Atacante Charles vive dia de herói do Bahia

Raudinei ou Charles? A pergunta já ganhou as ruas da cidade, mas quem esteve na Fonte Nova no domingo passado garante que não há dúvida: a circunstância dramática garante ao atual atacante maior status. É mesmo complicado competir com gol aos 50 minutos do segundo tempo, quando tudo indicava outro ano amargo na Série C do Campeonato Brasileiro.

O gol do título do Campeonato Baiano de 1994 sobre o maior rival está na história, mas só o tempo dirá se será superado pelo da classificação ao octogonal decisivo da terceirona 2007. Chamado a opinar, Charles pondera: “O de Raudinei foi importante pelo campeonato, mas eu espero que todo o mundo lembre do meu depois que o Bahia voltar à Série B”.

Seja como for, o atacante teve seu momento de herói. Comemorou como nunca “o gol mais importante da carreira”.

Ontem, por pouco não passou sem almoço, mediante o assédio da imprensa e de torcedores. “Só comi às 15h”, sustenta. Foi o entrevistado do programa Bahia Meio Dia, da Rede Bahia, e quando chegou ao Fazendão, era quase hora do treino. Nada de moleza para o autor do gol mais importante dos últimos dez anos.

Charles não reclama. Reconhece que o Bahia não ganhou nada mais que uma terceira classificação e o octogonal é outro campeonato. “Temos que lembrar do ano passado. Estivemos bem nas três primeiras fases e deixamos cair no final”, lembrou um dos poucos remanescentes do fracasso de 2006. É a tristeza contrapondo a alegria – da mesmíssima forma que aconteceu semana passada. O choro compulsivo na derrota para o ABC foi recompensado com as lágrimas da vitória apertada sobre o Fast Clube. “Só de pensar, me arrepio todo. Lembrei do meu pai, que me iniciou no futebol e sempre me incentivou.

Conversei com ele depois do jogo e fiquei muito emocionado, porque devo tudo a ele”. Os milhões de torcedores do Bahia espalhados Brasil afora agradecem o incentivo. Os tricolores ganham outros dois meses para sonhar e mais 14 jogos para torcer, sofrer, vibrar e, talvez, desentalar o grito de “é campeão” – mesmo que da terceira divisão. Charles se candidata a ídolo. Quem sabe não está destinado a ele mais um gol decisivo. E quem sabe não será esse que o consagrará definitivamente na história.

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