do Nordeste e avançou à terceira fase da Copa do Brasil após eliminar Imperatriz e Lagarto. Diga-se, o único revés do Leão no ano foi para o Ceará, no jogo de ida do torneio nacional, por 1 a 0, na Arena Castelão. O classificado à 4ª fase embolsará R$ 2 milhões de premiação, valor considerável, ainda mais diante dos impactos pela pandemia do coronavírus. A Copa do Brasil é a competição que melhor premia no futebol brasileiro e pode ser encarado como uma espécie de “salvação” para o Vitória, pelo atrativo financeiro. Até aqui, o Rubro-Negro já faturou R$ 2.690.000.  As premiações seguintes são: R$ 2 milhões (4ª fase), R$ 2,6 milhões (oitavas), R$ 3,3 milhões (quartas), R$ 7 milhões (semifinal), R$ 22 milhões (vice-campeão) e R$ 54 milhões (campeão).

 

A Copa do Brasil iniciou com quatro clubes do futebol baiano, porém, apenas dois avançaram à segunda fase. O Esporte Clube Bahia perdeu por 1 a 0 em Teresina-PI e foi eliminado pelo tímido River, mesmo time que na última terça-feira tomou 4 a 0 do Ceará pela 6ª rodada da Copa do Nordeste. Já o Atlético de Alagoinhas acabou empatando sem gols com o Botafogo-PB no Estádio Antônio Carneiro e como o time paraibano tinha a vantagem do empate pelo melhor ranqueamento na CBF, o Carcará acabou se despedindo do torneio. O Bahia de Feira, após passar pelo Luverdense vencendo por 3 a 1 na Arena Cajueiro, chegou a colocar um pé e meio na terceira fase, porém, após abrir 2 a 0 diante do Paraná na Vila Capanema, tomou uma virada inacreditável com três gols nos acréscimos, perdendo a vaga e também R$ 1,5 milhão.

Com a paralisação de todos os campeonatos devido a pandemia do Coronavírus, ainda não sabemos quando serão disputados os jogos da terceira fase da Copa do Brasil, mas aproveitamos para trazer de volta um texto publicado aqui no site, do nosso amigo José Antônio, colaborador do Futebol Bahiano, sobre a Copa do Brasil. Veja abaixo:

A Copa do Brasil, considerada atualmente como “a galinha dos ovos de ouro do futebol brasileiro”, não só por se tratar da competição mais valio$a e intere$$ante da temporada, como, também, pelo seu viés democrático, por ter força e poder de colocar na mesma disputa grandes, médios e medíocres clubes de diversas cidades situadas em todas regiões do país, as quais, não são obrigadas a possuir grandes estádios, para que tenham seus representantes. Os critérios utilizados pela CBF na escolha dos 91 clubes participantes são os seguintes: 1) Os 8 clubes da Conmebol que disputam a Copa Libertadores da América. Todos entram nas oitavas de final. 2) O Campeão da Copa Verde (Cuiabá), o Campeão da Copa Nordeste (Fortaleza) e o Campeão da Série B que foi o RB Bragantino. Todos estes começando à disputa já nas oitavas de final. 3) Os 10 melhores clubes do Ranking Nacional de Clubes-RCN, excetuando os que já figuram na disputa da Libertadores. 4) Os 70 clubes restantes são definidos através de critérios técnicos dos campeonatos regionais das 27 federações estaduais, obedecendo à quota de clubes que cada entidade tem direito.

A Copa do Brasil quando era disputada em outro formato – desde a primeira fase, era realizado o jogo de ida e o de volta -, já apresentava muitas surpresas, decepções e frustrações. Após à implantação desse novo formato em vigor, quando a primeira e a segunda fase da competição são decididas em uma única partida, e é aí que, hipoteticamente, entra em ação a velha história bíblica do confronto Davi x Golias: o critério para os jogos da primeira rodada, consiste no fator do time de pequeno porte ou inexpressivo (Davi) enfrentar, em seus domínios, um time de médio ou de grande porte (Golias), com “Davi” tendo que vencer para passar de fase, mas, se perder ou empatar o jogo, será sumariamente eliminado por “Golias” que seguirá na competição. E não é que logo na primeira fase, “Davi” conseguiu eliminar, sumariamente, três poderosos “Golias’, causando logo os três primeiros vexames e frustrações da competição?

O River do Piauí, Série D, meteu 1×0 no Bahia, Série A; o Manaus, Série C, enfiou 1×0 no Coritiba, Série A, enquanto que o Brusque/SC, Série C , venceu por 2×1 o Sport, Série A, eliminando-o bruscamente, da competição. Fora desse contexto, lamentamos, também, a eliminação do Atlético de Alagoinhas que perdeu em seus domínios de 1×0 para o Botafogo/PB, um resultado que já era previsível, até porque, o “Carcará” até então, além de ser um neófito na competição, tem um time muito inferior ao time paraibano e, o resultado deixou transparecer que no dia do jogo, a zebra estava ausente do Carneirão e nada pôde fazer a favor do time da terra da laranja, ou melhor, da terra da cerveja.

Na segunda fase, quem imaginava que os vexames e frustrações já tinham ficado para trás, se enganou, porque, o confronto “Davi x Golias” voltou à entrar em cena e provocou estragos técnicos e prejuízos financeiros ao Atlético Mineiro e frustração à sua imensa e fanática torcida, quando o modesto Afogados da Ingazeira que estava submerso nas águas do Rio Pajeú em pleno sertão de Pernambuco, emergiu e resolveu afogar na crise, o Galo Mineiro, empatando de 1×1 no tempo regulamentar e vencendo na disputa de pênaltis, passando para 3ª Fase e se habilitando à embolsar a maior quantia de sua história, uma quota de premiação no valor de hum milhão e meio de reais, quantia que, se formos levar em consideração, um clube que tem uma folha de pagamento em torno de cem mil reais/mês, é mais do que o suficiente para quitar salários durante um ano, sem contar com às duas quotas recebidas anteriormente.

Por outro lado, o nosso simpático Bahia de Feira, jogando diante do Paraná – que é, indiscutivelmente, um time superior, por ser “cadeira cativa na Série B e que já disputou Série A -, após está vencendo o time paranista, em pleno estádio Durival de Britto, pelo placar 2×0 até aos 46 minutos do segundo tempo, o velho “Tremendão” resolveu dar sorte ao azar, deu uma tremedeira em campo e, em escassos sete minutos, entregou à “rapadura” permitindo à virada do adversário para 3×2 impedindo que a CBF fizesse na sua conta, a polpuda TED de hum milhão e meio de reais valor que, vamos combinar, abasteceria os cofres do “Tremendão” por muito tempo. Agora, com o início da 3ª fase, inclusive, com o Vitória sendo o único representante baiano na parada, com jogos de ida e de volta, só nos resta aguardar às cenas dos próximos capítulos. Vale lembrar que não existe mais o critério do gol qualificado, ou seja, se o Vitória vencer pela diferença de um gol (considerando qualquer placar), decide nos pênaltis.

Como já falei tanto de Copa do Brasil, seria uma injustiça omitir o nome do seu idealizador e criador. Trata-se do eminente e saudoso baiano, Antônio Pithon, arquiteto por formação e desportista por vocação. Torcedor e presidente do Esporte Clube Bahia (em 1996-1997) competente e dedicado gestor, exerceu cargos relevantes na esfera do futebol baiano e brasileiro. Antes de presidir o clube, foi seu diretor de patrimônio, ocasião em que projetou e viabilizou à construção do Fazendão; nos anos oitenta foi presidente da Federação Bahiana de Futebol-FBF e após cumprir seu mandato, foi convidado pela Confederação Brasileira de futebol (CBF) para ocupar uma de suas diretorias, quando lhe veio à ideia de criar em 1989, essa importante e rentável competição, com
maior relevância para os pequenos clubes brasileiros como é o caso do Afogados da Ingazeira Futebol Clube e similares.

Portanto, uma competição que já emplacou à sua 32ª edição, completamente consolidada e que no decorrer dessas três décadas, tem cumprido com o desígnio do seu criador que no dia do seu lançamento, declarou que seria a mais democrática do Brasil. E é!

José Antônio Reis, torcedor do Bahia e colaborador do Futebol Bahiano.

 

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