A situação do Bahia é desesperadora

Se a situação do Bahia dentro de
campo é tranqüila, fantástica e que lotou de alegria o torcedor tricolor, com o triunfo de goleada em cima do afamado Flamengo, fora,
a situação se inverte completamente. 
Saiba porque lendo a matéria publicada na noite desta quarta-feira pelo
jornal A Tarde. 

A interventoria que administra os
trabalhos no Bahia terá dificuldades para quitar a folha salarial do próximo
mês, que vence na quinta-feira, dia 8 de agosto. Em visita à redação de A
TARDE,  o interventor Carlos Rátis
definiu a situação financeira do clube como “caótica e preocupante”. 

Três são, segundo Rátis, os
principais problemas que inviabilizam as contas do tricolor. A mais preocupante
delas é uma antecipação de receitas tomadas pela gestão do presidente
destituído Marcelo Guimarães Filho, que compromete o orçamento administrativo do
Bahia em até 36 meses. 

Embora o interventor não tenha
informado os números da cota adiantada e nem quais foram as empresas que a
realizaram,  a reportagem apurou que as
parcelas são referentes ao contrato de televisão com a Rede Globo, firmado em
R$ 35 milhões por temporada. 

Quando a intervenção assumiu o
controle do clube encontrou as contas bancárias zeradas e credores com data de
cobrança próximas ou já vencidas. “Tivemos que fazer um esforço para
viabilizar a realização do Ba-Vi, por exemplo. Estávamos com dificuldades
em  áreas como alimentação, pagamento da
agência de turismo e até da empresa que de manutenção da grama”, afirmou o
interventor. 

Só de alimentação, a dívida do
clube era de R$ 400 mil – apenas R$ 100 foram quitadas – e o restante negociado.
“Não pagamos nenhuma dívida completa por enquanto. A situação é tão
crítica que todo dinheiro que vamos recebendo pagamos algo pendente”. 

Contas bloqueadas

Um outro problema é de ordem
trabalhista. O Bahia tem um passivo de 20 reclamantes distintos na Justiça do
Trabalho do Estado. O valor ultrapassa cifras milionárias e foi preciso fazer,
ainda na gestão anterior, um arranjo jurídico chamado conciliação global para
incluir todas as ações em conjunto. 

O problema é que o Bahia deixou
duas parcelas desta conciliação sem serem pagas, o que pode barrar as contas do
clube, além de penhorar renda dos futuros jogos na Fonte Nova. 

“A prioridade é o pagamento
destes valores. Só assim podemos administrar o clube sem sustos futuros”,
disse Cristiano Possídio, advogado trabalhista constituído pela interventoria. 

Segundo Rátis, a primeira parcela
deste valor – não informado pelo interventor por questões éticas – serão pagos
até sexta-feira. “A segunda parcela vamos tentar negociar com a Justiça,
explicando que o clube está sob uma intervenção”, diz. 

O último dos grandes problemas
para equilibrar o financeiro do Bahia é obter fontes de receitas para arcar com
as demandas. A própria intervenção, embora não confirme as empresas, pediu
adiantamento de verba com a Arena Fonte Nova e com uma sobra de dinheiro de TV
para sanar o clube.  São estes valores
que tem possibilitado pagar salários de jogadores e demais funcionários. Até
aqui o interventor quitou três meses de dívidas salariais. 

Para pagar a próxima folha, Rátis
conta com o montante amealhado dos valores dos sócios patrimoniais, que se
recentemente filiaram ao clube (aproximadamente R$ 750 mil). 

Procurado para comentar o
assunto, o ex-presidente Marcelo Guimarães Filho não atendeu as chamadas da
reportagem. 

Programa de sócios

Carlos Rátis não especificou o
que será feito, mas revelou que representantes da Arena Fonte Nova,
impressionados com os 15 mil sócios acumulados na última semana, já iniciaram
conversas para que esses associados possam ter vantagens em relação ao uso do
estádio. 

Por fim, Rátis anunciou que o
prazo do recadastramento de sócios foi adiado do dia 2 para o dia 7 de agosto.
“Estamos publicando isso num edital no A TARDE e em outros meios de
comunicação”, finalizou.

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