Traffic estende seus tentáculos na Toca do Leão

O termo “parceria” se entranhou nos noticiários esportivos. Os clubes têm adotado acordos com grandes conglomerados ou grupos de investidores, a fim de negociar suas promessas e conquistar contratos efêmeros com talentos do futebol brasileiro. O Vitória aderiu à tendência no seu retorno à Série A. Finanças no vermelho, abriu as portas da Toca à Traffic para entrar no concorrido mercado da bola.

Conseguiu os empréstimos gratuitos de Guilherme, o ex-Muriqui, Dinei e Osmar, e trata da venda de parte dos direitos federativos de Marquinhos e Willans. A contrapartida é a possibilidade iminente de perder atletas. Ao primeiro sinal de proposta vantajosa, uma negociação entra em curso, muitas vezes à revelia do “clube-hospedeiro”.

“Infelizmente, é uma coisa que vem acontecendo no Brasil, não só aqui. Com o advento da Lei Pelé, os investidores detém o dinheiro, não os clubes”, pondera o presidente do Esporte Clube Vitória, Alexi Portela Júnior. O dirigente admite que a empresa tentou melar o empréstimo de Dinei ao Celta de Vigo, da Espanha. “Eles até intercederam para reverter a situação”.

Por enquanto, a relação é apenas comercial, mas existe a possibilidade concreta de evoluir para uma parceria formal. “Queremos que eles nos ajudem a montar o time para 2009, com vantagens para clube e para a empresa”, anuncia.

Mas quem é esse gigante que vem estendendo seus tentáculos em diversos segmentos e agora se aproxima do Vitória? A Traffic Football Management foi fundada pelo jornalista J.Hawilla há 25 anos e tem o parceiro Palmeiras na sua linha de frente.

E com o fim da sociedade com a TV Bandeirantes, em dezembro de 2001, é o principal nome do mercado de investimentos no futebol brasileiro. “A maior empresa de marketing esportivo da América Latina”, propaga seu site oficial. “Gerencia clubes no Brasil e nos EUA e lidera grupos de investidores na carreira de jovens jogadores”, incrementa. Trocando em miúdos, administra interesses de atletas, e os compra e vende para obter lucro.

“São duas as linhas de empreendimentos nesse sentido”, garante o assessor de imprensa, Roberto Benevides. A Traffic Talentos trabalha as carreiras de aproximadamente 90 jogadores – dentre eles, Ilsinho (Shaktar), Hernanes (São Paulo), Leandro Bonfim (Vasco) e Leandro (Palmeiras). Mas o braço armado da empresa é mesmo a figura da “sociedade por projeto específico”. O projeto da vez se desdobra através da Cedro Participações, criada exclusivamente para a negociação de jogadores.

Funciona como um grupo de investidores. A Cedro arrecadou R$40 milhões entre cotistas, quantia utilizada na contratação de 34 atletas. O grupo de observadores gerenciado pelo ex-zagueiro uruguaio Dario Pereira identifica novos talentos e boas apostas. Só no Palmeiras estão Diego Souza, David, Gustavo, Jumar, Lenny e Sandro Silva. A empresa permanece ativa até a negociação de todos eles, no período de três anos. Excedido o prazo, uma assembléia se reúne para decidir os rumos de quem restou.

Lucro é jogada certa

Para os “acionistas”, jogador é sinônimo de investimento, numa lógica de mercado que pouco respeita os interesses dos clubes. Qualquer proposta financeiramente vantajosa é suficiente para tirar da equipe o talento em ascensão. O caso do zagueiro Henrique é emblemático. Promessa do Coritiba, foi contratado por R$5 milhões e repassado ao Palmeiras.

Quatro meses sob o comando de Luxemburgo e o Barcelona pagou R$25 milhões por ele – valorização de 400%. Conforme contrato, os paulistas têm 20% do valor total.

Mas essa não é a única modalidade de negócio. É corriqueiro ver a empresa adquirir parte dos direitos federativos de atletas. Hernanes pertence 25% à Traffic e outros 75% ao São Paulo. As transações envolvendo Marquinhos e Willans seguem essa tendência.

A diretoria do Vitória estendeu o prazo, mas acredita que o martelo pode ser batido na semana que vem, apesar de a imprensa paulista ter anunciado ontem o desfecho da compra de Marquinhos. Os dois terão entre 30% e 35% dos direitos econômicos vendidos, mas ficam no clube até o final do Brasileiro. Além de investir em jogadores, a Traffic também comercializa os direitos de transmissão de competições como Copa América, Eliminatórias, Libertadores, copas Sul-americana e do Brasil. Eduardo Rocha do Correio da Bahia

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