Duda Sampaio: Entenda o que aconteceu com Cléber meio de campo do Bahia

Pegou a todos de surpresa o problema apresentado pelo jogador Cléber em Natal, mas as coisas acontecem assim mesmo.

O Acidente Vascular Cerebral ou AVC (atualmente algumas escolas preferem chamar de Acidente Vascular Encefálico ou AVE) é assim chamado porque ocorre algum problema circulatório em alguma artéria cerebral (não existe AVC em veia). Existem dois tipos básicos: o acidente hemorrágico e o acidente isquêmico.

O hemorrágico, como o nome diz acontece quando há a ruptura de algum vaso; o sangue extravasa para o cérebro e começa a comprimí-lo (lembremos que o cérebro fica dentro do nosso crânio, uma estrutura rígida e não elástica); em pouco tempo a própria hemorragia se contém, formando um coágulo, e este coágulo, a depender do seu tamanho, pode causar sofrimento no tecido cerebral (o tecido cerebral é o único tecido do corpo que não se regenera sozinho, uma vez lesionado, já era); este tipo de acidente está muito associado à hipertensão arterial e aos aneurismas.

O acidente isquêmico acontece quando há alguma falha na circulação sanguínea, e alguma artéria fica obstruída; o trecho que é abastecido por aquele vaso perde a nutrição e morre. Este tipo de acidente geralmente está associado ao diabetes ou a doenças que causam a formação de trombos (coágulos) que circulam pelo corpo até parar em um vaso pequeno e o obstrui (se parar no pulmão, pode causar a embolia pulmonar; se parar em alguma artéria coronária, causa o infarto).

O acidente hemorrágico é mais fatal; o isquêmico, o que mais deixa seqüelas.

No caso de adultos jovens, a principal causa são os aneurismas. Aneurismas são má formações arteriais, caracterizadas pela formação de uma bolsa (um saco) na parede de uma artéria. A artéria é uma verdadeira obra-prima da natureza: é um tubo formado por 4 camadas, com musculatura própria; quando há uma pequena falha em alguma destas camadas, o sangue, devido à pressão começa a chocar-se nesta falha e empurra aquele pedaço da artéria para fora, formando o aneurisma; o sangue naquele ponto vira um turbilhão ao invés de passar reto, forçando ainda mais a artéria para fora, até chegar um ponto em que a parede se afina e rompe.

Neste caso não há como saber previamente se uma pessoa tem ou não um aneurisma, a menos que ele seja achado em algum exame de rotina. No caso de um aneurisma cerebral, pode ocorrer da pessoa sentir dor de cabeça constante e na investigação descobre-se a doença.

Quando ocorre, caso o paciente não seja operado de imediato pode vir a falecer. A cirurgia consiste em abrir a cabeça e retirar o coágulo, descomprimindo o cérebro e impedindo a morte celular; caso o aneurisma seja identificado, também é feita a sua remoção.

A depender da área afetada, do seu tamanho, do tempo em que ficou sem receber sangue, as seqüelas podem até não acontecer.

Acredito que neste caso o atleta não volte mais a jogar bola, mas o mais importante é estar vivo, não é?

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