Jorge Jesus e a síndrome de vira-lata do torcedor brasileiro

"há um abismo de tratamento dos brasileiros para com estrangeiros"

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Hoje venho falar sobre a síndrome de vira-lata do brasileiro, ora, embora não seja torcedor do Flamengo esse oportuno sucesso do clube carioca trouxe à tona algumas coisas que há muito tempo não se via como a inserção de um Europeu no comando de um clube brasileiro e com o sucesso que teve expôs algumas feridas que já estavam abertas por causa, principalmente, da falta de exigência e contestação que o brasileiro faz com quem é de fora. Embora tenha ganhado quase todos os títulos possíveis e tendo sem dúvidas a melhor equipe de futebol do Brasil, por enquanto, não hesitou em sair para o Benfica. O problema é que há um abismo de tratamento dos brasileiros para com estrangeiros e do brasileiro quando vai para fora do país e é tratado das piores formas possíveis e imagináveis. A receptividade e tolerâncias do brasileiro com estrangeiros nos faz desmerecer nossos profissionais, que por vezes, ainda que não disponham de tantos recursos no geral, fazem um trabalho igual ou melhor que estrangeiros.

 

Já vi em várias ocasiões técnicos brasileiros fazer campanhas semelhantes à que Jorge Jesus fez, nos anos 80,90,2000, e na primeira oportunidade serem execrados pelas torcidas por causa de um mal resultado, ainda que com títulos e tudo, diferente da paciência que se tem com estrangeiros, não só no futebol, mas em qualquer área.

A verdade é que o futebol e jogadores de excelência daqui são exportados, tanto que o Brasil é o maior exportador desse tipo de trabalhador. As ideias de jogo usadas por Guardiola são inspiradas no nosso futebol, num exemplo rápido. O futebol brasileiro peca por más gestões históricas a começar da CBF, mas, querer limitar o sucesso dos clubes do Brasil a estrangeiros é inadmissível.

Na minha modesta opinião não se pode olhar com total reticencia tanto que essa interação é benéfica por trazer outras possibilidades, mas querer desqualificar por completo nossos profissionais do futebol é demais, que é o que a imprensa vem fazendo, em especial os setoristas flamenguistas como o Parcial e torcedor Mauro Cezar Pereira, que faz questão de fazer isso diariamente em suas postagens pouquíssimas profissionais.

A atualidade pede cada vez mais profissionalismo e os nossos dirigentes, que na sua maioria são políticos e não administradores tratam os clubes como suas propriedades e assim o fazem porque confiam na ausência de leis no país que os podem punir com rigor e de fato, para que estes ajam da maneira menos correta possível.

Num exemplo mais claro do que há hoje quando as exigências dos técnicos estrangeiras são feitas aos dirigentes estes se matam, se endividam pegam empréstimos e fazem qualquer loucura para atender enquanto os técnicos brasileiros quando pedem a exigências soam como absurdos inalcançáveis e que pode comprometer o clube.

Minha bronca é muito menos com o Jorge Jesus que fez o trabalho dele e se picou, mas com os brasileiros que devem valorizar nossos profissionais, quer seja no futebol ou em qualquer área. Temos que cobrar excelência dos nossos profissionais. O brasileiro sempre se inferioriza, mas em todas as áreas pelo mundo temos expoentes, pouco ou muito reconhecidos, mas é só procurar que acha.

Por fim, creio que essa via de estrangeiros pode ou não passar, mas é claro que aqui o futebol é de excelência e tem que ser mais valorizado, o Campeonato Brasileiro é o mais difícil do mundo, ninguém diz quem vai ser campeão no início, pelo mundo em cada país são um ou dois favoritos, aqui são 6 ou 7. Nossos técnicos vivem nosso dia a dia e confio que veremos bons trabalhos como já existem e estão sendo injustamente ofuscados pela imprensa que minimiza e pelas torcidas que se deixam levar pelas falácias oferecidas pelas mídias.

Diego Campos, torcedor do Bahia e colaborador do Futebol Bahiano.

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