Conheça três ex-presidentes com histórias parecidas na política e no futebol

O trio não conseguiu completar mandato na Presidência

O futebol brasileiro foi novamente interrompido neste domingo (28/10), por uma boa causa, já que acontece o segundo turno da eleição presidencial e o eleitor poderá escolher o seu mais novo Presidente da República para os próximos quatro anos. E quanto se trata de futebol e política, ambos caminham juntos e são campos que rendem momentos marcantes. Na história da República Federativa do Brasil, três ex-presidentes registram lembranças nestas duas áreas. São eles: Café Filho, João Goulart e Fernando Collor de Mello. Nenhum dos três conseguiu chegar ao final do mandato na Presidência da República.

E neste domingo de eleições, o site LANCE! traz uma matéria interessante, contando a história dos três ex-presidentes e suas ligações com o meio futebolístico e como foi o período de cada ex-presidente em campo, com trajetórias bem diferentes no gramado do que foi na Presidência da República.

Veja abaixo a matéria completa:



O pioneirismo marca o nome de João Café Filho no futebol potiguar. Em 15 de agosto de 1915, ele foi um dos fundadores do Alecrim Futebol Clube que, curiosamente, em seus primeiros passos, não teve o futebol como prioridade:

– Na época, o remo era o principal esporte. Consta que o Alecrim foi criado por um grupo de estudantes. O objetivo inicial era criar uma associação para alfabetizar crianças, negros e descendentes de índios – relatou o pesquisador Carlos Alberto Nascimento.

No entanto, com o passar do tempo, o Alecrim passou a confirmar que tinha o futebol como uma das suas atividades. E Café Filho participou de algumas delas.

– As informações são muito imprecisas desta época. Há referências de que ele teria jogado entre 1915 e 1916, quando só tinha futebol amador no estado. Já outras versões dizem que ele atuou em 1919, quando já tinha o futebol profissional, o Campeonato Potiguar. Café Filho contou na autobiografia dele, inclusive, seu período como jogador. Mas tem uma lacuna muito grande em jornais daqui sobre as informações de futebol – diz Nascimento.

Dados são imprecisos, mas Café Filho registrou em livro sua passagem também como goleiro. Em sua autobiografia “Do Sindicato ao Catete”, o futuro presidente da República fala sobre seu período como goleiro.

“Nunca tive uma sorte absoluta, mas apenas relativa, por assim dizer, compensadora dos meus fracassos. O arqueiro que, certa vez, me substituiu, deixou que os adversários fizessem doze goals (sic) contra o nosso time, enquanto eu deixara a bola passar nas traves apenas dez vezes…”

O pesquisador completa ao falar das palavras do ex-presidente. – Ele diz que nunca muito a dele ser um jogador de futebol. Dizia que era mais de fazer discurso.

A chegada de Café Filho à presidência da República ocorreu em um momento turbulento do país. O político era inicialmente vice-presidente de Getúlio Vargas, e assumiu o poder depois do presidente cometer suicídio em 24 de agosto de 1954, saindo “da vida para entrar para a história”.

Alçado à Presidência da República, Café Filho tentou estabilizar a economia do país, mas lidou com os momentos de instabilidade que já assolavam o governo de Getúlio Vargas. Um problema cardiovascular, no entanto, causou o afastamento definitivo de Café Filho do cargo um ano depois.

Outro ex-presidente da República que tem o futebol em sua biografia é João Goulart. O gaúcho de São Borja atuou nas categorias de base do Internacional, sua trajetória nos gramados acabou interrompida por um problema:

– Devido ao problema que tinha na perna esquerda, acabou deixando o futebol aos 16 anos. ainda nos anos 30. Agora, quando batíamos uma bolinha, ele arriscava uns chutes. Dava para notar que ele tinha um chute fortíssimo. Uma pena que não pude vê-lo jogar – lamenta João Goulart Filho, ao LANCE!.

João Goulart (em destaque) no juvenil do Internacional

Jango também assumira a Presidência da República em meio a uma forte crise política. Após Jânio Quadros renunciar, militares tentaram evitar que Goulart, então em viagem oficial na China, assumisse a presidência. Sua volta ao Brasil para a tomada de posse, que ocorreu em 7 de setembro de 1961, veio somente após acordo que exigiu a implantação de um parlamentarismo.

No ano seguinte, um plebiscito fez o Brasil voltar ao presidencialismo. João Goulart manteve seu desejo de fazer “reformas de base” (agrária, educacional, urbana, fiscal, eleitoral e bancária) e chegou a ousar com uma proposta nacionalista para o futebol: quis aprovação de uma lei para frear venda de jogadores brasileiros a clubes estrangeiros.

“Inter quis homenagear ex-atleta Jango na final do Brasileiro de 1976. Mas Ditadura não deixou”, diz João Goulart Filho. Porém, o tom populista causou uma forte revolta dos conservadores e das Forças Armadas. Em 31 de março de 1964, Jango foi deposto e, no Brasil, tinha início um ciclo de militares que durou 21 anos no poder. João Goulart Filho, que foi candidato à Presidência da República nestas eleições, conta que o Internacional lutou para registrar a morte do presidente deposto em uma final no Beira-Rio durante o regime:

– Em 1976, ano que meu pai tinha morrido (no exílio, em Mercedes, na Argentina). O Internacional iria jogar a final do Brasileiro contra o Corinthians. Aí, o clube falou que iria homenagear seu ex-atleta com um minuto de silêncio. Era uma forma de driblar a Ditadura, mas João Goulart não deixa de ser um ex-atleta do Internacional de fato! Alguém da Ditadura ficou sabendo que era o João Goulart e impediu a homenagem – disse, referindo-se ao jogo que sacramentou o bicampeonato brasileiro do Colorado, em 12 de dezembro daquele ano.

A homenagem do Inter a João Goulart só aconteceria 37 anos depois. Durante o empate em 0 a 0 com a Ponte Preta, em Caxias do Sul, pelo Brasileiro de 2013 (e dividira o minuto de silêncio com Nelson Mandela, morto em 5 de dezembro de 2013). Giovanni Luigi, então presidente do clube, contou como surgiu a ideia de homenagear o ex-presidente da República.

– Costumamos fazer homenagens a quem tem ligação com o clube. No caso de João Goulart, era uma pessoa que já tinha carreira dentro do clube e que também teve destaque em outro cenário. Um presidente da República que ainda era torcedor. Nada mais do que justo! – afirmou, sobre o minuto de silêncio “tardio” que João Goulart recebeu.

Naquele ano, o nome do ex-atleta e ex-presidente Jango voltara a ficar em evidência. O corpo de João Goulart foi exumado a pedido de sua família, que suspeitava que a morte dele no exílio ocorrera por envenenamento, mas resultados foram inconclusivos. Oficialmente, ele morreu devido a um ataque cardíaco, aos 57 anos.

COLLOR: DE MANDATÁRIO DO CSA AO IMPEACHMENT NA PRESIDÊNCIA



Collor tinha 24 anos quando assumiu posto de presidente do CSA. A redemocratização trouxe outro representante que tem ligação com futebol. Eleito presidente da República pelo voto popular em 1989, Fernando Collor de Mello já tinha em sua trajetória um posto de destaque no esporte bretão: presidira o CSA.

Em e-mail enviado via assessoria ao LANCE!, o atual senador por Alagoas recordou que teve uma responsabilidade em seu início no clube:

“Tinha apenas 24 anos de idade no Conselho Deliberativo do time, quando fui convocado para uma missão de renovação da gestão. Eleito por aclamação, tornei-me então o presidente mais jovem da história. A posse ocorreu em 7 de setembro de 1973, data de aniversário do clube”.

Em seguida, Collor declarou que passou por um momento marcante com um jogador histórico do futebol nacional:

“Uma das primeiras ações foi homenagear Mané Garrincha, que vestiu a camisa do CSA em jogo amistoso com o ASA de Arapiraca”.

“Sob meu comando, o CSA foi campeão (estadual) em 1974. O trabalho em equipe muito me orgulhou, pois ainda conquistamos vaga para disputar o Brasileiro”

Contratado por Fernando Collor para atuar no CSA neste período, o então lateral-direito Valdyr Espinosa guarda com boas lembranças a ligação com o ex-dirigente do clube alagoano:

– Ele organizou muito bem o nosso time. Contratou uns cinco jogadores lá do futebol gaúcho, deu uma estrutura muito boa para a gente seguir nosso trabalho e acabamos campeões. Como dirigente, sempre foi um cara muito bacana, muito humilde, sempre atento com a gente.

Após ser mandatário do CSA, Fernando Collor de Mello seguiu carreira política. Foi prefeito de Maceió, governador de Alagoas, até que, em 1989, chegou à Presidência da República, após derrotar Lula no segundo turno. Durante seu período na Presidência, Collor contou com um nome de impacto como Secretário Nacional de Esportes: Zico, eterno ídolo do Flamengo.

Tentando frear a hiperinflação, Collor implementou planos econômicos, que não foram bem-sucedidos. Vieram recessão econômica, o confisco das cadernetas de poupança, aumento de preços de serviços públicos e demissões. Após anos de percalços, em 1992, acusações de corrupção de pessoas ligadas à sua campanha, como as feitas sobre o ex-tesoureiro Paulo César Farias levaram a um apelo popular e do Congresso para que houvesse o impeachment.

Fernando Collor de Mello renunciou à Presidência da República ao fim de 1992, horas antes de ser condenado pelo crime de responsabilidade. Ele usara cheques fantasmas para o pagamento de despesas pessoais, como uma reforma na Casa da Dinda e a compra de um carro Fiat Elba. No lugar de Collor, Itamar Franco tomou posse.

Um dos poucos ex-presidentes ainda vivos da história da República, Collor voltou à política. O atual senador (que chegou a iniciar campanha como candidato ao governo de Alagoas nas eleições de 2018, mas desistiu em setembro) detalhou em que seu período como dirigente contribuiu para sua trajetória no campo político:

“Do tempo de dirigente do CSA, esta energia sempre presente da torcida, da grande nação azulina, produziu lições importantes para a vida pública. Especialmente, no que diz respeito à relação e à identidade que cultivo no cotidiano com as pessoas, sobretudo aquelas que mais necessitam da mão amiga de seus representantes”.

Neste domingo, será a vez de eleitores entrarem em campo, nas eleições para governadores (em estados onde haverá necessidade de segundo turno) e também para decidirem quem será o futuro presidente da República.

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