Bahia paga dívida referente compra de perus de Natal da gestão de MGF

A economia no Bahia vai chegar a R$ 3 milhões por ano.

Foto: Felipe Oliveira / Divulgação EC Bahia

A situação do Bahia no inicio de temporada não é boa dentro de campo. Assim como no ano anterior, manteve a base e fez boas contratações, no entanto no meu entendimento pecou ao fazer retornar o técnico Guto Ferreira. Já no campo administrativo o presidente o Guilherme Bellintani em entrevista concedida ao jornalista Daniel Dórea do jornal A TARDE nesta segunda-feira reafirmou política de austeridade na administração. Negou a contratação de um profissional para assumir o cargo de CEO no clube, mas admite que convidou e aguarda resposta do antigo vice-presidente Pedro Henriques para assumir um cargo na diretoria para trabalhar em projetos específicos como a estruturação da Cidade Tricolor.

Comentou que suas as finanças no clube e possibilidade de zerar déficit e lembrou que recentemente o Bahia pagou R$ 50 mil com a Sadia ainda de PERU comprados e não pagos em 2012. Quanto ao time em campo e seus resultados, o presidente Guilherme Bellintani reconhece que o time não mostra força, está sem padrão de jogo, não pressiona adversários mais fracos, enfim, está longe de ser o time ele desejava, enfim, está faltando futebol.

Presidente, com um mês e meio de gestão, como você resumiria a situação do clube?

O clube vem em um processo de reestruturação há quatro anos. E esse processo ainda será longo. A mudança mais imediata foi a redução dos custos administrativos com foco em superação do déficit orçamentário de quase R$ 15 milhões que tínhamos para 2018. Com as mudanças, economizaremos algo próximo de R$ 3 milhões por ano. Mas a visão estratégica não pode estar focada no déficit apenas com cortes de custos. Mas, principalmente, com ampliação de receitas. Nesse aspecto, estamos criando algo bem mais audacioso do que havia sido feito até agora.



Qual a razão para esse déficit? Qual o tamanho do problema e como contorná-lo?

Com as negociações que fizemos de Jean e Juninho Capixaba e a redução dos custos administrativos, estamos muito próximos de zerar o déficit, que se origina do tamanho da dívida que o Bahia ainda tem, acumulada em todo o período pré-democracia. Montamos agora uma estratégia mais arrojada para enfrentamento da dívida, priorizando aqueles credores que nos derem maiores descontos no pagamento. Nos últimos dias, pagamos uma dívida de quase R$ 50 mil com a Sadia, referente à aquisição de perus de Natal em 2012. E também uma dívida com o Bahia de Feira de mais de R$ 500 mil, referente à aquisição do atleta Diones.

Como se dará a reforma administrativa? Os salários de dois funcionários que saíram, Marcelo Barros (financeiro) e Jorge Avancini (mercado), eram altos, correto?

A economia vai chegar a R$ 3 milhões por ano. Essa economia faz parte da estratégia de enfrentamento do déficit. Avancini e Barros tinham salários compatíveis com suas competências e com o próprio mercado. Mas, com a saída de ambos, escolhemos seguir com um modelo diferente, com os gerentes respondendo diretamente a mim e ao vice-presidente Vitor Ferraz. Não apenas pela questão dos custos, mas também para que a gente consiga acompanhar mais de perto os processos e interferir mais. Houve também a saída de alguns gerentes.

Sem Avancini e Barros, como tem sido o trabalho, já que não foram contratados outros para os mesmos cargos?

Meu estilo de trabalho é muito próprio. É centralizador, mas com muita autonomia à equipe. Cada pessoa que tem função de liderança no clube sabe exatamente qual o seu papel, o que se espera dela, e o que será considerado sucesso ou fracasso. E cada um tem liberdade absoluta para discordar, reclamar, propor caminhos. Não tem isso de que um manda e outro obedece.

Surgiu na imprensa a informação de que Pedro Henriques, vice presidente na gestão Marcelo Sant’Ana, estaria sendo contratado para a função de CEO. Você confirma?

Eu li isso nos últimos dias e achei bem curioso. Impressionante como as pessoas acreditam facilmente em qualquer notícia. Não haverá CEO no Bahia. O Bahia não precisa de nenhum profissional com esse perfil, de ‘diretorzão’, quanto mais com interferência no futebol. Ouvi até falar que esse CEO ganharia R$ 45 mil. Imagine que loucura, depois de tanto esforço para reduzir os custos… O convite que fizemos a Pedro foi para uma função na diretoria, atuando em projetos específicos como a estruturação da Cidade Tricolor, e com salário que não chega nem à metade desse especulado. Pedro está refletindo. Nessa estruturação do CT, serão alguns milhões de reais em investimentos do clube. Desde o acompanhamento dos projetos na Lei de Incentivo ao Esporte à estratégia de transição do Fazendão para o CT, precisamos de alguém com conhecimento do clube para nos ajudar.

Isso faria parte de um arranjo político com o grupo de Henriques, a Revolução Tricolor?

De forma nenhuma. A Revolução Tricolor até sugeriu a Pedro que não aceitasse o convite, justamente para não parecer que foi um convite político. O convite foi meu. Prefiro muito mais um cara como ele, honesto, dedicado, do que alguém que venha com salários altos e fora de mercado. Estou torcendo para ele aceitar.

Houve repercussão negativa entre torcedores. Critica-se a gestão anterior sobre o gasto mais veloz do que o previsto das luvas do acordo com o Esporte Interativo, e também em relação ao clube ter estourado o orçamento com contratações emergenciais para garantir o acesso, em 2016. Como você vê essa situação?

Não dá para afirmar que o clube gastou R$ 40 milhões com o acesso. Muitas dívidas foram pagas ao longo desse período. E, se analisarmos o endividamento e a evolução do clube entre 2015 e 2017, os avanços são indiscutíveis.

Falando de futebol, está sendo complicado manter o teto salarial que vocês estabeleceram de 150 mil?

Começamos uma temporada 2018 com rendimento em campo muito inferior ao que esperávamos. Vemos muita insegurança quanto ao conjunto do time, que não mostra força, padrão de jogo, não pressiona adversários mais fracos, enfim, está longe de ser o time que eu e o torcedor desejamos. Tá faltando futebol. Mas a austeridade é qualidade, e não problema. Ser rigoroso com o orçamento é ter limites para contratar. E estamos formulando estratégias econômicas que darão ao Bahia, gradativamente, maior poder financeiro para investir no futebol. Um pouco disso virá ainda esse ano, quando precisaremos fazer ajustes e investimentos na equipe para as competições mais disputadas, como Brasileiro, Copa do Brasil e Sul-Americana. O Bahia não pode se acostumar com um orçamento reduzido.

Quando você diz que não há “padrão de jogo”, é crítica direta ao técnico Guto Ferreira?

Sobre Guto e a comissão técnica, vejo diariamente trabalho duro e dedicado. Acredito em trabalho, não em soluções mágicas. Mas ter paciência e cautela é uma coisa. Ficar aguardando sem ação é outra. Não seremos passivos nas horas difíceis. O clube tem estrutura, investimento, tecnologia. Precisa responder à altura em campo.

Quanto aos ajustes no elenco, atrapalha o fato de Hernane, um reserva, ganhar cerca de R$ 250 mil por mês? É necessário repassá-lo a outro clube para que se possa investir mais em atletas?

Hernane é um atleta que tem serviços prestados ao clube e certamente reencontrará seu melhor momento. Não queremos “repassá-lo”.

Chama atenção vocês terem contratado Kayke e ainda assim terem deixado a camisa 9 vaga. A torcida continua sonhando com Fernandão…

Fernandão deixou sua marca no clube, mas atualmente tem um patamar financeiro que não está ao nosso alcance. Essa camisa 9 pode ser conquistada por algum atleta que já está no elenco, ou mesmo por um novo atleta que venha a se integrar.

De quanto é a folha salarial do elenco e quanto vocês pretendem aumentá-la?

Nossa folha atual está absolutamente dentro do orçamento, entre R$ 2,5 e R$ 3 milhões. Para o segundo semestre, naturalmente, teremos mecanismos de ampliação. Mas acredito que os atuais atletas têm capacidade plena de um bom rendimento em campo.

Em que pé está a negociação com a Arena para que ela se adeque aos anseios do torcedor?

Está bem avançada, em alto nível de entendimento. A Fonte Nova tem papel estratégico na nossa visão de alavancagem econômica. Fazer com que o torcedor se sinta em casa é muito importante. Mas além disso tem algo crucial: o estádio está sendo visto por nós como uma saída para ampliação de receitas.

Uma ação importante da sua gestão seria investir na produção própria dos uniformes. Como está essa negociação?

Estamos avaliando todos os caminhos possíveis. E em fase bem avançada de definição. Nosso prazo interno é fevereiro. E até o momento já temos uma certeza. Será possível ampliar em pelo menos quatro vezes a receita com royalties de camisa. É uma mudança de conceito, mas com segurança no fornecimento e qualidade do produto. Faremos do contrato de camisa um elemento de fortalecimento do plano de sócios.

Quanto ao CT, o plano é de se mudar para a Cidade Tricolor em 2019. O arranjo financeiro para que isso seja possível está pronto? Já foi decidido o destino do Fazendão?

Ainda em fevereiro finalizaremos o projeto de captação de recursos, e aí vamos ao mercado buscar patrocinadores e aprovação na Lei de Incentivo ao Esporte. Paralelamente, uma equipe específica do clube já está detalhando todo o processo e equipamentos necessários à mudança. O destino do Fazendão será definido pelo Conselho Deliberativo e Assembléia de Sócios, logicamente com sugestões da Diretoria Executiva.

Muito se cobra do clube quanto à fase questionável da base. Haverá uma reformulação no setor? É verdade que o técnico Aroldo Moreira (sub-20) está de saída?

Não há nenhuma decisão sobre permanência ou saída de nenhum profissional. Para sabermos quem fica ou sai, precisamos primeiro estabelecer o projeto que queremos. Ainda essa semana concluiremos todo o trabalho conceitual, com estratégias, metas, passo a passo. A divisão de base será a minha menina dos olhos. É a grande estratégia para um clube que não tem a mesma força econômica que os seus rivais nas competições.

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