Quebrado sigilos bancário e fiscal de Maracajá

Atendendo solicitação do Ministério Público estadual, a juíza da 10ª Vara Cível, Maria de Lourdes Araújo, determinou hoje (23) a quebra dos sigilos bancário e fiscal do conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), Paulo Maracajá. O conselheiro é alvo de um inquérito civil instaurado pelo procurador-geral de Justiça Adjunto para Assuntos Jurídicos do MP, Carlos Frederico Brito dos Santos, que apura se Maracajá exerce paralelamente à função pública a “atividade clandestina” de co-gestor de uma instituição privada (o Esporte Clube Bahia).

Segundo o procurador adjunto, a medida requerida à Justiça visa a instrução do inquérito civil que se encontra em curso na Procuradoria, que ficará suspenso até a entrega das informações pela Receita Federal e pelo Banco Central. Desde o último dia 1º de julho, Carlos Frederico está tomando depoimentos de algumas pessoas que, até agora, confirmam a ingerência do conselheiro do Bahia. Ouvido hoje, o radialista Antônio Fernando Tillemont Fontes afirmou ao procurador adjunto que, em 1994, quando Maracajá já era membro do TCM, ele presenciou o conselheiro discutindo assuntos administrativos com o então presidente e o treinador do time. Naquele mesmo ano, afirmou Tillemont, Maracajá emitiu cheque para pagamento de salário dos jogadores. Esses fatos levaram o radialista a protocolar denúncia no TCM, na qual ele diz que noticiou que Maracajá continuava, de fato, tomando decisões administrativas e freqüentando diariamente as dependências do clube.

Um dos autores da representação que motivou a abertura do inquérito, Jorge Antônio de Cerqueira Maia afirmou em seu depoimento que é do seu conhecimento que Paulo Maracajá costuma freqüentar o “Fazendão” pela manhã e o TCM à tarde. Além disso, disse o depoente que quem negocia a contratação dos jogadores do time é o próprio Maracajá, que, “costuma utilizar o seu cartão de crédito para pagar despesas do Bahia”. A mesma informação foi apresentada por Ivan Jorge de Carvalho que disse ter ouvido, durante a ‘Conferência Grande Tricolor’ realizada no Centro de Convenções, um empresário de Minas Gerais dizer que muitas despesas do ‘Esporte Clube Bahia’ eram pagas pessoalmente por Maracajá, mediante cartão de crédito e cheques de sua conta pessoal. Foi também nessa conferência que Fernando Antônio Gonzalez diz ter presenciado o empresário de Minas afirmar a mesma coisa.

Segundo o radialista Márcio Martins, Maracajá integra um grupo de quatro pessoas (ele, Marcelo Guimarães, Petrônio Barradas e Ruy Acioly), “que exercem efetivamente o poder de indicar e contratar os atletas do Bahia”. Para Ivan de Carvalho, o Bahia tem dois presidentes: “Maracajá é o que manda e Petrônio Barradas é o que obedece”. A “subserviência” existente nessa relação foi destacada por Fernando Gonzalez e nos depoimentos de Emanuel Vieira, Jorge Maia – que sugeriu que Petrônio tem uma “fidelidade canina” a Maracajá – e Ivan de Carvalho – que afirmou existirem fatos notórios que indicam a subserviência de Barradas em relação a Maracajá, sendo um deles a nomeação de Petrônio para a função de assessor do conselheiro no Tribunal de Contas.

Ainda em seu depoimento, Carvalho afirmou ainda que, em 2006, o então técnico do Colo-Colo confessou ter recebido uma proposta de Maracajá para treinar o Bahia, e que Maracajá representa o time no ‘Clube dos Treze’, mesmo depois de assumir a sua função no TCM. A atuação de Maracajá no Clube motivou o procurador adjunto a solicitar as atas das assembléias gerais e o estatuto ao presidente do Clube, que já as entregou ao MP.

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