Não existem soluções simplistas no Esporte Clube Bahia

Este é o tipo de post que não gosto de fazer, prefiro escrever sobre os jogos, pois são disputados na frente de milhares de pessoas, milhões se contarmos os telespectadores, sob as luzes dos holofotes ou do sol, e com dezenas de microfones e câmeras gravando o que acontece, mesmo assim, me prendo aos aspectos táticos e técnicos da partida, pouco falo sobre arbitragem, por desconhecer o que se passa nos bastidores. Contudo, o jogo sobre o qual pretendo tecer alguns comentários neste post, é disputado nos bastidores, nas sombras e penumbras dos imensos salões, sem registro auditivo ou fotográfico, falo da guerra surda e suja pelo poder no Bahia, ou como prefere o torcedor, da saída de Marcelo Santana.

Recentemente li em no BLOG contribuições e travessias o excelente texto “A mentirosa e demagoga verdade simples”, uma boa e profunda análise da situação política nacional. Logo de cara, o trecho abaixo me chamou atenção:

Conta-se que um secretário de Estado do presidente Kennedy recebeu dois projetos para levar o homem à Lua. Um apresentava-se em quatro ou cinco volumes e outro numa fina brochura. Ele teria dito ao assessor, sem mesmo lê-los: ­pode descartar aquele menor, verdades simples não resolvem os problemas que temos aqui.

A partir daí, os autores demonstram como os brasileiros adoram soluções simples para problemas complexos, como nos iludimos e nos deixamos levar por falsos Messias e salvadores. É a mesma sensação que tenho hoje quando leio sobre o meu amado Bahia. Pouco tempo atrás, a solução era muito simples, tira Doriva que vamos deslanchar e brigar pelo título da B com o Vasco, afinal de contas, temos o elenco mais qualificado da Série B, era o que pensávamos. Doriva se foi, mas junto com ele não foi o nosso péssimo futebol, pelo contrario, está cada vez mais presente, enquanto nossas principais peças estão cada vez mais ausentes ou escondidas durante as partidas.

Depois, Éder Ferrari foi pego para Cristo, sendo o causador do mal estar entre os jogadores e da indisposição dos mesmos. Foi defenestrado, melhorou o clima no elenco? Pelo que entendi das palavras do Brocador, não, o clima continua pesado e nada amistoso entre os atletas.

Agora, a solução já é um pouco mais complexa, mas continua simplória e enganadora, vamos depor MS e tudo se resolve, pois, como dizem, ele é fraco, sem comando e sem preparo para ser Presidente desta grande Nação. Concordo que MS vem demonstrando despreparo para ser nosso comandante, a fala após a derrota para o Vila quando comparada ao que foi feito, mostra claramente isto. Reitero o que já disse aqui, a torcida está certíssima em centrar as maiores cobranças na Diretoria Executiva do clube, mas, pergunto, será que a saída de MS fará nosso futebol reaparecer? O Bahia voltará a ser respeitado no cenário nacional? Tenho minhas dúvidas, acho que o buraco tricolor é mais fundo, e não vai se resolver em pouco tempo ou com soluções mágicas.

Peguem como exemplo o Vasco, tudo passava pela saída de Eurico Miranda e de seus velhos métodos. Eurico caiu, veio Dinamite, jogador respeitado e pessoa experiente e conhecedora do meio futebolístico, fracassou. Voltou Eurico e com ele o respeito, foi rebaixado. O problema era o presidente ou a estrutura arcaica que reina no Vasco? Um grupo minou o outro?

Posso estar falando besteira. Como já disse, esse jogo é jogado nas trevas, sendo quase impossível perceber os lances tramados pelos participantes. Mas, entendo que a luta pelo poder no Bahia vai muito além dos resultados dentro do campo, passa inclusive por questões partidárias, repito partidárias, entre grupos que tentam ter nas mãos o clube de maior representatividade do NE brasileiro. Por que será que neste momento de crise não aparece ninguém para estender a mão? Cadê os caras que amam o Bahia? Cadê a oposição do Bahia, ninguém tem nada a falar, a propor, a colaborar? Será que estamos diante de uma luta pelo bem do clube ou de projetos de poder? Será que esquecemos do nosso passado recente quando berramos devolva meu Bahia ou apoiamos o Bahia da torcida?

Será que nós torcedores não estamos fazendo papel de fantoches? Não acho que a ruptura do processo democrático, um avanço trazido pelos atuais detentores do poder, é a solução, prefiro esperar pelas novas eleições e lá, como sócio que sou, escolher um candidato que represente a torcida do Bahia, e não grupos que querem o clube para proveito próprio. Mais uma vez recorro ao texto citado anteriormente para finalizar este post, pois ilustra bem a reflexão que a Nação Tricolor precisa fazer:

Enquanto a política no Brasil [o Bahia em campo] se esboroa e apodrece, alguns agem como vermes ao se locupletar com os espólios da carniça. É preciso, ao contrário, valorizar a responsabilidade democrática. Se pretendemos chegar à Lua, é preciso ser consequente, ser honesto com os problemas e com a diversidade da sociedade. Não é de aventureiros verdadeiramente sem escrúpulos e falsamente santos que precisamos, mas de gente que compreenda que na política há um diálogo de pessoas que devem ser respeitadas e questões reais que devem ser tratadas com consequência. O demagogo é um oportunista, que se aproveita da política para benefício próprio e estiola a energia cívica. Demagogos devem ser repelidos.

Enfim, como se pode notar, tenho muito mais mais dúvidas do que certezas, entretanto não serão com soluções simplistas que visam somente o curto prazo que resolveremos nossos problemas. Temos sim, é de tirar o Bahia da mão dos grupos que só pensam em si e pouco na paixão do torcedor, mas tudo tem seu tempo, e este chegará, afinal, como dito em uma das campanhas anteriores “O BAHIA TEM DONO, O SEU TORCEDOR”.

Miguel Leite – amigo e parceiro do BLOG 

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