Bahia usa a tecnologia para driblar penetras no estádio

A cena se repetia na maioria dos jogos do Bahia na Fonte Nova: uma legião de aproximadamente mil cambistas disputava a preferência dos torcedores vendendo ingressos a preços inferiores aos valores praticados nas bilheterias. Como? Vendendo bilhetes de meia-entrada adquiridos com carteira de estudante emprestada ou falsificada.

Além dos ingressos de meia-entrada, outra fonte de receita dos cambistas está com os dias contados. O vale-show, ingresso retirado gratuitamente nas bilheterias mediante a apresentação de 10 cupons fiscais, volta a ser implantado nos jogos do Bahia a partir do dia 7 de outubro, na partida contra o Fast, pela última rodada da terceira fase da Série C.

O convênio do programa “Sua Nota é Um Show” com a Secretaria Estadual da Fazenda havia – interrompido desde a decisão do Campeonato Baiano, em maio – foi renovado na última terça-feira com novidades. O torcedor só poderá retirar ingressos na véspera do jogo mediante a apresentação do CPF e se tiver feito reserva feita por telefone. A Federação Bahiana de Futebol (FBF) implantou um call center para atender o programa.

O objetivo é acabar tanto com as longas filas que se formavam na Fonte Nova e no Barradão – o Vitória também aderiu ao programa -, quanto minar a ação dos cambistas, que compravam os ingressos gratuitos das mãos das pessoas que ficavam na fila por um real e os revendiam a R$ 3 no dia do jogo.

Mas a farra dos cambistas e dos torcedores que entravam pagando menos do que deveriam está chegando ao fim. O Bahia implantou um sistema informatizado de bilhetagem que impede que a mesma carterinha de estudante seja utilizada para comprar mais de um ingresso, como acontecia antes. O sistema é o mesmo adotado nos estádiso do Morumbi, Vila Belmiro e Maracanã.

Atualmente, para comprar o ingresso de arquibancada por R$ 5, o estudante precisa apresentar, além da carteirinha, um documento de identidade. O número do RG é registrado pelo bilheteiro. Toda vez que ele tenta entrar em outra bilheteria para comprar meia-entrada com a mesma carteirinha, o sistema acusa e impede a fraude.

“Simultaneamente, passamos a atender à legislação e tivemos um acréscimo estúpido no valor médio do ingresso”, comemora o gerente de operações do Bahia, Claus Dieter.

O dirigente lembra que, ao contrário de Estados como São Paulo, na Bahia não há cota mínima para meia-entrada. Devido a denúncias de que não dispunha de ingressos suficientes para atender à demanda, o Bahia foi obrigado a assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público comprometendo-se a fornecer meia-entrada a todo estudante ou idoso – maiores de 60 anos também têm direito a meia – enquanto houver lugar no estádio.

“Na prática, isso era impossível de ser feito no sistema anterior, porque mesmo que imprimíssemos 90% de ingressos de meia-entrada, sempre havia o risco de um estudante chegar na bilheteria e encontrar apenas inteiras. Hoje isso não acontece mais porque temos 12 máquinas que imprimem os ingressos na hora”, comentou.

Para provar a eficácia da informatização da bilhetagem informatizada, Dieter comparou os borderôs do jogo Bahia x Colo-Colo, dia 10 de março, no sistema antigo, e Bahia x ABC, no último dia 16. Na primeira partida, válida pelo Campeonato Baiano, de um total de 2049 arquibancadas vendidas, nada menos que 1.563, o equivalente a 76,4% foram de meia-entrada. Contra o ABC, o fenômeno inverteu: 26.046 ingressos de interia e apenas 8.473 de meia, o que corresponde a 24,6% do total. “Antigamente o valor médio do ingresso, já descontadas todas as taxas e impostos, era de R$ 2,64. Agora, essa média saltou para R$ 5,56.”, contabiliza.

Pode parecer pouco, mas para um clube que já não conta com a cota de televisão e perdeu brutal arrecadação nos patrocínios de camisa e placas estáticas, otimizar a maior fonte de receita é o único caminho para o clube sair da crise. Mesmo disputando a Série C, o Bahia detém a melhor média de público do País no segundo semestre, com mais de 27 mil pagantes por jogo. Luiz Antônio Abdias, do Pelé.Net

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