Barbaridades na imprensa baiana

Sêneca afirmou: “quando o juiz após ouvir somente uma das partes sentencia, talvez seja a sentença justa. Mas justo não será o juiz”. Comecei esse parágrafo citando Sêneca para fazer uma reflexão sobre o papel da imprensa, principalmente da imprensa radiofônica. Certo que serei compreendido pela grande maioria dos leitores sobre a importância de ouvir numa matéria jornalística as duas partes, e ter um comportamento paritário.

Estamos na Bahia vendo o enxovalhamento de grupos, pessoas e cidadãos por outros cidadãos que sob o pretexto de informar abusam da mediocridade e acabam por fazer do microfone uma ópera bufa da pior qualidade. Quando ontem ocasionalmente ouvia determinado radialista fazer uma crítica histérica contra a oposição no Bahia, verifiquei que talvez tratava-se até de uma caso ambulatorial, mas não sendo o caso, era puro oportunismo mesmo, era precioso esclarecer sobre determinado comportamento indecoroso.

Tratar partes contrárias em um momento de tensão sem uma devida paridade de forças, pelo menos o direito ao contraditório, é uma atitude pobre moralmente e que deve ser repudiado pelos ouvintes que pretendem se esclarecer sobre o que está acontecendo no Bahia e a luta pela sua democratização. Aliás, o gênio dos romanos sabia que para se chegar á verdade devia se ouvir as partes em questão. Então, como um jornalista se presta a veicular sobre seus ouvientes uma entrevista com o Presdiente do clube sem qualquer vestígio de crítica ou posições sobre a crise institucional que vive o Bahia?

Seria colocar os ouvintes numa posição de inferioridade, tomando-o como burro, sem ouvir as partes envolvidas, ou pelo menos elementos que fizessem um contraponto conceitual. Afinal, quem pode saber a verdade ou entender um problema sem ter todos os dados ao seu dispor, ou pelo menos uma partde deles? Caracterizar, então, a oposição no Bahia com característica indignas impondo-lhe sofrimento moral sem dar-lhe o direito á defesa soa de um mau caratismo sem par, digno de partidos fascistas que tinham como método não contra-argumentar com ideias, mas desferir contra seus opositores desvios morais para assim encobrir suas próprias desrrazões ensadecidadas.

Precisava desabafar um pouco sobre essa importuna entrevista de um Presidente de clube ontem numa rádio, quando ouvi coisas inimagináveis e que ferem desde já qualquer sentimento pela legalidade uma vez que as próprias pessoas dos oposicionistas encontram-se ameaçadas. É com grande pesar que passamos a ver no Bahia colocações assemelhadas a situações limites em que o homem é desafiado a lutar por dignidade e respeito antes de tudo, e confronto de ideias de forma saudáveis. É necessário um salutar respeito acima de tudo a quem ousa questionar o status-quo no Bahia!

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