Parado, ex-técnico do Bahia espera vacina e prefere trabalhar no Japão

Roger está sem clube desde quando foi demitido do Bahia

Foto: Felipe Oliveira / EC Bahia / Divulgação

Depois que deixou o Esporte Clube Bahia, o técnico Roger Machado teve seu nome especulado para assumir diversos clubes da Série A, no entanto, encerrou o ano fora de atividade. No entanto, o treinador em entrevista concedida ao jornalista Jeremias Wernek, do Portal UOL, de Porto Alegre, o treinador garante que pretende voltar a trabalhar em 2021, porém, ainda não sabe quando. O treinador prefere aguardar a chegada e aplicação maciça da vacina contra a Covid-19 e ainda revelou o desejo de sair do futebol brasileiro.

 

“Tem três meses que saí do Bahia, e hoje ainda não me sinto à vontade para voltar. Preciso de um período para me desintoxicar. Mas tenho certeza que daqui a pouco eu já vou estar querendo trabalhar. Agora de manhã mesmo já conversei com uns amigos treinadores e tenho escritório com tela gigante para analisar jogos, times. Chamo dois ou três amigos, baixamos jogos, e a gente vê o que está sendo feito, como está sendo feito. Trocamos opiniões, modelos de treino. É uma cachaça!”

“Essa balança, em função de tudo que estamos vivendo, está começando a desequilibrar. Está afetando minha saúde física e mental. Meu planejamento é mais cinco anos e aí dar uma boa parada, fazer uma boa avaliação e ver se é isso que quero para o resto da vida. Eu tenho artrose de tornozelo, cinco cirurgias de joelho, cirurgia de púbis, três hérnias de disco, então também tenho que ver quando e como vou querer viver um pouco também (risos).”

“Eu gostaria de esperar esse momento todo de pandemia passar. É uma coisa que afetou muito a questão emocional de quem trabalha no futebol. A exposição diariamente, a possibilidade de se contaminar com o vírus. A gente viu dois treinadores morrerem recentemente, o Renê [Weber] e o Marcelo [Veiga], e não é brincadeira essa questão. Junto a isso, testes toda semana antes e depois dos jogos com aquele cotonete gigante que gera desconforto, a expectativa da resposta do teste, a expectativa coletivamente ao montar a estratégia e não saber se vai ter os atletas, e podem ser dois, três por estarem contaminados. E a gente sabe que, ok, os jogadores são jovens, o vírus não está proporcionando grande desconforto, mas do ponto de vista competitivo qualquer decréscimo de qualidade afeta. Associado a isso, o momento que a gente vive como sociedade. Quase 200 mil pessoas perderam a vida pelo vírus, e penso que existem questões mais urgentes, muito embora eu saiba que o futebol muitas vezes é escape para as pessoas. Eu volto, eu volto. Só não sei se logo no começo ou quando a vacina, de fato, chegar e com mais tranquilidade as pessoas forem vacinas. Eu me sinto mais à vontade.”

“A vacina pode ser um balizador para esse momento, mas te confesso que entre o mercado nacional e a possibilidade, por exemplo, de voltar a trabalhar no Japão, onde morei e tenho muito desejo de retornar, eu ainda daria preferência para sair do país do que permanecer. Mas como a gente sabe? Lá fora o treinador brasileiro está sem prestígio, e estamos começando a ficar sem prestígio no Brasil, a gente já está ficando sem prestígio, não sei quanto espaço a gente vai ter espaço para trabalhar.”

Comentários:

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*