Felicidade não se esquece

Polêmica é o que não falta na nova publicação impressa de Salvador: a Revista da Metrópole, ainda que a capital baiana seja metrópole somente no desejo de se construir um dia como tal.

Ainda é mais a revista da rádio com o mesmo nome. No tamanho, e somente no tamanho, talvez se possa arriscar chamar Salvador de metrópole, pois o espírito não nos parece ter evoluído a ponto de constituir-se em uma cidade de grande porte.

Na edição de setembro da revista, o colega Nestor escreveu uma reflexão sobre a continuidade do poderio do conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios à frente do Esporte Clube Bahia.

A posição que ocupa ainda hoje no clube é o tema das idéias publicadas por Nestor, a convite dos editores da boa revista, capaz de tentar ocupar uma fatia de mercado, cuja ausência justifica a hipótese de não ser possível tratar Salvador como metrópole.

Para não tentar enxergar a situação apenas pelo ângulo da oposição e do desejo sincero de ver o Bahia mudar, talvez fosse válido também investigar como este cidadão chegou a ocupar uma posição de tal sorte no clube que mantém a força ou parte dela ainda hoje.

Para que as pessoas se identificam com um clube? Ganhar, curtir, saborear, gozar. Quatro verbos dão uma boa pista do fortalecimento da posição do dirigente, a despeito de tantas adversidades do ponto de vista histórico na área de planejamento, como demonstrou o colega.

Pois como diretor de Futebol, o Bahia provavelmente jamais terá outro melhor ou mais vencedor. Antes de tornar-se presidente hepta em 1979 já havia sido hexacampeão baiano como colaborador de Fernando Schimidt e Wilson Trindade.

Uma brusca interrupção nas glórias, com um isolado título do Vitória e a ascensão do Galícia em 1980, teve uma resposta imediata na façanha da classificação na Taça de Ouro de 1981, graças à goleada tida como milagrosa: 5 a 0 sobre o Santa Cruz.

Veio em seguida mais um tetracampeonato estadual em um futebol carente de rivais. Enquanto a popularidade crescia, mais faixas se acumulavam. A torcida podia ir ao estádio certa da felicidade, que deu título ao próprio livro que Nestor escreveu.

Bahia – Esporte Clube da Felicidade só pôde ser escrito por conta da atuação do conselheiro cuja oposição hoje prefere destacar o lado negativo, como os piratas de tapa-olhos que passam nos filmes antigos ambientados em um suposto alto mar.

Mais uma pequena concessão ao Vitória de José Rocha em 1985 e logo o Bahia estava de volta para mais um tri, desta vez coroado com a expressão máxima que qualquer dirigente gostaria de alcançar: o título de campeão brasileiro de 1988, na Copa União.

Mesmo quando esteve no poder na surdina, ou na cortina, enquanto alguém de sua confiança o exerceu de direito, o contestado conselheiro mostrou sua força e sua sorte, como no outro super-milagre do gol de Raudinei, no título de 1994.

Se do outro lado o Vitória cresceu, com o trabalho de Paulo Carneiro, outro Hércules execrado de hoje, o mito do tricolor vencedor passou a sofrer sérios danos com os rebaixamentos para as Séries B e C, ainda que tivesse feito boa campanha na Copa João Havelange.

Uma história feliz não se pode rebaixar ao esquecimento. É preciso compreender por que a chamada “nação tricolor” é grata a quem tanto contribuiu para se ter um farto material a ponto de virar um livro tão bonito como o que Nestor escreveu e mesmo os rubro-negros admiram.

O resultado se pode perceber na construção de uma carreira política também vitoriosa, de vereador a deputado, por conta da retribuição em votos de tantas alegrias que construíram uma constelação imensa e impossível de deletar num só texto de revista.Texto do Nestor Mendes Júnior – Maracajá é alvo da última “Revista da Metrópole” Paulo Leandro ( Portal Esportivo)

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