Os velhinhos do Vitória estão esbanjando disposição

Somando as idades de Marcelo Batatais, Jackson e Ramon Menezes, são 102 anos de história. Seria um prato cheio para os rivais perturbarem o juízo dos torcedores rubro-negros com a idade avançada dos seus jogadores, se não fosse a competência e raça demonstradas pelos veteranos.

Asilo, só fora do Barradão. Ultimamente, os três atletas têm dado uma aula de saúde nos mais novos. Prova maior foi no último duelo, diante do Paraná, válido pela Copa do Brasil. Enquanto Batatais tentava segurar o poder ofensivo dos paranistas, Jackson e Ramon foram os raçudos do duelo que terminou 2 a 1 para o Leão. De quebra, ambos fizeram os gols rubro-negros.

O vovô da turma nem parece ter 36 anos completos. Ramon Menezes tem sido a peça-chave no meio-campo vermelho e preto. Mesmo correndo o tempo todo, o atleta dificilmente é visto cansado, como pode ser percebido com outros atletas mais jovens, como Bida e Carlos Alberto. “O segredo é sempre jogar. Não pode parar de jogar bola. Mantendo o ritmo, é juntar a técnica com o entrosamento físico”, receitou o craque.

Com a experiência de 18 anos de carreira, idade do meia Marquinhos, Ramon não esconde suas novas funções no grupo: professor e conselheiro. “Procuro sempre os mais jovens para conversar e ajudar na sua carreira. Os garotos precisam de apoio e conselhos. E aqui no Vitória, o trabalho é maior, pois revela muitos talentos. É um clube que já sabe trabalhar com os jovens, mas não custa uma ajudinha nossa”, disse o meia.

Ramon ainda terá um gostinho especial no próximo domingo, contra o Itabuna. Se dizendo realizado em vestir pela terceira vez a camisa rubro-negra, Menezes vai completar o centésimo jogo defendendo o Leão. Artilheiro e ídolo do clube ainda terá a chance de aumentar seu número de bolas na rede, atualmente com 55 tentos.

Fominha – Jackson ainda está longe de chegar ao jogo 100 com o Vitória. Mas, assim como seu companheiro no meio, não pára de esconder a satisfação de vestir a camisa rubro-negra. E, com seus 34 anos, Jackson assegura que continua com a mesma garra de quando começou a carreira profissional, em 1993.

“Quando o atleta se cuida, a experiência só ajuda. O lado psicológico conta muito e é normal uma vez ou outra entrarmos mal em campo. Entretanto, nessa hora a minha experiência conta muito na hora de conter a emoção”, disse o meia, assegurando que o lado físico e mental devem permanecer em harmonia.

Jackson disse que o seu segredo é simples: fome de bola. “Um jogador que quer ter uma carreira longa precisa ser fominha. Eu dificilmente machuco e só fico de foras dos jogos quando recebo suspensão. Pra falar a verdade, nem gosto de ser poupado para jogos menos importantes. Quero entrar em campo em todas as partidas”, disse o empolgado Jackson.

Com seu jeito sério, Marcelo Batatais diz que a experiência conta principalmente na preocupação pós jogo. “A garotada fica triste com o resultado negativo, mas nós, mais velhos, sempre ficamos mais irritados com as falhas. Eu só fui conseguir dormir 4 horas da manhã, assim mesmo mal. Não gosto de perder, principalmente vendo que fomos melhor”, confessou Batatais.

Sobre a evolução do time, Jackson, Ramon e Batatais concordam que o Vitória está diferente nas mãos de Vágner Mancini, mesmo todos admitindo ter sido bom a era de Vadão. “Mancini gosta muito de conversar conosco. É baseado nisso que ele trabalha nosso lado psicológico. Muita gente no elenco, antes calado, já tira dúvidas e conversa com a comissão técnica. Pode não parecer, mas isso ajuda muito nos jogos. O Leão é outra cara”, filosofou Batatais.A Tarde

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