Dirigente do Bahia endossa campanha “anti-mistos”, mas faz alerta

"é preciso cuidado na forma de abordar o tema", disse

Na última quarta-feira, o Fortaleza trouxe à tona com maior força um assunto bastante debatido, ao realizar um Mosaico no jogo contra o Flamengo em LED, além de erguer uma imagem do Cristo Redentor em 3D com chapéu de cangaceiro, que subiu com a camisa rubro-negra e depois foi substituída pela camisa do clube cearense, com a frase “Temos time para torcer”, fazendo uma crítica aos nordestinos não torcem para os clubes da região, em especial os flamenguistas que detém uma grande quantidade de torcedores da região nordeste, como foi visto na Arena Castelão com quase 15 mil rubro-negros.

 

Após a grande repercussão, o diretor executivo do Bahia, Pedro Henriques, se manifestou endossando o discurso da campanha “anti-mistos”. Através do Twitter, o dirigente frisou que é necessário que essas equipes recuperem o espaço regional, após a ‘colonização esportiva’. Henrique relembra, inclusive, a polêmica ocorrida no jogo Bahia x Flamengo, quando a equipe tricolor publicou que “nordestino retado torce pra time do seu estado”, porém, alertou que é preciso ter cuidado ao abordar o tema, “poque q o limiar entre se afirmar e ofender pode ser tênue”. VEJA ABAIXO:

“Vivemos um período em que grupos minoritários conquistam espaço com pautas afirmativas. O Bahia, inclusive, vem se posicionando firmemente nesse sentido o que tem lhe rendido elogios da grande mídia.

O mesmo não acontece, contudo, quando times nordestinos se posicionam, de modo afirmativo, em favor daqueles que torcem para os clubes de sua região. São chamados até de preconceituosos e xenofóbicos (?!).

Para avaliar adequadamente a pauta “anti-mistos” e a afirmação “nordestino retado torce pra time do seu estado” é preciso conhecer e RECONHECER a história. Os nordestinos, especialmente do interior, não tinham acesso aos jogos dos clubes da região até a última década do século XX.

As TVs e, especialmente, as rádios, chegavam ao interior dos estados nordestinos com conteúdo esportivo voltado para os times de RJ e SP. Culturalmente, o que houve foi uma “colonização” esportiva.

Alguns clubes do Nordeste conseguiram se estruturar e buscam não apenas se consolidar na elite, mas também fazer campanhas competitivas. É natural, então, que busquem ampliar seus mercados. Converter torcedores é difícil, mas formar uma nova cultura a médio e longo prazo é algo palpável.

Assim, a campanha AFIRMATIVA para que torcedores nordestinos abracem times da região é um ato de resistência cultural e viés mercadológico. Quem quiser criticar que fundamente seu ponto de vista e não parta para afirmações rasas com palavras “fortes”.

Dentre contrapontos pertinentes, concordo que é preciso cuidado na forma de abordar o tema, poque q o limiar entre se afirmar e ofender pode ser tênue. Mas reitero: ninguém quer mudar a torcida do outro, mas sim buscar maior penetração regional.”

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