Chegou a hora do Bahia implantar a excelência de formação de atletas

"o novo CT é o caminho para ter um projeto de excelência na base"

Foto: Felipe Oliveira / EC Bahia

Certa matéria feita para esse mesmo veículo de comunicação, que gentilmente me abre espaço para minhas modestas opiniões, escrevi sobre a base do E.C BAHIA, num texto cujo título, salvo engano, dizia que a base é base de tudo. Para um clube de excelência, as divisões de base quando bem tratadas, são um verdadeiro pote de ouro, pois dos talentos que surgem é que se consegue extrair os volumes financeiros que mantêm a ordem da instituição desde que esta seja administrada com a devida vênia. Acompanho as divisões de base do Bahia há algum tempo e, ora ou outra, realmente aparecem alguns nomes de qualidade que rendem frutos ao clube, mas não na medida em realmente valem. Há também alguns atletas que, sabe-se lá como se profissionalizam, pois, claramente há algo que não se explica quando se trata de algumas peças que surgem. Em geral, jogadores com bom vigor físico, tecnicamente fracos ou medianos, selecionados talvez com base em sua estatura a nível europeu, mas definitivamente com pouco talento para as exigências do futebol de alta performance, são “meros atletas” que apenas preenchem requisitos fisiológicos.

 

Outro ponto sobre a escolha destes que se sabe lá Deus ou sabe-se lá o empresário forte que ali conseguiu instalar dentro desse processo, faz com que estes tomem o espaço dos verdadeiros talentos que realmente poderiam mostrar algo diferente, algum brilho de fato. Vejo hoje que não mais se busca o talento em si, aliás o futebol brasileiro está se “Europeizando”, estamos mais uma vez sendo colonizados, desta vez no futebol, pois fecha-se espaço para atacantes que não sabem marcar mas que são goleadores natos, meias de criação que não sabem marcar mas que sabe abrir linhas de defesa com passes preciosos ou chutes de longa distância, etc, etc., estamos subvertendo a lógica do talento em detrimento à tática, a ordem é marcar mais e jogar menos, a de não driblar para não ofender o adversário por fair play, e a de expor jovens com 14, 15, 16 anos como se já fosse realidade, como se já fossem estrelas sem que ainda tenham mostrado bola no time principal e seu real valor como jogador.

Os jogadores de base hoje se portam com a marra de profissionais, como se já fossem o dono da bola, mesmo antes de se tornarem realidade, muitos se frustram pois a expectativa criada em cima desses jovens atletas na base e a suas apresentações com bom desempenho no time principal deixa a torcida impaciente e estes se queimam assim que se profissionalizam, por vezes são execrados sem a menor dó pelas arquibancadas, ainda que tenham qualidade. Além disso, os atletas de base não nutrem o vínculo afetivo com o clube, já treinam com a cabeça na Europa, não pensam em atuar no clube formador, quiçá ambicionam isso, as vezes querem sair até mesmo sem atuar como profissional.

A oportunidade do E.C. BAHIA de cuidar da base é agora, o novo CT EVARISTO DE MACEDO é o caminho para ter um projeto de excelência para as divisões de base do Bahia, é hora de usar esse espaço para atrair talentos de verdade para nossas equipes de base, afinal se tem todo o aparato para oferecer aos garotos, e, é claro, fechar as portas para empresários oportunistas que subvertem as cabeças dos garotos ou que vendem sonhos que serão impossíveis de ser atingidos usando o nome do esquadrão para isso.

O Bahia tem que ser um formador de jogadores talentosos, com diferencial mesmo e plenamente compromissados com o clube além de vinculados 100% como ativos do esquadrão. O trabalho psicológico deve ser implantado para que não se percam com as vaidades e a fama que vem com a exposição e o fato de estarem servindo a um clube gigante como Bahia, para que assim não se percam pelo caminho. além disso, é necessária a prestação de um serviço de Planejamento de Carreiras desde cedo, para que estes não errem como muitos fazem durante seu curso profissional e não se envolvam em noticiários que não sejam os esportivos.

Fato é que a hora e vez de reestruturação da base do Bahia é agora, requer que sejam contratados profissionais de base mais criteriosos devem, com visão formadora rigorosa e exigente, que saibam avaliar de fato futuras promessas e que possam fazer com os talentos de verdade sejam aproveitados na equipe principal primeiramente, não importa se brasileiros ou estrangeiros, sim que estes possam ser frutuosos para o clube e para enfim começar a desfazer a péssima impressão que a base do Bahia tem nos oferecido nos últimos anos.

Sempre lembrando que o caminho para a base é o time profissional, pois o bom desempenho do time de cima é a vitrine para que os atletas de alto rendimento de todas as partes do mundo possam se sentir atraídos pelo clube, afinal, times sem títulos não tem visibilidade e não dá a resposta querida tanto pelo mercado quanto pelos atletas e interessados em investir. A oportunidade é agora, o CT está aí, a possibilidade de ser um centro de excelência também, e isso não pode ser pensado para frente, mas a partir de agora.

Diego Campos, torcedor do Bahia e colaborador do Futebol Bahiano.

 

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