Duda Sampaio: Torcedor X Torcer com Dor

Muitas pessoas ainda duvidam que o meu time de coração é o Bahia apenas porque me posiciono contra a mesmice que impera no Fazendão desde a minha saída do quadro, em 1998. Vejam que eu estou falando de um problema com quase dez anos, isso sem contar os tantos outros em que não havia tanta facilidade em se saber das coisas, as maracajataias ficavam escondidas e só quem tava por lá ficava sabendo.

Existe aquele torcedor apaixonado, aquele que chova ou faça sol aparece até em treino. Este torcedor xiita é o grande entrave na vida do Bahia, porque, exatamente por ser radical extremista e incondicional ele está sempre à disposição do clube, é o capacho no qual a direção pisa, tripudia, exaure, suga até a medula. A sua cegueira o impede de analisar o clube em nível macro, ele quer apenas que o time ganhe a partida seguinte; é o torcedor que destruiu a Fonte Nova no ano passado; é o torcedor que se pinta, se fantasia, que chora e esperneia; é o caricato, é o Binha; é o torcedor que encheu as ruas naquela passeata tragicómica que não deu em nada – apenas fez vitrine prá um monte de papagaio de pirata; é o torcedor que financia salário, que paga propaganda de movimento de salvação. Em suma, é o torcer-com-dor. Enquanto existirem torcedores desta natureza, nunca o Bahia vai sair da situação em que se encontra. E não se enganem: não existe pureza nem inocência nisso. Todo mundo que participou ou participa destes movimentos tem seus interesses pessoais, ninguém quer salvar o clube por salvar, todos eles querem um naco, uma migalhinha que seja. Isto ficou bem claro pra mim quando o nosso amigo Pinto, ao ser ameaçado de ser expulso das fileiras de sócios deu pra trás, se calou, recolheu sua viola pro fundo do baú.

Do outro lado da moeda existe o torcedor centrado, frio, que analisa a situação como ela de fato é, que não vai ao estádio, não patrocina movimento, não compra camisa, não frequenta torcida organizada, mas não deixa de ouvir o radinho – a despeito da sensação de estar com um penico no ouvido diante de nossos gloriosos narradores e comentaristas esportivos (que também não têm isenção alguma, todo mundo tem compromisso com alguém ou com algo ou quer entrar na jogatina). É o torcedor que grita gol pra dentro, que cerra o punho quando a vitória se anuncia, que ama o clube mas não se submete ao ridículo, à humilhação. É o torcedor que só quer uma coisa: limpar, desinfetar, dedetizar, higienizar e esterilizar o Bahia; é o torcedor que não vê a hora de uma utópica renúncia coletiva, já que uma retirada à força, apesar de ser viável (e seria linda) é antidemocrática, mas a História nos ensina que todas as nações que hoje dominam o mundo passaram por uma revolução: Revolução Francesa, Guerra de Secessão, Revolta dos Cravos, Revolução Industrial, Revolução Bolchevique. A Revolta Estudantil de Paris, em 1968; a Perestroika de Gorbachev; a Queda do Muro de Berlim, em 1985; a OLP e a Intifada; a abertura da Cortina de Ferro e a execução dos ditadores. Mas por favor, não façam ao som de pagode e axé…Eduardo Sampaio, pode também ser lido no fórum do Portal Esportivo.

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