Bahia e Vitória no Baiano: Viva o Ridículo e Loas à Mediocridade!

"Infelizmente, o Futebol da Bahia tem acertado mais na ferradura do que no cravo e nos últimos anos"

Comecei acompanhar o nosso Campeonato Baiano em 1966 quando o Leônico, o “Moleque Travesso”, de João Guimarães, sagrou-se campeão, numa época em que a competição era, praticamente, citadina integrando uns dez clubes da capital e, apenas, um clube do interior do estado que era o Fluminense de Feira de Santana e a “travessura” do então campeão, aconteceu na disputa de uma melhor de três diante do Vitória, quando o time grená perdeu uma, venceu duas e acabou conquistando o título.

 

A partir de então, excetuando Bahia e Vitória que sempre foram os dois maiores clubes da capital, dentre os demais clubes da cidade a exemplo de Botafogo, Galícia, Ypiranga e outros de menor porte, só o Galícia conseguiu tal façanha ao levantar o título em 1968 e a partir daí, mesmo com a diminuição do número de clubes da capital que acabou se resumindo à dupla BAVI e o crescimento do número de clubes participantes do interior, tivemos o Fluminense como campeão baiano de 1969, o Colo-Colo de Ilhéus em 2006, o Bahia de Feira em 2010 e o Atlético de Alagoinhas em 2021. Nos demais anos do período, os títulos foram conquistados pela dupla BAVI, com destaque para o Bahia que ergueu o “caneco” dezenas de vezes.

Desde que foi criado o então Torneio Norte-Nordeste, o antigo Nordestão, atual Copa do Nordeste, que o Campeonato  Baiano começou a sofrer desgastes e até ameaças de extinção, mas, apesar das dificuldades, vem sobrevivendo aos trancos e barrancos, com jogos deficitários, estádios vazios e para piorar a situação, nos últimos anos, tanto o Bahia como o Vitória começaram à menosprezar a competição, sempre colocando-a em último plano, mas, como o feitiço sempre vira contra o feiticeiro, de tanto seus dirigentes esnobar, ridicularizar e esculhambar o “Baianinho”, o Vitória já vem há quatro anos sem passar da primeira fase do campeonato enquanto essa ridícula gestão do Bahia resolveu agora solidarizar-se com a mediocridade do rival que morreram juntos e abraçados e estão fora das semifinais da competição desse ano.

Pelo que falei no início, acompanho o Campeonato Baiano há quase sessenta anos, já vivi momentos de ilusões, frustrações, decepções, mas, mais que esses sofrimentos, muitas alegrias e grandes emoções como as que foram vividas na conquista do Heptacampeonato de 1979 com Fito Neves marcando um gol chutando a bola da intermediária e o então goleiro Gelson aceitando; o incrível gol de Raudinei aos 44 minutos do segundo tempo que deu o título de 1994 ao Bahia, enfim, muitos momentos marcantes.

Atualmente, com o constante enfraquecimento e desgaste do velho e outrora emocionante “Baianinho” que por razões óbvias vem acontecendo, não vou ter a cara de pau de dizer que ainda sou admirador ou fã da competição, entretanto, entendo que pela tradição, relevância e grandes investimentos que têm Bahia e Vitória sobrepujando os demais clubes, tem ou teriam obrigação de sempre disputar a final da competição, mas, apesar de se tratar da única competição que havia facilidade de um ou outro sagrar-se campeão no decorrer de uma temporada, deram as costas, começaram a desprestigiar colocando times alternativos, sub-23, segundo quadro e o diabo a quatro e agora estão colhendo a tempestade do vento que semearam.

Ademais, se os cartolas da dupla BAVI entendem que o Campeonato Baiano é um mero componente do calendário do futebol brasileiro que não agrega nada à dupla, pelo menos, serve de laboratório para jogadores desconhecidos que podem mostrar ou não, seu futebol como, também, garantir ao campeão uma vaga direta à Copa do Nordeste, definir vagas para Copa do Brasil e Série D, além de em um curto período de tempo, manter a atividade de clubes pequenos do interior do estado e ainda, serviu para excluir o Vitória da atual Copa do Nordeste que foi eliminado na Pré pelo Botafogo da Paraíba e acaba de não garantir ao rubro-negro vaga direta a edição competição de 2023.

Infelizmente, o Futebol da Bahia que que já fez história no cenário do futebol brasileiro com importantes títulos de âmbito nacional conquistados pelo Bahia e com dois vices de relevância nacional conquistados pelo Vitória, nesse Século XXI tem acertado mais na ferradura do que no cravo e nos últimos anos, os torcedores de Bahia e de vitória adotaram a filosofia do quanto pior, melhor, ou seja, o torcedor do Bahia vibra com os constantes insucessos do rival e vice-versa, como aconteceu ontem no Barradão, assim que foi confirmada a ausência do Bahia nas semifinais, assistimos na TVE torcedores do Vitória comemorando efusivamente, como se fosse um título conquistado, esquecendo que já estão há quatro anos seguidos sem ver seu time avançar à uma semifinal.

Para finalizar, só resta parabenizar os clubes que representam as cidades de Alagoinhas, Feira de Santana, Ilhéus e Riachão de Jacuípe, principalmente, o Barcelona de Ilhéus que obteve o acesso no ano passado e na condição de estreante do campeonato, já se credenciou à disputar as semifinais, mostrando aos dirigentes de Bahia e Vitória que, embora a soma dos orçamentos desses quatro clubes do interior (se é que tem orçamentos declarados), que avançaram às semifinais, talvez não atinjam um percentual de 15%, (20 milhões de reais) do total dos polpudos orçamentos de Bahia e Vitória que, segundo informações, a soma de ambos, gira em torno de, aproximadamente, 130 milhões de Reais, mas que têm dirigentes criativos e seletivos nas montagens dos seus respectivos elencos e agora, estão fazendo à Festa do Interior no futebol da Bahia, após barrarem do baile, a dupla BAVI.

José Antônio Reis, torcedor do Bahia e colaborador do Futebol Bahiano. 

PS. Quero deixar bem explícito que à opinião expressa acima é de livre, espontânea e de total responsabilidade do autor, sem nenhuma interferência da linha editorial e/ou opinativa do Blog Futebol Bahiano.

 

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