Reflexões sobre o futuro do Esporte Clube Bahia

Uma análise mais detalhada do plano de trabalho do Dep. Marcelo Guimarães Filho (sobretudo do item 3.1.1: “Contratação de empresa, com expertise comprovada, responsável pela Gestão Estratégica, Gerencial e Operacional de todos os processos ligados ao futebol.”) nos permite afirmar que o presidente MGF simplesmente terceirizou o futebol do Bahia em todos os níveis. Enquanto alguns encarariam essa decisão como sinal de modernidade, outros a considerariam bastante arriscada!

Por exemplo, um administrador poderia ver essa situação da seguinte forma: os processos de terceirização visam exatamente preservar o negócio da empresa transferindo áreas não estratégicas para terceiros, com a direção da empresa concentrando as atenções no seu core business (principal negócio). Como o core business do Esporte Clube Bahia é o futebol, o clube parece estar nadando contra a correnteza, pois está terceirizando o seu principal negócio, principalmente quando destaca que a empresa contratada será responsável pela gestão estratégica e operacional de todos os processos do futebol.

Ainda tem um agravante: o terceirizado é torcedor ferrenho do rival!

Aí é que perguntamos (sem querer ofender ninguém):

– Sem o negócio futebol (profissional, marketing e base), qual será o foco da diretoria tricolor nos próximos anos? Será que a reforma estatutária e a reformulação (e ampliação) das áreas social e patrimonial do clube seriam prioridades?

– Quais são as cláusulas de rescisão do contrato com a empresa do Sr. Paulo Carneiro (valores, direitos e obrigações)?

– E depois que terminar o contrato, como ficará o futebol do E.C Bahia? Sem expertise, sem pessoal e, a depender do contrato, com menos atletas? Voltaremos a ver o Bahia de Petrônio?

É como se um restaurante terceirizasse a sua cozinha e, ao final do contrato, todos os garçons, cozinheiros, chef‘s e maitres fossem embora e levassem todas as receitas e os estoques da despensa.

Será que corremos o risco de ficarmos na mão de um único gestor (Paulo Carneiro)?

Paralelo ao trabalho que será desenvolvido pela empresa contratada, o EC Bahia precisa desenvolver competências para (eventualmente) reassumir a gestão do seu principal negócio: o futebol!

Esperamos que o ditado popular “pra quem tá se afogando no rio, jacaré vira tronco.” não se aplique ao tricolor. Artigo da Associação Bahia Livre