“Tudo o que o Bahia está fazendo na Fonte Nova é ilegal”, dispara Paulo Carneiro

Ex-presidente do Vitória rebateu declarações de Bellintani

Em entrevista recente, o presidente Guilherme Bellintani falou sobre a possibilidade do Vitória mandar seus jogos na Arena Fonte Nova e declarou que o rival teria prejuízo se jogasse lá, além de ter dito que o clube rubro-negro teria trabalho para tirar tudo que o Bahia colocou lá para deixar o estádio com a cara e as cores do tricolor baiano, diga-se, como parte do acerto pelo novo contrato já assinado com a praça esportiva, o Esquadrão deve inaugurar, ainda neste mês de dezembro, uma loja oficial na Arena.

As declarações do mandatário tricolor não foram bem digeridas pelo ex-presidente do Leão, Paulo Carneiro, que em entrevista ao Bahia Notícias rebateu afirmando que o contrato de parceria entre a praça esportiva e o Esquadrão é ilegal. Carneiro garantiu que se o Vitória resolver jogar na Fonte Nova, vai negociar com o consórcio e essas questões cenográficas são facilmente superadas. Além disso, frisou que se o Vitória tiver que jogar lá e tiver edificação do Bahia, tem que ter edificação do Vitória.

Veja abaixo a entrevista de Paulo Carneiro:



“Quero deixar aqui um recado para o presidente do Bahia, o presidente Cortizo [Guilherme Bellintani, presidente do Bahia]. Ele andou falando algumas bobagens de que o Vitória jogar na Fonte Nova tem que tirar tudo que o Bahia botou e isso vai dar trabalho. Tudo que é ilegal não custa para quem quer a legalidade. Tudo o que o Bahia está fazendo na Fonte Nova é ilegal. O Ministério Público está silente estranhamente. E o governo do estado que tem o contrato sabe que aquilo é ilegal. Ele tem até direito como cliente do concessionário que é assim, o Estado é dono, o consórcio é concessionário e quem joga é o cliente”

“Quer dizer, deveriam ser o dono, os clubes deveriam ser os donos do estádio e não o consórcio. Mas infelizmente fizeram tudo errado no Brasil na época da Copa do Mundo. Quem não tem torcida é o dono do estádio? Ele precisa de alguém que tem fundo de comércio para poder fazer aquele negócio gerar caixa. Então, o Bahia não tem estádio, naturalmente foi jogar na Fonte Nova, que sempre foi seu mando de campo, mas nunca foi seu único mando de campo. Não sou presidente do Vitória, não sei o que a diretoria pensa, mas tenho certeza que não custará nada ao Vitória ter que jogar lá sem o cenário do Bahia, que ele tem todo direito de colocar. Só não tem o direito de ficar colocando para nós que vai ser caro, porque ele não está tratando com nenhum menino, com nenhuma criança. Ele precisa respeitar as rivalidades e esse papo furado não vai nos atingir. Se o Vitória resolver jogar na Fonte Nova, vai negociar com o consórcio e essas questões cenográficas são facilmente superadas. Edificações irregulares, isso tudo tem que ser discutido. Se o Vitória tiver que jogar lá e tiver edificação do Bahia, tem que ter edificação do Vitória”

“Tem uns exemplos no mundo de sucesso, que é o Inter de Milão e o Milan. Jogam no mesmo estádio, só mudam o nome. Quando é o Milan é San Siro, quando é o Inter [é Giuseppe Meazza]… E a rivalidade lá, eu conheço, é maior do que aqui. Quem conhece Milão sabe disso. Por que lá pode jogar Inter e Milan e o Bahia não quer que a gente jogue lá? O presidente do Vitória, como sempre, silencioso e a gente não sabe o que ele pensa. Mas nós rubro-negros estamos acompanhando tudo e muito atentos. Se tiver que tomar uma posição, vamos tomar. Há uma flagrante ilegalidade no trato do consórcio com o seu cliente baseado no contrato que existe entre o governo do estado e o consórcio. Ali foi uma parceria público-privado, onde o consórcio deveria ter sido chamado só para construir o estádio, que é a especialidade deles. E eles ganharam de presente a operação do estádio, que não é o negócio deles. Eles estão aprendendo e já aprenderam bastante, mas não podem tirar o direito das instituições esportivas da Bahia, que não é só Bahia e Vitória não, todo mundo tem o direito de jogar na Fonte Nova. Não estou agredindo ninguém, estou defendendo a instituição”

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