Duda Sampaio: Estarrecimento

Amigos, pior do que a desclassificação tricolor foi o que eu ouvi ontem à noite em uma rádio de Salvador – tive que ouvir por absoluta falta de opção: um determinado setorista se lançou candidato à Presidência do Bahia (eu sabia que havia interesses embutidos na projeção dele, eu falei) e se utilizando de MINHAS IDÉIAS, amplamente divulgadas pela imprensa há dois anos: entrar no Fazendão e demitir do porteiro ao presidente é o princípio básico de qualquer planejamento efetivo, mas ele não poderia se apropriar da idéia sem dar a referência, e agora, em uso abusivo do microfone, e contando com o apoio de sua equipe parte em busca do seu sonho maior. Alguém em sã consciência acredita que ele tem cacife pra tanto?

E tem mais: esta mesma imprensa que passou o ano todo vendo o Bahia se desminlinguindo e compactuando com as vitórias magras sob a alegação de “ganhar é o que importa” agora sobe nas tamancas e pede a renúncia de Arturzinho… Quando ele chegou ao Fazendão, lá em janeiro eu falei: Arturzinho não tem cara de Bahia, mas ficaram enchendo lingüiça, dizendo “deixem o homem trabalhar”, “deixem ele mostrar seu padrão”. Resultado: conseguiu bons resultados – veja no ATEC de hoje – mas fraquejou no final, repetindo a história do ano passado, quando o Bahia sobe e se estabiliza antes do prazo, e começa a descer na hora em que tem que estar por cima. Querem ver? O melhor exemplo que se pode dar é a Copa do Mundo: é um evento curto, que dura um mês apenas, mas que raramente premia aquela equipe que chega à competição como franca favoritas, aquela que vinha ganhando tudo, podem analisar:

1950 – Brasil favorito, campeão Uruguai;
1954 – Hungria absoluta, Alemanha campeã;
1958 – França favorita, Brasil na cabeça;
1962 – exceção, pq havia grandes times no cenário mundial, principalmente a Tchecoslováquia; Brasil campeão, graças à malandragem de Nilton Santos e à estrela de Amarildo
1966 – Portugal favoritíssimo, Inglaterra campeã;
1970 – Itália favorita, Brasil campeão – saiu daqui totalmente desacreditado;
1974 – Holanda era pule de ouro; Alemanha campeã1978 – copa comprada não vale;
1982 – Brasil de novo; deu Itália, que empatou os três jogos da primeira fase com Camarões, Peru e Polônia;
1986 – sem favoritos, deu Argentina, que chegou sem brilho e estourou depois do gol de Maradona, “lá mano de Dios”;
1990 – Copa na Itália, excelente squadra azurra, deu Alemanha, com gol de pênalti inventado;
1994 – sem favoritos, deu Brasil;
1998 – Brasil, deu França na Copa comprada pela Nike;
2002 – exceção, fortes times, armaram a final Brasil e Alemanha para compensar 19982006 – Alemanha favorita, deu Itália.

Viram! O ponto é que um time precisa chegar à competição morno e ir aos poucos tomando vulto. Vejam o Foguinho este ano, tava lá em cima e agora perde até jogo de palitinho. O Bahia deveria ter priorizado, no ano passado, à volta à Série B, como fez o Vitória, e deixado de lado o Estadual, mas a política de resultados do jogo seguinte continua incutida no cerne tricolor, nos dirigentes anacrônicos e desatualizados; deveria ter mantido a base da Copinha e ter treinado um time para sair da série Calabouço; assim, perdeu a chance de não necessitar do campeonato baiano pra nada, mas agora precisa pelo menos chegar em terceiro, de novo, já que o Vitória, se não subir pelo menos não desce.

Há anos (por favor, não se utilizem de meus conceitos para fazer farol) eu falo: o Bahia precisa chegar pra sua torcida e apresentar um projeto a médio e longo prazos, deixar de lado a soberba e partir para uma coisa maior. O Grêmio em um ano estava na série B, no outro foi vice da Libertadores – isso se chama PLANEJAMENTO.Aqui mesmo no Fórum um confrade mostrou como o São Paulo passou quase duas décadas sem ver cor de nada e virou tri mundial, quase pentabrasileiro – isso se chama PLANEJAMENTO.

O Real Madrid vivia no limbo do futebol mundial há até bem pouco tempo atrás, mas construiu uma baita estrutura, angariou sócios no mundo todo, reformou estádio – isso se chama PLANEJAMENTO.

O Victoria passou a década de 70 inteira levando ferro do Bahia, mas se preocupou em construir estádio, em vender a marca, crédito pleno para Paulo Carneiro, que gostem ou não, foi a maior expressão do futebol baiano dos últimos 20 anos – isso se chama PLANEJAMENTO.

Planejar não é perder, planejar é abrir mão do agora fútil em nome do depois sólido; planejar é projetar o que se pode ter de concreto de amanhã em diante, e não o que se tem agora que voa em qualquer vento, castelo de areia na maré enchente; planejar é vislumbrar o que está depois da curva; planejar é traçar metas a serem cumpridas – e cumpri-las! Planejar é olhar com olhos de empresário, e não com o chicote do coronel.Senhores, tenho um projeto fantástico para o Bahia, que graças a um negócio chamado computador – que grava a data em que ele foi escrito, e se for mudada pode ser verificado – já está escrito e redigido há pelo menos um ano e meio. Nele, tudo isso que eu disse aqui já estava dito; nele, eu não faço mágica nem traço planos mirabolantes, muito menos solto no ar que existe “uma grande empresa interessada”, ou que “estou em conversações com algumas empresas”, e todas essas falácias que pipocam na mídia. O Bahia não precisa de ninguém além de sua torcida e de HOMENS capazes de se dedicar ao projeto com a certeza de que o resultado virá. Disponível aos interessados.

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