Novo empate, velho golpe na torcida do Bahia

Diante de quase 60 mil torcedores, o Bahia empatou com o Atlético-GO por 1 a 1 na tarde deste domingo, na Fonte Nova. Foi o terceiro empate em cinco partidas da equipe de Arturzinho no octogonal final da Série C.
Neto Potiguar anotou o primeiro gol para o Bahia aos 3min do primeiro tempo. O time goiano chegou ao empate aos 16min, numa jogada de Marquinhos. A bola desviou no volante Rogério e enganou o goleiro Márcio Angonese.
Precisando vencer na tentativa de assumir o primeiro lugar na tabela do octogonal decisivo da Terceira Divisão, o Bahia pressionou bastante o Atlético na etapa final, mas não conseguiu marcar o segundo.
O placar final deixou a equipe baiana provisoriamente na segunda posição, com 16 pontos em nove jogos. É o mesmo número de pontos do Vila Nova, que derrotou o ABC no sábado por 3 a 0, com dois gols do artilheiro Túlio Maravilha.
A partida começou com o Bahia marcando sob pressão. Logo no primeiro lance de perigo, a equipe baiana foi fatal. Em uma jogada construída pela esquerda do ataque, Elias driblou o lateral Dida, foi à linha de fundo e cruzou para Neto Potiguar completar de cabeça: 1 a 0 Bahia, aos 3min de jogo.
A festa nas arquibancadas da Fonte Nova, contudo, esfriou 13 minutos depois. Aproveitando uma falha de posicionamento da defesa do Bahia, Marquinhos entrou pela direita do ataque, fez o drible e chutou cruzado. A bola desviou no volante Rogério e foi parar no fundo do gol de Márcio Angonese, que não pôde fazer para evitar o empate.
Time não quer a nação tricolor feliz
Começa o ritual. As demonstrações de fé são encaradas como decisivas. Camisas, bandeiras, faixas e outros acessórios cênicos dão vida a cada espaço nos assentos de concreto em fila, sucessivas, cada uma em um plano mais elevado que a outra. Exatos 60.898 ingressos esgotaram-se com antecedência, recorde absoluto do campeonato, embora Bahia x Atlético-GO seja válido pela Série C, o que significa a última divisão do Brasileiro. Terra batizada como onde filho chora e mãe não vê.
A aglomeração, o povo espremido, dá a idéia de que a massa está estática. Mas ela pulsa, energiza, vibra e dá vida ao gigante de cimento armado. Milhares de tricolores rumaram para a Fonte Nova assim, hipnotizados pela tradição, o que dificulta ainda mais o acesso do torcedor à antiga e mal-conservada praça esportiva. Filas no balcão, goteiras, sanitários com odor de urina, exato oposto ao que espera a Fifa daqui a sete anos dos palcos das sedes de sua Copa do Mundo.
Depois de muito custo e uso de atalhos, já foi possível estacionar o carro, descer do ônibus ou se aproximar do destino a pé. “Estamos com sorte”, comunga a maioria, sob consumo de adrenalina. Hipnotizada.
No principal portão de entrada, vizinho ao estacionamento do desterro, colado à praça esportiva, quem vê de cima, atrás do gol do placar, já do lado de dentro, aliviado, enxerga série de bretes, os corredores estreitos que guiam o gado no curral. E o estádio já cheio ainda aguarda uma multidão a entrar. Para ficar lotado. Como coração de mãe, que sempre recebe mais um. Com amor e carinho. Apinhado.
Muitos ficam no anel inferior, próximo às cabines de rádio, ao lado de Fiel e Povão, muitos do outro lado, no anel superior, junto à Bamor, muitos atrás do gol da Ladeira da Fonte das Pedras, em cima, embaixo, nas grades, corredores, escadas. Muitos continuam sem lugar. Muitos vão assistir de pé. “Aqui dá sorte. Comigo aqui o Bahia ganha”, confia-se cegamente.
A partir dos 40 do primeiro tempo, centenas partem para comprar cerveja ou expelir outro líquido consumido durante a tarde. Partida empatada por 1×1: Neto Potiguar fez, Rogério também; porém contra. Que dureza.
Na arquibancada superior, nas cadeiras e na Tribuna de Honra, é mais fácil resolver a urgência de ambos problemas físicos. Mas a maior parte dos 60 mil pagantes ora para dar tempo de soluciar tudo nos 15 minutos sem bola em um dos seis bares ou 14 sanitários químicos das arquibancadas. Dois sanitários foram reformados há poucos meses, contudo, a maioria, digamos, respeita a tradição. O futebol respira o lado emocional.
O que temos é um formigueiro humano, aconchegado pela paixão a um clube que há cinco anos não conquista nada. Nem turno de Campeonato Baiano, estadual que já ganhou por 43 vezes. Aquele que perdeu a graça e faz tempo não dá o ar de sua graça.
Temos também um ambiente onde se misturam universos distintos, pessoas que jamais vão se cruzar na vida, exceto ali. Gente que pula, canta, esgoela-se em comunhão. A velha Fonte Nova compartilha seus espaços entre quem não conhece a face social do glamour com outros abastados.
Ingênuos, estrategistas, tricolores. Lado a lado, todos em sincronia com amor mal-correspondido. É o terceiro empate em cinco jogos como mandante no octogonal. O Bahia não deslancha na Série C, o que significa a última divisão do Campeonato Brasileiro. Terra batizada como onde filho chora e mãe não vê. Mas todos mantêm tradição perpetuada pela fé.
BAHIA 1 X 1 ATLÉTICO (GO)BAHIA Márcio; Luciano Baiano, Alisson (Eduardo), Rogério e Adílson; Fausto, Emerson Cris, Danilo Gomes (Inho) e Elias; Neto Potiguar (Ednei) e Moré Técnico: Arturzinho
ATLÉTICO (GO) Márcio; Dida, Gilson, Rafael e Maycon; Pituca, Claudinho Baiano, Lindomar e Luis Carlos Capixaba (Robston); Marquinhos (Délmer) e Anaílson (Maia) Técnico: Flávio Lopes
Data: 11/11/2007 Local: Fonte Nova, em Salvador (BA) Árbitro: Leonardo Gaciba da Silva (RS) Assistentes: Marcelo Bertanha Barison (RS) e Katiúscia Mayer Berger Mendonça (ES) Renda: 540.060,00 Público: 60.898 pagantes Cartão amarelo: Marquinhos
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Nacional 1 x 3 Bragantino Crac-GO 2 x 1 Barras
Classificação após a rodada – Aqui
Uol/Correio da Bahia/Adaptados

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