Paulão mordeu direitinho a isca

Prof. Gadamer é muito claro quando afirma: “a chamada pergunta retórica é pergunta apenas na forma, sendo na realidade uma afirmação”. O incrível Paulão mordeu direitinho a isca, ao perder o nada de paciência que nunca teve.

O homem dá os traços do Hulk quando Bruce Banner se altera e começa a se transformar no monstro verde. O gigante faz bobagem quando se estressa e alimenta a resenha que gasta e desgasta a imagem do administrador competente.

Estamos de volta aos velhos tempos da confusão formada às vésperas da decisão de um título, coisa que o próprio Hulk rubro-negro afastou, com todas as armas que dispunha, quando esteve à frente do Forte Barradão.

Parece que foi outro dia que tudo recomeçou, quando Luiz Britto deu um furo em todo mundo, pela Tribuna da Bahia, e noticiou a concentração do Vitória em Belo Horizonte, às vésperas da decisão do título de 1989.

Consciente da tradição, o grandão combinou com Ademarzinho e o time se preparou em Minas. Quem quisesse fazer suas perguntinhas retóricas que gastasse o dinheiro da passagem para cobrir os treinos em Belo Horizonte.

INDENIZAÇÃO

O Vitória foi campeão em uma noite fria de um empate em 0 a 0, dando início à seqüência que mudou o perfil de clube tumultuado, inseguro, treme-treme, para um time mais associado à idéia de um Hulk, um gigante difícil de ser batido.

Pois a isca que o Hulk mordeu era muito óbvia. Faltou um pouquinho de inteligência emocional para responder de forma polida sem alterar, pois, afinal, a quem interessa perturbar o ambiente rubro-negro no quadrangular final em que o time largou na frente?

Mais que prejudicar o time, por conta da dívida cobrada na Justiça, por alegados danos morais, salvo engano, o Hulk da Toca ajudou a esquentar o noticiário, que migra da melhora no toque de bola do Vitória de Mancini para a briga de bastidores.

Como defende o prof. Gadamer, o caráter interrogativo da pergunta retórica torna-se afirmativo e confirmativo, pois pela pergunta já se antecipa a resposta comum. “A configuração formal em que o dito se mostra no não-dito é a referência à pergunta”.

Nesta situação, a função hermenêutica da pergunta repercute no sentido do enunciado, o de ser, em si, já uma resposta. Óbvio que uma audiência na Justiça reivindicando o pagamento de milhões de indenização não vai ajudar o Vitória. O Hulk entendeu.

COINCIDÊNCIAS

Só que, em vez de manter a frieza de Bruce, voltou a esgarçar a roupa, a avolumar o tórax, inchar o pescoço e se permitir a ‘má-criação’ que faz a festa de seus adversários e, por tabela, dos adversários do Vitória, pois uma celeuma com seu ex-presidente tem repercussão.

Inteligente, percebeu que o sentido do discurso jazia no enunciado da pergunta. Animal, reagiu de forma instintiva, como um calango acuado por microfones em uma suposta caça midiática na trilha do Ribeirão do Meio.

Embora o Hulk tenha dado toda a razão para ser mais uma vez caçado nas infovias, vale reparar que nesta história não tem ninguém santinho. É importante observar a malícia da pergunta retórica, aparentemente apenas uma pergunta, mas algo que encerra uma idéia.

O que se observa é um inquietante flash-back, como aqueles que passavam na Rádio Cruzeiro de antigamente, quando os transmissores eram na Ilha de Itaparica. O Vitória volta a ser alvo na reta de chegada de um título, como tinha deixado de ser na era Hulk, pós-1988.

Se os métodos do gigante nervoso são condenáveis, não se pode negar que o homem está longe de ser um coroinha ou pastor. Mas não se deve deixar de contextualizar o clube em uma história de estranhas coincidências midiáticas às vésperas de decisões.


Do Blog – Paulo Leandro

Título original: Da força vive o Hulk!

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