Em dezembro, eleição é no Esporte Clube Bahia

“Véspera do 5 a 1 que anteontem derrubou Roberto Cavalo e trouxe Ferdinando Teixeira, o quarto técnico do Bahia em quatro meses. Por telefone, de Natal, o diretor de futebol Ruy Accioly logo rebatia, ao ser introduzido sobre o tema: “Brincadeira um negócio desse… Tem que falar é do time. Tá muito cedo para eleição”.

Também presidente do Conselho Deliberativo, cujos 323 membros são os únicos a poder escolher o futuro mandatário do clube, ele chegou a cobrar apuração semelhante no aqui-rival. O problema é que, além de a distância do rubro-negro para o primeiro colocado da Série A ser quase a mesma do tricolor para a zona de rebaixamento da B, o próximo pleito, lá, ocorrerá apenas no final de 2010, segundo explicou o assessor de imprensa do Vitória, Roque Mendes.

E, se por um lado ainda faltam dois meses para as coisas acontecerem no Esquadrão, como o próprio lembrou; por outro, “o cargo é um dos mais importantes do Estado”, conforme ressaltou o ex-craque Bobô, hoje diretor-geral da Superintendência dos Desportos da Bahia (Sudesb).

Não por acaso, a sucessão de Petrônio Barradas – único dos 21 entrevistados a não ser encontrado de jeito nenhum, durante três dias – já mobiliza diversos setores da cidade. E, com o clube já sem chances de acesso em 2008, embora ainda existam nove partidas por jogar, o burburinho do processo tende só a aumentar.

DETALHE – Accioly é exatamente um dos mais comentados a concorrer pelo lado da situação. Acerto prévio entre os caciques Paulo Maracajá e Marcelo Guimarães, do mesmo grupo, mas de correntes divergentes, teria combinado que agora seria a sua vez. Porém, o cartola nega. E promete que não irá se inscrever.

“Se houve algum acordo, eles esquecerem de me consultar. Agora, vou participar da escolha e certamente apoiarei algum candidato”, disse, garantindo não possuir “o menor desentendimento” com Maracajá (situação vira e mexe citada na imprensa), que assegura a recíproca ser a mesma.

Outra semelhança no discurso: ambos se anunciam partidários do “consenso”. Voltando atrás do que declarou em sabatina promovida pelo Grupo A TARDE, no dia 20 de junho, o ex-presidente assegura que não vai mais concorrer. “Deveria se fazer um `chapão´, buscando a conciliação entre as partes, após uma ampla discussão”, afirmou, preferindo não publicizar qualquer nome. “Meu pensamento é ser presidente do Tribunal (de Contas dos Municípios), já que, pelo rodízio estabelecido, eu seria eleito em janeiro com mandato de dois anos, prorrogáveis por mais dois”, concluiu, conselheiro do TCM que é desde 1994.

Tudo para escapar do procedimento administrativo instaurado em julho pelo Ministério Público, acusam pessoas da oposição. Segundo a promotora Rita Tourinho, a mera investigação não lhe impede de assumir o novo cargo no Tribunal. Questão de presunção de inocência.

“Mas o processo está encaminhado e todas as nossas diligências já se efetivaram, como verificar o nome dele em atas de reuniões do Clube dos 13, da gestão 2005-2007. Quanto à quebra dos sigilos fiscal e bancário, a do Bahia já é suficiente e o Banco Central já foi oficiado”, encerrou, referindo à suposta incompatibilidade de funções de Maracajá.

Nomes já começam a aparecer

Primeiro, em meio à Conferência Gigante Tricolor, organizada por setores da oposição, foi o nome do empresário Victor Ventin. Desde lá, entretanto, fevereiro deste ano, que o conselheiro já desmentia a especulação. Para completar, recentemente assumiu a presidência da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb) e, aos amigos, voltou a negar qualquer possibilidade de participar da eleição.

Em seguida, sondagens especialmente radiofônicas versaram sobre o então superintendente regional da TAM, Davidson Botelho. A conversa era de que ele até toparia, mas a companhia aérea acabou de afastá-lo e seu destino, agora, depois de passar férias em Miami/EUA, deve ser trabalhar em Londres/ING. Deixou de ser cotado.

Candidato mesmo, oficial, ainda não há nenhum. Mas o engenheiro Fernando Jorge Carneiro admite repetir a tentativa de novembro de 2005, quando perdeu para Petrônio Barradas por 208 a 56. “Se forem os mesmos nomes de sempre, vou me inscrever e concorrer. Agora, se sair um nome de consenso, totalmente independente, que não seja liderado por corrente alguma nem ninguém, aí sim sou favorável à candidatura única”.

Novamente nos holofotes tricolores durante a invasão do Fazendão, em junho, quando intermediou o acordo por eleições diretas em 2011, ao lado da torcida organizada Bamor, o famoso advogado eleitoral Ademir Ismerim é outro que deve vivenciar de maneira intensa o período sucessório. Inicialmente, refuta o seu nome. Porém, na parte final do papo, já chega a falar como candidato: “Se eu for presidente, vou limpar a área, modernizar o clube e colocar gestores profissionais. Quem entrar deve fazê-lo sem revanchismo, entendendo o valor histórico das pessoas do Bahia de hoje, mas sem esquecer de olhar para frente, de modo que a torcida possa acreditar e ajudar”.

“FARSA” – Questionado sobre a eventualmente criticada relação com Marcelo Guimarães, o que lhe daria vantagem numa possível concialição entre situacionistas e oposicionistas, respondeu: “Comecei a advogar para Marcelo em 1989 e sempre tive uma relação boa, só que já fui também advogado da Bahia toda, seguramente em torno de 90% dos municípios. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Não vou jogar minha biografia no lixo para atender a interesses de A ou B”.

Grupo que mais tem atuado politicamente junto ao clube, o Revolução Tricolor – que semana retrasada protocolou documento no Fazendão solicitando o número total de sócios tricolores, deu prazo de cinco dias úteis e até hoje nada -, diz que vai apoiar alguém, mas prefere esperar. Idem para as torcidas organizadas Bamor e Povão.

Porta-voz dos conselheiros “dissonantes”, Jorge Pires cobra um governo de transição, enquanto o advogado César Oliveira não perdoa a cartolagem e diz que a sua corrente “não vai participar da farsa que aí está”.

Ironias só não batem diretor da CBF

De Binha de São Caetano a Bill Gates, passando por Jesus Cristo, Santo Expedito, Bob Esponja, Capitão Nascimento, Daniel Dantas, Barack Obama, David Coperfield e “Didi Mocó Sonrisal Colesterol”. Até o falecido Roberto Rebouças foi lembrado.

As brincadeiras de uma torcida já sem esperanças – somada à provocação dos rivais, que inúmeras vezes chegaram a pedir a manutenção da diretoria atual – marcaram a pesquisa interativa lançada no portal A TARDE On Line, responsável por uma participação recorde de internautas: 257 em menos de 48 horas.

Porém, se as eleições de 1º a 15 de dezembro fossem hoje, a maioria da torcida estaria apoiando o diretor de competições da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Virgílio Elísio. O presidente da Federação Bahiana na década de 90 recebeu 42 dos pulverizados votos (15,3% do eleitorado) – longe da unanimidade, porém mais que o triplo do segundo colocado Paulo Maracajá (12, ou 4,4%). Ao todo, 35 nomes “sérios” foram citados.

MÉDIO PRAZO – “Cada vez que essas manifestações ocorrem, fico mais, como eu diria, honrado, orgulhoso, alegre e feliz… com o seguinte agravante: são 100% espontâneas. Eu tô no Rio, não falo em rádio e nunca me coloquei como candidato”, comentou Elísio, sem descartar a hipótese: “Tenho um compromisso aqui, de trabalho, mas fico brincando: um dia vou ter de encarar”.

Ex-presidente do rival que, segundo o próprio fez questão de frisar, “foi o que menos perdeu para o Bahia no Barradão, apenas três vezes em 11 anos”, Paulo Carneiro também agradeceu, aproveitou para alfinetar os dirigentes atuais do Vitória e contou que já havia percebido “esse tipo de solideraridade” nas ruas.

A primeira-dama Fátima Mendonça, por exemplo, riu, cutucou a direção azul, vermelha e branca e preferiu indicar o presidente da Ebal, Reub Celestino, enquanto o presidente da FBF, Ednaldo Rodrigues, cobrou gestão profissional no Bahia e o ídolo Elizeu Godoy indagou, sobre se tornar o mandatário tricolor: “Quem não gostaria?”.

APURAÇÃO
1º Virgílio Elísio – 42 votos
2º Paulo Maracajá – 12 votos
3º Fernando Jorge e Rui Cordeiro – 9 votos
4º Paulo Carneiro – 8 votos
5º Fátima Mendonça e Márcio Martins – 7 votos
6º Bobô, Edmilson “Pinto” Gouveia e Nizan Guanaes – 6 votos
7º Reub Celestino – 5 votos
8º Emílio Odebrecht, Fernando Schimdt e Ruy Accioly – 3 votos
9º ACM Neto, Euclides Almeida, Ednaldo Rodrigues, Elizeu Godoy, Petrônio Barradas, Victor Ventin e Zenildo Rodrigues – 2 votos

10º ACM Júnior, Ademir Ismerim, Adriano Miranda, Antonio Pithon, Beijoca, Cláudio Jambeiro, Edson Marinho, Edmundo Franco, Eduardo Ramos, Francisco Mendonça, Marcelo Zollinger, Rosalvo Castro, Valmir Assunção e Zé Eduardo – 1 voto

Fonte: Pesquisa A TARDE On Line de 2 a 3/10

Poder tem se alterado pelo País

Um idêntico grupo político controla o Bahia há pelo menos 29 anos. Salvo um breve intertíscio entre 1996 e 97 – para quem exclui da lista o mandato de Antônio Pithon, também bastante influenciado pela cúpula -, apesar de já ter alcançado a Série C do futebol brasileiro e estar há seis temporadas sem um título sequer, são invariavelmente os mesmos desde a saída de Fernando Schmidt, em 79.

O que chama a atenção, todavia, é que nas grandes agremiações do País a situação vem deixando de ser verificada. Paulatinamente, de uma forma ou de outra. Até o Vasco, quem diria, já não é mais tocado por Eurico Miranda, derrotado nas urnas após intervenção da Justiça fluminense, ao constatar irregularidades na eleição anterior.

No Corinthians, Alberto Dualib deixou de ser eterno, investigado pelo Ministério Público Federal depois da polêmica e frustrada parceria com o fundo de investimentos MSI. Terminou denunciado por crimes contra o sistema financeiro e renunciou.

PEDAGOGIA – A saída foi a mesma para o ex-presidente do Atlético Mineiro, Ziza Valadares, que não resistiu à revolta da torcida enfrentadas tantas decepções no ano do centenário. No último dia 19 , também sob apuração do MP, entregou o boné e deixou o Galo para outro atleticano.

No Coritiba, assim como no Botafogo, por exemplo, o rebaixamento à Série B foi “pedagógico”. Trocou-se o mandatário, reformou-se o estatuto e a equipe coincidentemente foi evoluindo dentro das quatro linhas.

Gigantes do Sul, Grêmio e Inter são os clubes brasileiros com o maior número de sócios em dia: 48 e 53 mil, respectivamente. No Palmeiras, Mustafá Contursi saiu, democratizou-se o Verdão e o líder da Série A, hoje, vive efervescente momento eleitoral.

CITADOS PARA COMANDAR A NAU AZUL, VERMELHA E BRANCA SE MANIFESTAM

“Cada vez que essa manifestação ocorre, fico mais honrado, orgulhoso, feliz… Tenho um compromisso aqui, de trabalho, mas fico brincando: vai ter um dia que vou ter de encarar”

Virgílio Elísio, diretor de competições da CBF

“Meu pensamento é ser presidente do Tribunal, já que há um acordo e, em janeiro, eu seria eleito por dois anos. Para o Bahia, desejo um candidato de consenso, entre situação e oposição”

Paulo Maracajá, conselheiro do TCM

“Se forem os mesmos nomes de sempre, vou me inscrever e serei candidato. Se sair um nome de consenso, totalmente independente, aí, sim, sou favorável a uma candidatura única”

Fernando Jorge Carneiro, engenheiro e oposicionista

“Existem bonsnomes e destaco Fernando Schimidt, Virgílio Elísio, Victor Ventim e Valmir Assunção. Já fui candidato pelas eleições diretas e aposto nisso”

Rui Cordeiro, administrador e ex-vice-presidente social

“Fico honrado de ser lembrado, é sinal de que minha passagem no futebol não foi em vão. Espero que o Bahia possa encontrar uma pessoa que devolva o otimismo ao seu torcedor”

Paulo Carneiro, ex-presidente do Vitória

“Ninguém agüenta mais. O mundo todo tá querendo e promovendo democracia, e o Bahia fica nessa situação… Não dá para mim (risos), mas tenho um nome ótimo: Reub Celestino”

Fátima Mendonça, primeira-dama do Estado

“Já sou sócio, mas agora não tenho a menor condição de enfrentar a diretoria do jeito que as coisas tão, da maneira que o Conselho é dividido. Se a eleição fosse direta, aí, sim, topo”

Márcio Martins, radialista

“Nunca pensei sobre o assunto, embora nas ruas, nos e-mails que recebo e nos lugares onde viajo escute isso. Gostaria que a eleição fosse direta… O processo é muito complicado lá”

Bobô, ídolo histórico, hoje diretor da Sudesb

“O Bahia precisa de união, mas que ela seja de pessoas sadias. Acho que o grupo atual tem que perceber que não são mais pessoas benquistas pela torcida. A torcida quer e pede mudança”

Edmilson Gouveia, `o Pinto´, oposicionista

“A mudança pode e deve ser feita por um grupo de pessoas com o interesse de resolver as questões do Bahia. Não aceitaria assumir como uma solução para interesses pessoais”

Reub Celestino, presidente da Ebal

“Já fui perguntado e sempre disse que não sou candidato e não vou ser. Se houve um acordo entre Paulo e Marcelo, eles esqueceram de me consultar. Agora, vou participar da escolha”

Ruy Accioly, atual diretor de futebol

“A gente não pode perder esse momento, que deve ser de transição, e aproveitar a eleição para encerrar a fase de um modelo que se esgotou. Isso ocorreu no Brasil, pós-ditadura militar”

Fernando Schmidt, chefe de gabinete do governador

“Pode ser eu, Fernando Jorge, Reub… desde que, quem quer que seja, tenha o compromisso de fazer a união das oposições sem desprezar o atual grupo da situação”Ademir Ismerim, ex-vice- presidente jurídico”Nelson de Barros/Jornal A Tarde

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