Bahia e Vitória trabalham para transformar o Baianão em um torneio sub-23

Bellintani, afirmou que o tricolor está alinhado com o arquirrival, o Vitória

Foto: Felipe Oliveira/Divulgação/EC Bahia

Não se tem qualquer dúvida que os Campeonatos Estaduais, removendo raríssimas exceções, são genuínos exemplos para representar e depor contra o que agora é chamado de futebol profissional com seus ingressos caros, de jogadores com salários elevadíssimos nos clubes de ponta e uma grande estrutura financeira envolvida. Estadual no atual modelo e o profissionalismo é algo impossível se associar. É verdade que no passado os Estaduais tiveram dias de glórias, notadamente por fomentar uma das molas propulsoras do futebol que é a rivalidade dos grandes clássicos, alguns deles repetidos diversas vezes no mesmo campeonato. Hoje, não revela jogadores, não atrai público, muitos dos jogos são realizados em campos com gramados e iluminação impraticáveis, além disso, no caso do Baianão os clubes recebem apenas uma pequena esmola de direito de transmissão da Rede Globo e o pior, atrapalha o calendário e no nosso caso, espreme a Copa do Nordeste que poderia ser a redenção do futebol da região.

 

No entanto, o torneio ainda existe ou resiste apenas para mantém de pé e viva as Federações Estaduais que por sua vez, tem um peso enorme para a eleição na Confederação Brasileira de Futebol. Apenas lembrando, com a alteração dos estatutos em 2018, os votos das 27 federações estaduais passam a ter peso 3, assim elas têm direito a 81 votos, já os 20 clubes da Série A ganham peso 2 – 40 votos. E os 20 clubes da Série B, peso 1 – 20 votos. Somando os votos dos 40 clubes (Série A+B), eles teriam apenas 60. Ou seja, 21 a menos que as federações. Desta forma clubes não têm mais como eleger o presidente da CBF sem abocanhar votos de algumas federações, por outro lado as federações têm poder total para escolher o presidente sozinhas.

O presidente do Bahia, Guilherme Bellintani, afirmou que o tricolor está alinhado com o arquirrival, o Vitória, para propor uma remodelagem do Campeonato Baiano e fazer com que o torneio se torne uma competição somente de equipes Sub-23.

“É um modelo que a gente entende como mais moderno neste momento. O campeonato baiano tem um grande valor e objetivo de integrar o interior com a capital e fazer revelação de jovens talentos. Esse é o objetivo. Se a gente quiser jogar o Campeonato Baiano, Copa do Nordeste, Copa do Brasil e eventualmente Sul-Americana e Libertadores, a gente não consegue. Temos que escolher um destes campeonatos para não jogar. Entre não jogar e jogar com o time Sub-23, a gente prefere dar oportunidade para revelar jovens talentos”, disse o dirigente, em entrevista a José Eduardo na Rádio Metrópole hoje (29), durante o Jornal da Bahia no Ar.

Em 2020, tanto Bahia como o Vitória iniciaram o ano com equipes Sub-23 no torneio. No entanto, em função da pandemia de coronavírus, os dois times foram desmontados. “Vamos fazer isso ano que vem, possibilitando quem sabe um campeonato mais longo. A gente fez jogos na Fonte Nova, 18h um jogo da Copa do Nordeste, mas 16h uma preliminar de jogo do campeonato baiano. Isso é muito bom, a torcida vai vendo jovens talentos e a gente consegue fazer um campeonato mais competitivo e equilibrado, com os times do interior chegando mais na frente, na fase final. Eu defendo esse modelo, assim como o presidente Paulo Carneiro também, para o Brasil inteiro”, afirmou Bellintani.

Questionado sobre o futuro da competição, o presidente tricolor disse não ver outro futuro que não seja a adoção deste modelo no torneio. “É um campeonato que jamais será o que já foi. Não tem como. Campeonato estadual não existe em nenhuma grande liga de futebol no mundo. Eu falei para o presidente do Flamengo, [Rodolfo] Landim, e perguntei: ‘Como você quer que o Flamengo seja um time mundial e jogue o campeonato estadual?’ Não vai ser nunca, é como se o Barcelona jogasse o campeonato da Catalunha. Não tem como, o Barcelona não joga o campeonato da região dele lá, mas tem o Barcelona B, o Real Madrid tem o Real Madrid B e o Benfica tem o Benfica B”, diz o dirigente.

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