No Vitória, Joãozinho apaga fama de rebelde e vira ídolo

Filho do lendário ponta do Cruzeiro se reabilita em Salvador, mas não pensa em fincar raízes no clube baiano.

Joãozinho, o pai, envergou a camisa de um único clube por 14 anos. Entre 1972 e 1986, o ponta-esquerda disputou 482 partidas, marcou 116 gols e até hoje é reverenciado como um dos maiores ídolos da história do Cruzeiro.

Destaque do Vitória na Série B, Joãozinho descansa durante treinamento do Vitória Joãozinho, que virou ídolo da torcida após o retorno à Série A, finaliza durante treino

Por muito menos, Joãozinho, o filho, também virou ídolo no Vitória. Ele é o artilheiro do time na temporada, com 35 gols, e também da Série B, com 18.

Considerado o principal jogador do time na campanha que culminou com o regresso à Primeira Divisão, ele promete cumprir o contrato até o final do ano que vem. Mas ao contrário de seu pai, não pretende fincar raízes.

“Com o Vitória na Série A, com certeza posso chamar a atenção de um clube do exterior e do técnico da seleção brasileira”, acredita o atacante, que já vestiu a camisa canarinho nas categorias sub-15, sub-17 e sub-20.

Joãozinho chegou ao Vitória estigmatizado como um jogador rebelde. A fama, segundo ele foi adquirida no Cruzeiro, com seguidas expulsões e por causa de uma briga com o técnico Wanderley Luxemburgo. “Diziam que eu não era jogador de grupo, que só pensava em mim, mas quem me conhece sabe que não é nada disso”, defende-se.

De posse de seus direitos federativos, Joãozinho passou pelo Brasiliense antes de chegar ao Vitória pelas mãos do técnico Mauro Fernandes. Na Toca do Leão, é considerado um jogador exemplar. Qual o motivo de tão rápida transformação?

“Cansei de ver jogadores que começaram comigo se destacando no exterior e na seleção enquanto minha carreira só andava para trás”, conta, citando como exemplos Ronaldinho Gaúcho, Geovani, Luisão e Cris.

Aos 27 anos, o artilheiro do Vitória se considera mais maduro, a ponto de apontar a regularidade como sua principal virtude na temporada. Enquanto Índio, Sorato e Edílson entravam e saíam, Joãozinho manteve-se firme como titular do começo ao fim da Série B.

E para ele, a mudança de postura e a tomada de consciência foram fundamentais para o êxito. “Eu não entro mais em campo pensando em arrebentar. Prefiro jogar um futebol nota 7 em todas as partidas, que ganhar 10 hoje e zero amanhã”.

A sombra do pai já não o incomoda mais. Em Belo Horizonte, Joãozinho aplacou as críticas do “mais chato de seus fãs”.

“Meu pai é a pessoa que mais me cobra. Ele quer que eu seja melhor que ele, que eu tenha mais reconhecimento que ele teve. Só que de uns tempos pra cá ele só faz me elogiar”, contou o jogador.

Luís Antônio Abdias, especial para o Pelé.Net

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