Ivã de Almeida renuncia à presidência do Vitória. Veja a carta!

O presidente afastado desde julho preferiu antecipar sua saída.

Licenciado do cargo desde julho, o presidente Ivã de Almeida através de uma carta renunciou neste domingo ao cargo de presidente do Esporte Clube Vitória. Não se tratou de uma surpresa, afinal, já havia a expectativa pela renuncia do dirigente, mas somente após o término da Série A. No entanto, parece que o mandatário afastado preferiu se antecipar, como desejava a torcida. Em Assembleia Geral Extraordinária, no sábado, os sócios do Leão já haviam aprovado por unanimidade a abertura do processo de destituição do dirigente.

Confira a carta na íntegra:

“Ilmº Sr. Paulo Catharino Gordilho filho, Presidente do Conselho Deliberativo do Esporte Clube Vitória.

Senhor presidente, você sabe da minha relação de amor pelo nosso clube. Sabe que sempre colaborei e estarei sempre me colocando à disposição para que o Esporte Clube Vitória continue crescendo.
Estamos passando por um momento emblemático e às vezes estressante, dentro de uma ordem que nosso clube não merece.

Muitos gostariam de estar na Presidência do Conselho Diretor do Esporte Clube Vitória, é uma honra e orgulho incomensurável. Apesar de parecer que estamos vivendo momentos de guerra, prefiro achar que se trata de colaboradores incansáveis em busca do melhor para nossa Agremiação.

Quando encaminhei minha licença de 90 dias, que foi renovada por mais 90 dias, tinha a convicção de que estava fazendo o melhor para o Vitória, em virtude de que deveria deixar o Conselho Deliberativo com liberdade para fazer o que fosse necessário para apurar acusações que, por mais vazia que fossem, mereciam e merecem consideração e esclarecimentos.

Sinto-me agora, ainda mais confortável, pois, além da minha consciência tranquila, corrobora o resultado da investigação patrocinado pela competente Comissão Processante, instaurada por V.Sª, que chegou a conclusão de que não havia gestão temerária e irregular, dando, inclusive, o D. Parecer pela não convocação da daquela Assembleia Geral Extraordinária, que, composta de apenas 260 pessoas, num universo de mais de 2000 aptas a votarem, entenderam pela abertura do processo de destituição do cargo de Presidente do Diretor do Esporte Clube Vitoria.

Muito bem, se já havia uma orquestração de complicar uma gestão desde o primeiro dia, cabe a cada um da gente fazer o julgamento e buscar meios de como possa ajudar o clube.

Pessoas de dentro ou fora dos Conselhos potencializavam de forma negativa qualquer atitude administrativa do clube. Quando não se tinha notícias ruins, inventavam. Desde o início da gestão comprovamos vazamentos de informações, inclusive do Presidente do Conselho Fiscal e da Gerente da Caixa Econômica. Já confirmados.

Senhor Presidente, ninguém consegue identificar gestão temerária e/ou irregular na minha gestão, enquanto a frente do Conselho Diretor. Pessoas, sem o menor critério técnico ou legal, têm apontado dia após dia falácias e conjecturas fantasiosas, oriundo de um conjunto de mentes criativas, porém, sem o menor contesto lógico nem tão pouco probatório, o que dispensa mais comentários.

Eu sou um otimista, entendo que podemos estar vivendo um momento de turbulência, de ajustes na democracia e transparência, que conseguimos, a muito custo, implantar pela primeira vez na história do clube.
Quando assumi a presidência, encontrei jogadores das gestões anteriores com salários mais alto do que os que eu contratei. Não vejo isso como uma irregularidade, tampouco uma impropriedade. Entendo que em determinados momentos do futebol, realmente o clube precisa apostar alto, e se vai dar certo, o futuro dirá.

Todas as contratações feitas pelo diretor de futebol nos primeiros 20 dias de gestão receberam aplausos de todos, inclusive daqueles que assumiram o papel de oposição no processo eleitoral e de toda a imprensa esportiva. Na oportunidade fui o único a contestar e buscar ponderações, inclusive colocando ativamente o Diretor de Planejamento e o Diretor Financeiro acompanhando todas as transações para o devido controle orçamentário.

Defendemos e aprovamos um novo Estatuto que permite pela primeira vez a eleição do Presidente do Conselho Diretor pelo voto direto.

Senhor presidente, é de conhecimento notório entre os conselheiros, o que ocorre atualmente no clube, por isso, eu sei que não há absolutamente nada que desabone a minha conduta como gestor. Na minha gestão não se pode perceber nenhuma irregularidade absoluta no trato econômico financeiro do clube.

Fala-se em encerrar o ano de 2017, com 8 milhões a mais do orçamento a titulo de déficit, porém não falam que pela primeira vez o clube tem dinheiro para pagar as suas despesas, sem recorrer a agiotas, bancos e redes de televisão. No ano passado o valor que superou o orçamento foi de mais de 32 milhões e veja que houve um avanço brutal comparada aos anteriores, sem haver pedido de complementação.

A inverdade dos 40 milhões em caixa quando eu assumi, tem atravessado fronteiras, só não sei até quando, até porque, outros gestores chegarão, e os livros não mentes. Porém não falam do passivo oculto. A exemplo de alguém lhe dar 1 milhão de reais e em seguida lhe dar uma lista de coisas para pagar que supera este valor. Certamente vão ficar sempre espalhando que lhe deu 1milhão, porém não vai sobrar nada deste dinheiro. É um “jogo de cena”. Que fique muito claro para todos, que as contratações não incluíram os tais 40 milhões.

Nos anos anteriores o E.C.Vitória sempre precisou de “se virar” para cobrir dívidas, em virtude de não ter feito nenhuma receita com negociações de jogadores. No ano de 2015, o E.C.Vitória , precisou de mais de 30 milhões para pagar suas dívidas até o final do ano e no ano de 2016 a história se repetiu, ou seja; voltou a precisar de dinheiro para fechar suas contas e sempre quem “acudiu” foi a turma da rede de televisão, por isso nestes anos anteriores tivemos que “ficar de costas para eles”.

Neste ano de 2017, foi a primeira vez que não precisamos de nenhum empréstimo tipo o que o ex-presidente tomou de forma irregular, sem registro no Clube, no caso “Edinho Nazareth”, em gestão nos idos 2003, tampouco recorrer, como no ano passado, na condição de “pobre coitado” com o pessoal da rede de televisão com o pires na mão.
O Vitória nesta gestão vai fechar o ano sem precisar fazer transações alopradas, ou seja, tem dinheiro em caixa. Repetindo: não se trata da mentira dos “tais” 40 milhões que andam repetindo e os torcedores nas redes sociais querendo saber onde gastamos.

“Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade“, essa frase é de Joseph Goebbels, que foi ministro da Propaganda de Adolf Hitler na Alemanha Nazista, exercendo severo controle sobre as instituições educacionais e os meios de comunicação. Esse é o movimento tático que vem sendo usado por meus opositores com o único objetivo de criar uma sensação de tensão e cãos no Esporte Clube Vitoria. É o que aconteceu! Repetiram tanto que as pessoas entendem como verdade absoluta a tal gestão temerária e irregular.

As informações verdadeiras não circulam. E quando saem dos muros do clube, sempre são manipuladas de forma vil e covarde com nenhum outro intuito, senão o de enfraquecer a administração do clube.

Sinto-me um vitorioso. Em minha gestão, conquistamos o campeonato Baiano de futebol masculino de maneira invicta pela primeira vez no clube em mais 100 anos de sua existência, conquistamos o campeonato de futebol feminino pela primeira vez na história do clube, chegamos na 4ª fase da copa do Brasil pela segunda vez na história do clube e na semifinal da Copa do Nordeste, com apenas duas derrotas durante toda competição… sem dúvida planejamos ir mais longe nestas competições, porém o Futebol não é matemática. A divisão de base conquistou 90% das competições em que esteve participando, o time de Basketball em parceria com a Universo atingiu a marca invejável de terceiro lugar nacionalmente e ganhou a condição de disputar uma competição internacional. Pela primeira vez, no meio do ano de 2017, atingimos a marca de maior aproveitamento de todos os clubes brasileiros – esta marca o vitória nunca havia atingido.

Em transações de atletas tivemos a maior entrada de capital no clube envolvendo profissionais que não eram titulares, exceto “Marinho”, que neste caso foi minha imposição de que quem quisesse levá-lo, seria mediante o pagamento total da multa e foi o que aconteceu.

O Esporte Clube Vitória de futebol masculino atingiu quase 40 jogos perdendo apenas uma partida.
Pois bem, presidente, mesmo com estes números, nunca o Departamento de Futebol teve a tranquilidade necessária para trabalhar. Imagine se tivéssemos tido paz! Por isso quando tirei a licença eu ergui a bandeira da paz e do silêncio para que o Vice-Presidente que assumiu a Presidência, coordenasse, também, a tranquilidade no seio do elenco de futebol no Campeonato Brasileiro.

O futebol é um esporte traiçoeiro porque o resultado nem sempre vem pelo melhor time, tampouco pela camisa. O futebol requer além da qualidade técnica e física, a saúde psicológica de toda a equipe. Acredito que neste último ponto nosso elenco não conseguiu se sair bem. Como podemos admitir ganhar grandes equipes, todas 10 que estavam ranqueadas na tabela de classificação, em seus domínios, no campeonato deste anoe fracassar em nosso santuário contra equipes ranqueadas na parte de baixo da tabela de classificação? Infelizmente a cabeça do atleta nem sempre suporta a pressão que vem das arquibancadas ou das redes sociais administradas pela oposição.
Desde o inicio da minha licença falei para meu nobre Agenor Gordilho, Vice Presidente do Esporte Clube Vitória, que o elenco estava apavorado com os ataques da oposição, exatamente no ponto aonde a cura é difícil e invisível, na sua psique.

Não existe gestão temerária, Presidente, o que existe é uma disputa acirrada, desleal e fora de hora e de controle, do grupo de oposição.

Senhor Presidente, pensei em renunciar quando soube que o Conselho Deliberativo apesar de abraçar o parecer conclusivo da comissão processante apontou para a convocação de uma Assembleia Geral para julgar-me. Estava diante de um fato pitoresco, porque nada havia de irregular tampouco gestão temerária. Grupos pontuais, denominados de oposição, desde o início do ano se acotovelavam para ver quem batia mais em mim e em minha administração. Agora diante disto ficou claro que se tratava de uma coisa mais engenhosa, misteriosa, cruel e aglutinante.

Renunciar e deixar a luz andar…

Porém algo me chamou a atenção… A acusação… A mesma… Como a mesma?!

Em seguida vieram rumores de que iriam me destruir num “tiroteio de acusações”! Disseram que haviam grupos organizados e com um “caminhão de denúncias”! – foi aí, Presidente, que eu decidi naquele momento não renunciar. Assisti um grupo de “Paladinos da Justiça” ameaçando detonar tudo. Tomei-me imediatamente pela curiosidade antagônica, pois apesar da consciência tranquila, precisava saber quais inverdades ainda poderiam emergi do lamaçal onde se encontravam.

Presidente, eu tenho a consciência tranquila de que não há gestão temerária tampouco irregular. Qualquer comissão pode fazer a inspeção que quiser e pelo tempo que for, não vão achar absolutamente nada que me desabone ou manche minha historia de retidão, honestidade e zelo pelo Esporte Clube Vitoria.

Caso minha renúncia chegasse antes da tão comentada Assembleia Geral Extraordinária, automaticamente diriam que eu estava com medo das acusações que ali poderia ser proferidas. Profanaram “a boca pequena” que iriam me arrebentar! Que iriam me desmoralizar! Paguei para ver. O que me deixou ainda mais perplexo, tais foram as acusações articuladas totalmente desprovidas de provas na ultima Assembleia Geral Extraordinária:
1. Antecipação de salário do presidente.
2. Gasto superior ao orçado, porém com dinheiro em caixa.
3. Que eu não atendi as recomendações do Conselho Fiscal.

Sinceramente, eu estava tranquilo e apenas aguardando se alguém criaria mais uma inverdade, porém um pouco mais bem elaborada, visto que, todas as outras não passaram de rasas fantasias facilmente desmentida com uma simples auditoria feita por uma, entre tantas empresas sérias existentes no mercado e um julgamento justo, feita pelo departamento competente, coisa que sabíamos seria impossível, diante do quadro politico periférico que se instalou nos anais do Esporte Clube Vitoria.

Desta forma, me apresentei na mencionada Assembleia Geral, instalada no último dia 25 do mês e ano corrente, por intermédio do meu advogado, munido de procuração para tal fim especifico Dr. Dênis Leão. Naquela oportunidade, o momento especifico, não era de apresentar qualquer espécie de defesa, mais sim para tomar as medidas necessárias contra injúrias, ofensas e danos morais a mim apontados, e, de conta pelas razões da não abertura de processo de investigação a respeito de alegações que justificariam a minha destituição do cargo de Presidente do Conselho Diretor do Esporte Clube Vitoria, até porque, os argumentados para a abertura do processo foram feitas de forma dura e imparcial.

Porém, se a Assembleia Geral tivesse conhecimento, ao menos o conteúdo do Parecer emitido pela comissão Processante, certamente a decisão seria outra. A de não abertura do processo de cassação, apesar de que, tal fato não mudaria a minha já tomada decisão de renuncia.

Espero e desejo que nosso Clube continue crescendo. Vitória, é maior que todos nós, e vem se construindo ao longo do tempo. É conversa fiada este negócio de dizer: agora vamos profissionalizar. Vamos trazer profissional de mercado… Tudo isto é para criar frases de efeito. Em qualquer profissão tem sempre os melhores e mais bem preparados, porém no mundo do futebol. A gestão administrativa e financeira é a mais fácil, quando se tem profissionais qualificados. A gestão específica do futebol é cheia de curvas, onde impera na maioria das vezes o desvio de personalidade de alguns atores e a falta de ética envolvendo muita coisa obscura do mundo do futebol. Tenho esperanças que se aprofunde o senso democrático para acabar com as dinastias no futebol em geral. O passar dos tempos, não só melhorou a humanidade com sua evolução, mas, principalmente as instituições que estão cada vez mais aprimoradas na busca da tão sonhada legalidade e honestidade, fato em que, nunca na historia do Brasil, se apurou e julgou tantos negócios obscuros com a condenação e prisão de tanta gente.

Caso agora ocorra uma destituição, quem for eleito, não terá tranquilidade para trabalhar porque estará ilegítimo no cargo. É certo que não recorrerei da Decisão, porém, qualquer torcedor que se sentir prejudicado poderá fazê-lo, buscando a reparação da democracia no clube.

Qualquer candidato derrotado ou representante que perder as eleições certamente arguirá a ilegitimidade da minha destituição. Não existe, se quer uma pessoa que consiga enxergar irregularidade no que foi apontado, no máximo, um afobamento do Diretor de Futebol, no início da gestão para contratar, porém, com certeza, sempre pensando no melhor para o clube, o que não se configura como irregularidade.

E mais, se no meio do ano o orçamento estava 2 ou 3 milhões a mais do orçado, dados aproximados, em virtude do não acesso aos documentos necessários para uma exata indicação, também não se configura irregularidade, pois, eu ainda tinha mais 5 meses para promover as devidas correções. Definitivamente não se trata de irregularidade, tampouco má gestão. O exercício do ano termina em 31 de dezembro e não no meado de julho.

A espera da Assembleia Geral para tomar uma decisão deve-se ao fato de estar interessado em saber qual a “bomba que iria me destruir”. Comentei, inclusive, com V.Sa. Presidente, que gostaria de ser julgado, diante das ameaças de denúncias que chegaram ao seu domínio. Mesmo sabendo da possibilidade mais que remota de tal julgamento ser realmente justo, sinto-me extremamente confortável após conhecer o teor da denúncia e por ter a convicção de que a sua essência não representa gestão temerária e tampouco irregular.

Estamos preocupados para se estabelecer a normalidade no nosso clube e a Comissão Processante criada, que se caminhar na direção do “arrepio da lei”, poderá trazer sérias consequências nas futuras gestões.
Pelo exposto, Senhor Presidente do Conselho Deliberativo do Esporte Clube Vitória Sr. Paulo Catharino Gordilho Filho, solicito o aceite da minha renúncia em caráter irrevogável do cargo de Presidente do Conselho Diretor do Esporte Clube Vitória.

Desejo que este ato signifique abrir um caminho para o engrandecimento e paz dentro do Esporte Clube Vitória, evitando que alguém num futuro próximo venha a se aproveitar da situação pouco confortável da Assembleia Geral, no caso da ocorrência de uma destituição, e, venha questionar judicialmente a legalidade da eleição do próximo presidente.

Atenciosamente
Ivã de Almeida
Presidente licenciado do conselho diretor do Esporte Clube Vitória”.

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