Confusão na assembléia do Esporte Clube Bahia

Estranha, essa é a palavra que pode descrever o que foi a reunião do conselho deliberativo do Esporte Clube Bahia, na assembléia que definiria algumas mudanças no estatuto do clube como eleições diretas a partir de 2011.

Contando com a presença de todos os cardeais como Paulo Maracajá, Marcelo Guimarães, Petronio Barradas, Ruy Aciolly, entre outros, a reunião comprovou, mais uma vez, que ninguém se entende no Tricolor.

Antes de dar início à assembléia, o atual presidente pediu um minuto de silêncio em homenagem aos sete torcedores falecidos na tragédia da Fonte Nova. Pois a harmonia parou por ai. Mal teve início à sessão, no primeiro debate mais acirrado, com pessoas falando ao mesmo tempo, Petronio afirmou: “Se continuar esse furdunso vou dar por suspensa a assembléia. Se foram ficar aqui agredindo a mesa eu não vou deixar.” Já dava para perceber qual era a intenção da diretoria.

Ânimos acalmados, e a palavra foi dada ao advogado Ademir Ismerim, um dos representantes do acordo firmado entre direção e as organizadas Bamor e Povão, que estava em pauta na assembléia. Após Ismerim terminar o discurso em que explicou quais tópicos seriam votados, como a retirada do valor de R$ 250,00 para que o torcedor possa se associar, alguns sócios pediram a vez para falar. Não houve respeito na ordem definida de quem teria a voz primeiro, quando um associado tomou a frente e falou: “De maneira nenhuma as torcidas organizadas podem decidir o que o restante da torcida quer.” Na mesma hora, o presidente da Bamor, Jorge Santana, retrucou com rispidez; “então invada você o Fazendão, vocês só sabem falar!” vociferou, sendo contido em seguida. Porém, o estrago estava feito. Muitos torcedores levantaram na hora e Petronio, no momento do disse me disse, sugeriu de forma precipitada que: “Quem é a favor da aprovação se levante”.

Neste momento, todos os sócios se revoltaram e levantaram para cobrar mais discussões, sem nenhum sinal de que haveria qualquer atrito físico. Porém, aparentemente aproveitando o ensejo, o diretor de futebol e presidente do conselho, Ruy Aciolly, afirmou. “Vai ter briga!”. Foi o começo do fim, os presentes na mesa diretora se levantaram, Maracajá, inclusive, foi embora de fininho acompanhado dos seus três seguranças com jeito de halterofilistas. Petronio suspendeu a sessão e o bate boca foi geral. Teve empurrão em fotógrafo, jornalista ameaçado, torcedores exaltados e todos perplexos com a situação sem sentido.

A diretoria tentando se justificar de um lado, a oposição tentando entender o motivo da suspensão e ninguém se entendia. Após muita conversa e nenhuma definição, cada grupo se reuniu de um lado a fim de resolver a situação. Depois de muito tempo, o grupo Revolução Tricolor resolveu colher assinaturas dos sócios remidos, a fim de conseguir o número de assinaturas suficientes para poder convocar uma nova assembléia, já que no artigo 12 do estatuto do clube, permite com 1/5 dos associados com direito a votos unidos, podem solicitar. Enquanto o grupo discutia, os cardeais iam saindo pelos fundos tentando não ser vistos e sem dar entrevistas.Saída Vergonhosa

A saída de Petronio Barradas foi uma das cenas mais vergonhosas da história do clube. Um desavisado poderia imaginar que se tratava de algum figurão que estivesse deixando o cárcere. A impressão final foi que faltou malícia aos opositores, já que nada mudou e perderam a chance de colocar sou proposta em pauta com todos os holofotes.
O estatuto continua o mesmo, e as chances de uma nova assembléia com a participação de todos os cardeais parece bastante improvável. Lembrando que, o pleito, que era para ser marcada hoje, será realizado em uma data entre os dias primeiro e quinze de dezembro. As prováveis mudanças no estatuto devem ficar para o próximo presidente, deve ser confirmado o nome do deputado federal Marcelinho Guimarães, que promete uma coletiva até sexta-feira (28). Reportagem de Éder Ferrari do Site Bahia Noticias

Oposição pretende convocar nova reunião

Insatisfeitos com a decisão tomada pela diretoria do Bahia, os membros do grupo de oposição Revolução Tricolor encontraram uma brecha no atual Estatuto Social do clube para convocar uma nova Assembléia. De acordo com o artigo 12 do documento, além do presidente do clube e do conselho deliberativo, a reunião pode ser convocada por 1/5 dos sócios aptos a votar.

O número atual das pessoas que têm esse direito não é revelado pelo Bahia, mas em uma rápida mobilização, ainda na sede de praia, o grupo conseguiu 36 assinaturas. “Se ele (Petrônio Barradas) não soube terminar, nós vamos organizar melhor, se necessário contratar até uma empresa para fazer isso”, disse Leandro Fernandes.

Entre os pontos que a Revolução Tricolor promete colocar em votação estão a eleição direta para 2009, a carência de um ano para o sócio poder votar para presidente e a inelegibilidade de parentes de presidente ou ex-presidentes.

Uma nova manifestação está programada para a tarde de amanhã. Assim como 2006, os torcedores irão realizar uma passeata do Campo Grande à Praça da Sé, com concentração às 15 horas. O encontro não deve ter a presença da Bamor. “Deixa essas pessoas que tumultuaram hoje (ontem) organizarem e participarem lá”, desabafou Julius Bacellar, vice-presidente da torcida.

Torcedor agredido por seguranças

Os tricolores ficaram à frente do portão de entrada, para verificar se todos que estavam entrando eram realmente sócios. Foi quando o torcedor Bruno Araújo alegou ter sido agredido por dois seguranças e ter uma faixa roubada. “Não fiz nada com eles. Mandaram eu sair da rua e disse que iria ficar ali, foi quando um segurança me deu um murro no ombro. Disse que ia denunciar ele, foi quando outro veio por trás e disse: ‘Vai falar que ele te bateu?’ e me deu outro murro”, contou revoltado ao jornal Tribuna da Bahia

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