Reforços estrangeiros: Nem sempre é o melhor caminho para os clubes brasileiros

Bahia não tem experiências muito proveitosas com jogadores estrangeiros

Foto: Robson Mendes/CORREIO

Seguindo o protocolo de busca de assuntos sobre futebol, resolvi tratar sobre o jogador futebol nativo do Brasil e abordar isso em meio a muitas especulações de contratações de jogadores estrangeiros pelos clubes brasileiros em detrimento da matéria prima nacional. Os clubes e muitos torcedores entendem que o jogador brasileiro não é mais o mesmo, que não rende satisfatoriamente e que os clubes precisam e, cada vez mais, buscam trazer reforços estrangeiros para suprir as carências dos nossos times. Um estudo feito pelo observatório do futebol do Centro Internacional de Estudos Esportivos assinala que o nível de representação de jogadores brasileiros no exterior. Em 2019, o Brasil foi o maior exportador de atletas atuando nas principais ligas. Com o numero de 1.600 profissionais, sendo que 74,6% jogaram em times de primeira divisão.

 

Portugal continua como o principal destino dos brasileiros, sendo acompanhado por Itália e Japão. Além disso, a maior transação de todos os tempos foi a de Neymar, com incríveis 222 milhões de euros, além disso, no top-50 de jogadores mais valorizados do mundo, encontram-se os brasileiros Gabriel Jesus, em 11º, com valor estimado em 115,6 milhões de euros. Roberto Firmino (14º, Liverpool), Richarlison (16º, Everton). Em queda desde o ano passado, Neymar é o 17º. Philippe Coutinho (27º, Bayern de Munique), Alisson (34º, Liverpool), Rodrygo (35º, Real Madrid), Vinicius Junior (39º, Real Madrid), Fabinho (41º, Liverpool).

Eu faço “mea culpa”, pois também defendi em muitas oportunidades que o Esporte Clube Bahia contratasse jogadores da América do Sul, sendo que nos últimos anos as experiências com jogadores estrangeiros no Esquadrão não foram proveitosas, com exceção, a meu ver, nos últimos 10 anos, de Wilson Pittoni e Stiven Mendoza, que na minha humilde opinião foram os últimos acertos (caso divirjam se manifestem nos comentários), enquanto nesse mesmo período vieram jogadores estrangeiros medonhos, tais como Tressor Moreno, Freddy Adu, Emanuel Biancucchi, Pablo Armero, Yohn Mosquera, Alejandro Guerra, etc.

O Bahia tem se acertado com jogadores do Brasil e creio que assim continuará, e jogador estrangeiro só virá em caso excepcional, observado com muito critério e, pelo que vejo, com essa flutuação cambial e o investimento em time de transição provavelmente limitará ainda mais o acesso de estrangeiros no Esquadrão, mas não serão portas totalmente fechadas. Além disso, por vezes, a contratação de um talento brasileiro vem sem custos de contratação e isso traz para o clube o acesso a um ativo seu, com direitos econômicos diretamente vinculado ao clube, sem ter que gastar pra isso.

Tentei elencar os pontos positivos dos jogadores estrangeiros que não são muito encontrados em atletas brasileiros e que talvez sejam os motivos para o clamor dos torcedores para que estrangeiros sejam contratados.

Em primeiro lugar, os jogadores estrangeiros tem uma cultura mais profissional, são mais empenhados, muito por causa da disciplina, que a meu ver, também é mais presente em atletas que vem de fora do Brasil. Num segundo plano, a obediência tática, pois por não possuírem o talento natural do brasileiro com a bola nos pés, mostra um senso tático mais apurado, já que assim compensam devidas carências nesse sentido. Fundamentos são mais treinados, afinal como são mais comprometidos e treinam na base mais fundamentos, além disso, a raça, pois quando se assiste a um jogo de Libertadores ou Sul-Americana, por exemplo, o nível de entrega dos atletas estrangeiros salta aos olhos de quem assiste, e estes times acabam dificultando times mais técnicos de vencerem seus jogos, mesmo que o investimento dos clubes brasileiros seja exponencialmente superior ao dessas equipes.

O jogador brasileiro, infelizmente construiu uma imagem de ser desidioso, indisciplinado, descomprometido, etc, muito por causa do histórico construído durante os anos, com maus exemplos de jogadores que foram pouco profissionais em suas carreiras, sendo que alguns detentores de um talento absurdo, mas que quando chegaram a Europa, por exemplo, sucumbiram as exigências do Velho Continente. Inclusive, nesse rol, o maior jogador do país em talento, Neymar, que fora do Brasil, embora seja um craque, não mostrou em campo futebol suficiente para ser o melhor do mundo e se envolveu em uma carreira mais evidenciada fora dos campos que propriamente jogando bola, não sabendo administrar o fato de ser um Superstar.

É inconteste que o Brasil é um celeiro de craques, estes brotam todos os dias em diversos clubes e pelas ruas e escolinhas, são assediados muito cedo, e talvez por isso não saibam lidar com a repercussão e possibilidades que a profissão lhe provê, e acabam se perdendo pelo caminho. Hoje jogadores de base, aos 16 já possuem empresários e, por vezes, antes mesmo de se profissionalizar já botam as manguinhas de fora como se fossem os donos da bola.

No caso especifico do Bahia, tem havido uma evolução no trabalho a olhos vistos, o futebol do Bahia nos últimos anos tem sido tratado de forma profissional o que traz o respeito necessário para que, quem chegue para trabalhar por aqui, entenda que é um local serio e cumpridor do seu papel de empregador. A matéria prima nacional tem cada vez mais a possibilidade de se estabelecer como jogadores de alto desempenho, competitivos e triunfantes, sem que haja a necessidade de recorrer a atletas de outros países, afinal, o talento do jogador brasileiro é incontestável, basta somente aliar ao profissionalismo para que voltemos a ser os melhores como já fomos um dia. Talento traz a magia do futebol e disciplina conduz aos títulos.

Diego Campos, torcedor do Bahia e colaborador do Futebol Bahiano.

 

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