Muda-se no Bahia para tudo continuar na mesmice

Corja do Bahia - Ecbahia- esporte clube BahiaDar um tempo muitas vezes é um sinal de maturidade, e o tema Bahia com ele. Não posso esquecer que o Bahia é um assunto hoje que nos desgasta mais que envolve. Em muitos momentos certas feridas só o tempo pode dar um jeito. E o Bahia que a gente ama pode precisar mesmo ser renovado com a admiração pelas conquistas do rival.

Nada melhor que reconhecer que o futebol baiano é quem ganha com as conquistas do Vitória. Podem dizer que o Bahia em nada ganhará com uma conquista do rival, mas eu penso diferente. Penso na hipótese de que aqui na Bahia se reproduzam os melhores exemplos do futebol gaúcho, quando dirigentes admitem que o crescimento do rival serve de motivação para que soluções audaciosas apareçam.

O Bahia, contudo, continua vivendo um projeto decadente, que nada acrescentará se medidas mais radicais não forem tentadas. A decadência é visível. Tenho pensado por isso muito em Luchino Visconti e os seus temas preferidos, a decadência e a sociedade de classes. O tricolor sofre a ação de um tempo no futebol que passou, onde o interesse político é apenas a permanência dos velhos métodos com a cara de nova. Uma classe quer permanecer no tricolor sem nada ter mais para dar ao Bahia, isso é triste constatar. O poder então assim se torna um exercício de opressão sobre o novo que se insurge.

O Bahia não consegue avançar politicamente porque emperra-se o amadurecimento de um Estatuto que deveria ser uma forma, um tratado, em que estariam seus atores prontos para construir um documento para o futuro. Em dois filmes de Visconti, “O Leopardo” e “Rocco e seus irmãos”, estão ali inevitavelmente a cara do Bahia que não muda, que apodrece como cópia mal construída dos que lá permanecem sem oferecer ao Bahia nada de novo.

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