PARA SUBIR, BAHIA TERÁ QUE SUPERAR GRANDES DESAFIOS NA SÉRIE B

O Brasileirão do ano passado foi um campeonato muito atípico e competitivo

Se para o torcedor do Esporte Clube Bahia o primeiro trimestre desse ano é para ser esquecido, imagino que para o staff do Clube, os vexames que foram registrados no Campeonato Baiano e na Copa do Nordeste podem e devem servir de lição e/ou aprendizado para disputar a Série B que se inicia na sexta-feira e, por conta do equilíbrio de forças entre os clubes que sofrerão maior pressão de suas respectivas torcidas para finalizar a competição integrando o G-4, seguramente, tem todos os ingredientes para se tornar a mais difícil edição desde que foi instituída a forma ou a fórmula de disputa por pontos corridos.

 

O Brasileirão do ano passado foi um campeonato muito atípico e competitivo com muitas surpresas e novidades, tanto no top 10 da tabela de classificação onde marcaram presença Fortaleza (G-4), América e Atlético/GO, clubes que jamais ocuparam importantes posições na competição como, também, na segunda página da classificação onde o Ceará ocupou o 11⁰ lugar, enquanto o Cuiabá e o Juventude que antes da bola rolar eram considerados os “patinhos feios” da competição, se livraram do rebaixamento, deixando a “bucha de sena” com o Grêmio que caiu por um acidente de percurso e para o Bahia que em 2018 começou a implementar seu projeto de descenso, jogando como mero coadjuvante nas últimas quatro edições da competição, sempre objetivando sua permanência na elite do futebol brasileiro, deu sorte ao azar em 2021 e acabou sendo rebaixado à Série B.

Assisti muitos jogos da Série A no ano passado e, praticamente, todos os jogos do Bahia e, era visível e sintomática a malemolência e a inércia como o time jogava dentro de campo, não importando se fosse mandante ou visitante, o fato é que se tratava de um time sem tesão ou sem vontade de vencer um jogo como, também, a facilidade de “entregar a rapadura” ao adversário quando vencia, parcialmente, um jogo, como acontecera com o Bragantino em Bragança Paulista quando saiu na frente do placar com 2×0 e permitiu virar para 3×2 e com muita dificuldade, ainda conseguiu o empate; já no jogo contra o Atlético-MG, o time abriu vantagem de 2×0 no placar, três pontos parciais que seriam indispensáveis no final para fuga do rebaixamento, novamente, entrega a “rapadura”, toma a virada e proporciona a conquista antecipada do título do Galo e, mesmo com o Bahia só dependendo de um triunfo na última rodada, abriu o placar contra o Fortaleza, mais uma vez, levou a virada, proporcionou a vaga direta do time cearense à Libertadores e se encaminhou ao rebaixamento.

Enquanto os demais times citados acima, mesmo os de suposto menor poderio técnico ou financeiro, como o Cuiabá que foi estreante na Série A e o Juventude que estava, há quase 15 anos ausente do Brasileirão e com a agravante de ter perdido, ainda na 12ª rodada o atacante Matheus Peixoto, o então artilheiro da competição que foi negociado para o exterior, Atlético/GO e América que tinham parcos orçamentos, quem assistiu esses times jogando, percebia a aplicação, o empenho, a empatia, a raça e a luta dos seus jogadores para vencer os jogos e no final, foram premiados com boas colocações ou se livrando do rebaixamento, enquanto o Bahia, com um orçamento de quase 200 milhões de reais, não se impôs, sempre jogando aquele futebol burocrático e bisonho, que só proporcionava tédio, raiva e até morte ao seu torcedor, como aconteceu após a derrota para o Atlético Mineiro, quando o coração de um sexagenário não resistiu e o levou a óbito.

Estamos na semana crucial do Bahia na temporada, que nesse sábado inicia a Série B enfrentando o Cruzeiro, dando o pontapé inicial a árdua e longa maratona rumo à Série A. Nesse momento, não adianta ou não fará mais nenhum sentido a gente ficar aqui chorando ou lamentando pelo “leite derramado”, ou seja, pela caruara que acometeu o time, tanto no campeonato Baiano que, mais uma vez, o título fica com um clube do interior, como na Copa do Nordeste, onde o time foi incapaz de chegar às quartas de finais.

No meu entendimento, o time já vem fragilizado há alguns anos porque seus próprios dirigentes conseguiram apequenar o então Esquadrão de Aço, que sempre foi hegemônico no Nordeste, mas, infelizmente, seus gestores o transformou em um time frouxo, burocrático, sem competitividade e com jogadores, na sua maioria, sem nenhum comprometimento para com o clube, sem ambição por bons resultados, enfim, um time que tanto faz perder, empatar ou não conseguir êxito em uma competição, o torcedor tem que suportar essa terrível passividade e tolerância que, infelizmente, passou à fazer parte da rotina do time.

Para mudar esse perfil de time perdedor e acomodado com resultados ruins, seria indispensável e imperativo um choque de gestão para que o clube passasse por mudanças radicais, não só na presidência, mas, também, em todos os seus setores envolvidos com o futebol para que só jogasse no time jogador comprometido com o sucesso do clube e comandados por dirigentes e comissão técnica que incutissem a esses jogadores que um time de futebol tem que ser vencedor, não só para manter à sua grandeza, mas, também, porque o torcedor se alimenta de boas exibições, importantes classificações e relevantes títulos, situações advindas dos bons resultados dentro de campo e o Bahia, para obter o tão desejado acesso, terá que superar todos os malefícios e desafios que aqui foram elencados.

Quando o Bahia esteve na bica para cair no Brasileirão de 2020, se salvando na penúltima rodada ao golear o Fortaleza no Castelão e consolidando à permanência na Série A ao vencer o Atlético-MG na Fonte Nova, o então recém-reeleito presidente Bellintani assumiu à mea-culpa pelo ocorrido afirmando que aprendeu com os erros e a partir daquele momento faria profundas reformas no departamento de futebol e fez, entretanto, a emenda saiu pior que o soneto e no ano subsequente, veio o rebaixamento.

Assim sendo, o próprio presidente do Bahia já deve estar consciente que já estourou toda sua cota de erros que tinha para cometer no futebol do clube e, como falta menos de dois anos para findar o seu mandato, ele tem que fazer com que esse time com reforços ou sem reforços, com técnica ou com garra se vire nos trinta e oito jogos dessa difícil Série B, consiga o acesso à Série A, para que em 2023 com SAF ou sem SAF, se safe dessa ordinária gestão, recolocando o clube na Divisão que sempre mereceu estar que é a primeira, até porque, foi lá que o encontrou quando iniciou sua gestão e é lá que terá que entregar ao seu sucessor no final do seu mandato.

José Antônio Reis, torcedor do Bahia e colaborador do Futebol Bahiano.

 

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