Degrau por degrau

Vamos encerrando o ano dentro das expectativas, a exemplo do que ocorreu em 2008. Campeonato Baiano conquistado, campanha no Campeonato Brasileiro sem sustos e vaga praticamente assegurada na Copa Sul-Americana da temporada seguinte. À primeira vista, pode parecer que não houve avanços, já que ficamos na mesma. Na minha ótica, atingimos a estabilidade, primeiro passo para alavancarmos passos mais longos e ousados.

 

E quando falo estabilidade, refiro-me ao sentido amplo. Estabilidade técnica, mantendo resultados aceitáveis para o padrão de nossos cofres; financeira, cumprindo os compromissos salariais; política, tendo um ambiente interno sem crises; e institucional, com o Vitória sustentando uma imagem positiva no cenário nacional.

Com o clube enxuto e estável, precisamos crescer. Tal crescimento passa, necessariamente, pela conquista de um título expressivo. É o que falta para impulsionar de vez o Leão. Fico me perguntando: se a torcida tem se mostrado tão participativa, vibrante e com auto-estima elevada, imagina como ficaria após vencermos algo de grande relevância?

A meta mais realista para o tamanho atual de nosso cofre é a Copa do Brasil. Já passou da hora de o Vitória fazer um planejamento sério visando a conquista desse torneio. Todos os anos, mais ou menos a essa altura da temporada, enfatizamos a necessidade de trabalharmos em prol desse objetivo, que nos parece tão factível.

Como escrevi em outras ocasiões, o Campeonato Brasileiro no sistema de pontos corridos não permite espaço para que equipes sem grande aporte financeiro sonhem em conquistá-lo. Aí a gente olha a tabela hoje, com o líder Palmeiras, que está muito longe de ser essas coisas, perdendo fácil para timecos como Náutico e Santo André… Fica a sensação de que dá para vencer, sim. Até porque a gente também brocou a porcalhada.

Mas não se enganem. O que ocorre desde 2003, ano do advento dos pontos corridos, é o título ficar com times com estrutura financeira bem acima da média, capazes de sustentar elencos grandes, em quantidade e qualidade. Falta muito para alcançarmos esse degrau. O papel que nos resta é melhorarmos ano a ano nossas campanhas. Se ficamos em décimo em 2008, temos como meta em 2009 uma posição melhor que essa. É um trabalho de base, gradual e que não se deve perder de vista por conta de resultados esporádicos.

Vejo o exemplo do Deportivo La Coruña. Diria que é um clube dos padrões do Vitória. Não está no centro econômico da Espanha, tem um porte médio e não tem a mesma capacidade de captação de recursos dos grandões da Espanha. Pois o clube do nosso ex-craque Bebeto fez um trabalho de formiguinha, comendo pelas beiradas, até conquistar seus objetivos.

Manteve uma base, foi alcançando resultados intermediários, ganhou a Copa do Rei (equivalente a Copa do Brasil), sofreu com a perda do Campeonato Espanhol na última rodada, até o dia em que estava tão estruturado que conseguiu superar as potências Real Madrid e Barcelona, sendo campeão espanhol. O Vitória não é menor que o Deportivo La Coruña. Logo…

José Raimundo Silveira/Barradão Online
Militar, jornalista e rubro-negro desde os tempos de Ricky
E-mail: tencerqueira@gmail.com

Deixe seu comentário!

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*