O que vocês acham que vai acontecer?

E a história se repete. Parece que voltei ao início do campeonato brasileiro do ano passado, quando critiquei neste espaço a arbitragem brasileira, a justiça desportiva corrupta e a manipulação desta pela mídia. Volto agora para mais um protesto, talvez mais um lamento que um protesto, pois apesar de escrever à redação da Globo, Band, Sportv e ESPN, sei que não serei ouvido por ninguém.

Quando escrevi a coluna “O poder para quem?” critiquei a postura do STJD que suspendeu o árbitro Leandro Vuaden por não marcar um pênalti a favor do Fluminense (RJ) na partida contra o Vitória no Brasileirão do ano passado, mas nada fez contra o árbitro que havia prejudicado o Vitória na partida contra o São Paulo. Desta vez, são inúmeros os fatos que comprovam a clara intenção do STJD de fazer justiça apenas quando esta favorece os clubes do “eixo”. O que dizer da suspensão de Neto Baiano por ter cuspido no rosto do jogador vascaíno na partida pela Copa do Brasil? Justa? Sim, justa, porém por que nada foi feito contra o jogador vascaíno que acertou uma cotovelada no rosto de Nadson nesta mesma partida, custando-lhe oito pontos na face e sua retirada definitiva de campo. Por que o tribunal não puniu o agressor? Porque era do Vasco ou porque a TV preferiu não repetir o lance? E por que o pedido de efeito suspensivo de Neto foi negado pela justiça? A mesma justiça que acatou o pedido de efeito suspensivo do Corinthians ao atacante Dentinho por uma cotovelada em Rafael Moura no jogo contra o Atlético (PR) pela Copa do Brasil, e também aceitou o pedido de efeito suspensivo do Flamengo para o lateral Juan, que se envolveu em confusão com Maicosuel, do Botafogo, na final do carioca, liberando-o para atuar em partida pelo Brasileiro. Qual a diferença? Está óbvia.

A diretoria do Vitória entrou com representação contra a arbitragem do jogo de ontem, em que o Vitória foi claramente prejudicado durante a partida, e, principalmente, no lance do gol legítimo de Roger, mostrado pelas câmeras e incontestável diante da visão do lance por trás. O que vocês acham que vai acontecer? Nada. Ninguém será punido por prejudicar um time nordestino em favor do Palmeiras. Os jornais preferem nem comentar muito a respeito, para não “chamar muito a atenção” para o lance. Preferem glorificar o gol palmeirense nos acréscimos. No “Globo Esporte” de hoje, principal jornal esportivo da Globo, ao mostrar o lance a edição da reportagem não quis dar o veredicto e dizer que foi gol, preferiu mostrar um fotógrafo “zé-ninguem” que estava atrás das placas de propaganda fazendo sinal de negativo com o dedinho para o atacante Roger, e a repórter tosca da Globo comenta: “… segundo o fotógrafo atrás do gol a bola não entrou!…” em um tom de alegria e satisfação. E o que dizer da bandeirinha que não assinalou ao árbitro que a bola entrou? Será que ela não viu mesmo ou será que ela preferiu não arriscar prejudicar o Palmeiras, já que no ano passado esta mesma auxiliar, Márcia Bezerra, foi suspensa por não validar um gol do Flamengo na derrota para o mesmo Vitória no Brasileirão de 2008? A preocupação dela deve ser a mesma de todos os árbitros que são suspensos ou punidos no futebol brasileiro: Se errar contra os grandes clubes do eixo é punição certa, já contra os outros é melhor fazer vista grossa.

Outra questão que volto a colocar aqui é a respeito da influência da mídia nas decisões do tribunal, particularmente a TV Globo e suas afiliadas, que são responsáveis pela transmissão de todos os jogos do Brasileirão. A questão é: quando o STJD decide punir ou não, se baseia em que provas? Nas imagens da transmissão. E quem produz as imagens? Quem seleciona o que vai ao “ar”? Quem produz as “provas” é a rede de televisão que transmite o jogo, leia-se, a Rede Globo. Ou seja, se a Globo quiser mostrar aquela “cotovelada” ou “cusparada” fora do lance que ninguém viu, ela mostra, e o responsável é punido; se a Globo quiser mostrar por todos os ângulos que num determinado lance a bola entrou, ela mostra, e o juiz é suspenso. E se a vítima for o Vitória? Aí não, é melhor fazer vista grossa, ou então mostrar um “Zé-ninguém” atrás do gol dizendo que a bola não entrou. Quem é o verdadeiro “tribunal”, quem julga, quem prova, quem decide, é a TV, pois a transmissão é dela. E o tribunal se baseia nestas imagens. Será que se fosse o Palmeiras que tivesse feito um gol, e o juiz não assinalasse, não teríamos o lance sendo repetido incansáveis vezes em todos os telejornais ou internet? Será que o trio de arbitragem não estaria sendo crucificado neste momento e o triunfo do Vitória sendo contestado? Será que se fosse Ronaldo ou Adriano a levar oito pontos no rosto depois de uma cotovelada o lance não seria revisto e o agressor punido? E Nádson? “Quem é Nádson?”, perguntam eles…

Ivan Leão/Site Canal Vitória
[email protected]

Deixe seu comentário